ALBUM REVIEW | F(x) – Red Light (2014)

E aí que irei soltar já amanhã a primeira parte do top com as melhores faixas do K-Pop em 2014. No entanto, não poderia fazer isso sem antes relembrar esse que, em minha opinião, é o melhor álbum coreano que já escutei.

Confiram meus pitacos sobre o imbatível Red Light, do F(x)

A essa altura do campeonato, vocês já devem estar cientes do quanto eu gosto do F(x) como um grupo. E, claro, que o maior motivo por trás disso é o repertório implacável que a SM separou para elas durante todo o período que estiveram em atividade. Se eu, como fã, me sinto insatisfeito com a quantidade de releases delas, não posso dizer o mesmo da qualidade. Dos negócios mais pópões aos mais experimentais, Amber e cia acertaram em cheio em tudo o que se propuseram fazer.

O “Red Light”, para mim, é seu maior destaque. Não só é o maior LP do até então quinteto, mas também o de qualquer act que já tomei conhecimento dentro do mundinho coreano. Ironicamente, as canções contidas nele acabam indo prum lado bem menos usual ao comum nessa cena – obviamente, não deixando em momento algum de soarem radiofônicas, mesmo em tantas invencionices.

Ouvi-lo é como acompanhar um best of de singles, já que todas as canções da tracklist, sem qualquer exceção, poderiam ser trabalhadas como title. A pior nele seria a melhor do repertório de um girlgroup mediano. E ainda rola o plus de 90% das letras dele tratarem de temáticas sexuais por meio de metáforas quase inocentes, que acabam passando despercebidas numa audição mais casual. Estranho, ousado, divertido e envolvente.

Com isso na mesa, é válido dizer que Red Light, o single, segue até hoje como o meu K-Pop preferido. (Spoiler? huh) Tento buscar na memória algo que consiga bater esse instrumental esquizofrênico, esse refrão absurdo e essa bridge desnorteante, mas nada chega perto o bastante. Digo, há algo de “errado” nessa música que dá muito certo, nem sei explicar direito. Os versos fazem o ouvinte achar que ela irá para um lado, mas chega o chorus e tudo explode de uma maneira imprevista, inorgânica, sei lá.

Essa “loucura” instrumental é ainda utilizada várias vezes dentro do trabalho – e com um aproveitamento de 100%. Em Boom Bang Boom, há uma escalada de insanidade até o refrão, em Rainbow, isso se inverte, com os versos sendo agressivos e o refrão entrando do modo mais adocicado. Já em Spit It Out, a melhor da trinca, é como se alienígenas dominassem o pacote todo, que descamba prum pancadão EDM inacreditável após tudo o que tornaria a música “completa” já ter passado.

Naquilo de letras sacanas com referências eróticas, Milk é uma das mais legais. Perceber do que se trata isso dela todinha ser sobre as cinco estarem loucas para “se satisfazerem” é uma experiência engraçadíssima. Isso somado ao acompanhamento instrumental mediterrâneo, tenso para caralho, e ao fato delas cantarem como se fossem menininhas inocentes tagarelando uma cantiga infantil, eleva o produto final à excelência.

Butterfly também é tão safada. Uma “borboleta branca envolvida num abraço”. O “amor florescer por dentro”. Deve ser a melhor album track delas. O arranjo oitentista do Teddy Riley é lindo (que teclado arrepiante), os vocais emulando o canto de sereias atraindo marinheiros desavisados para a morte também são lindos.

Falando em Teddy, a mão de produtor dele na demo de All Night pesa bastante, com as referências noventistas em bastante evidência ainda que fundidas com os elementos disco que lhe dão forma final. Incrível uma música sobre transar a noite inteira soar tão radiante, solar e ingênua ao fim. Gosto bastante também de Vacance, que vem logo em seguida, soar como uma continuação dela. É o momento mais vibrante do álbum.

Em contrapartida, Dracula é o mais sombrio nele. Toda ela é pesada, soturna, variando entre vocais agressivos e melancólicos que, ao fim, são puro chiclete na cabeça. Aliais, boa sorte tentando tirar os “tu-tu-turu tu-tu-ruru, tu-tu-turu tu-tu-ruru, dracula-la-la-la-la” da cabeça.

Por fim, Summer Lover e Paper Heart encerram a tracklist de modo bem competente -embora, sendo honesto, soem meio descoladas quando o conjunto total é levado em conta. São fillers? Talvez sim. Mas lembram do que falei das mais fracas aqui serem fortes o bastante para serem as melhores em repertórios de outros grupos? A primeira é um popão de verão ótimo, a última uma ballad country-folk emotiva deliciosamente imersiva.

E o gosto que fica ao final é o melhor possível. Nem vou enrolar muito em justificativas para a nota máxima, pois o conteúdo do “Red Light” em si já a explica. É pop perfectionque chama, não? Por mais grupos como o F(x) nessa geração, com ideias malucas sendo bem executadas.

Nota 10


Texto originalmente postado no blog Esquadrão Lunático, no dia 19 de junho de 2018, como parte de “promoções” para um ranking com os melhores do K-Pop lançados em 2014.

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