MINI-ALBUM REVIEW | Loona – [++] (2018)

Já que é para soltar um último album review no blog, que seja então com o melhor que saiu esse ano…

O universo do K-Pop como uma indústria de entretenimento, em diferentes pontos de sua curta, porém veloz, história, já rendeu uma porção de boas ideias. A maioria delas, munidas de uma máquina financeira capaz de fazê-las acontecer, insistentes, até responsáveis pela proporção mundial que o nicho tomou hoje em dia.

O simples fato de “criarem” essa cena quase que do zero, com apoio governamental, de modo preventivo/combativo à abertura comercial/cultural japonesa dos anos 90, já é um ponto de luz estranhamente louvável de observar. Dentro disso, outros desdobramentos: tratar seus artistas como “idols”, montando numa operação fabril suas personalidades, visuais e “conceitos” seguidos ao amor do público. Tratar esses “idols”, efetivamente, como empregados de uma grande máquina, deixando claro, desde o início (pro bem e pro mal) a sua capacidade de adaptação, que essa galera pode ser alterada de acordo com os interesses tratados. Tratar todo esse material artístico como um produto vendável, feito para o lucro, sem precisar mascarar isso por medo de, eventualmente, os consumidores não comprarem mais tais “verdades” e deixarem de lado seus artistas.

E são muitos os modos como isso vem sendo feito e variado ao longo dos anos. Juntar vários adolescentes, cada um com visual ligeiramente (montado para ser) único entre os colegas? Sim. Destacar os que rendem mais audiência para serem trabalhados como solistas? Claro. E que tal pegar os menos conhecidos, juntar numa unit e atrair os olhares para eles também? Opa. Melhor, que tal prevenir isso tudo pegando trainees e socando em reality shows, de modo que, quando debutarem, já começarão na vantagem? Oh yes. E repetir tudo isso exaustivamente? Com certeza!

File:LOONA - ++ reg B.jpg

O K-Pop é sobre dinheiro, sobre investimento prévio para conseguir mais dinheiro. E ao ver o que a BlockBerryCreative elaborou e executou para o Loona, fico com a ligeira impressão de que a cabeça do sul-coreano é capaz de pensar em possibilidades inesgotáveis para a promoção de seus acts

Todos vocês que acompanharam blogzinhos fundo de quintal nos últimos dois anos sabem da história, mas vale o resumo: em outubro de 2016, foi anunciado que um novo grupo, de 12 garotas, estrearia em breve. E como um aquecimento para tal debut, uma vez por mês, durante 12 meses, uma das integrantes soltaria um single solo. As coisas foram tomando outras proporções com o passar do tempo, com esse prazo sendo esticado e, no meio tempo, outros 3 grupos surgindo como subunidades: 1/3, Odd Eye Circle e yyxy. Cada um com sua proposta, cada um como uma pequena parte do que seria o trabalho maior.

Colou internacionalmente. Uma base de fãs (chata pra caralho, destaco) foi criada, esperando os desdobramentos musicais e, digo mais, na narrativa criada através das letras, visuais e clipes divulgados. Não colou tanto assim nacionalmente, mas capacidade (e verba) para isso rolar no futuro parece não faltar.

E então, finalmente, o megazord se uniu. O Loona, com todas as 12 garotas do mês, se juntou, rendendo o que, considero eu, foi o melhor EP sul-coreano de 2018: [++]. Pois de nada adiantaria todo esse tempo de espera sem, no mínimo, algo ótimo entregue no final. Não só conceitualmente, não só visualmente: MUSICALMENTE. Esse mini é o trabalho de estreia que todo girlgroup deveria sonhar possuir. Variado, interessante, divertido e esforçado em sair um pouco da caixinha em sua tracklist.

Mesmo a “pior” nele (justamente a escolhida como lead single do material) é ridiculamente melhor do que boa parte das titles de outros grupos esse ano. Hi High soa como se tivéssemos num êxtase maluco proporcionado por uma daquelas estrelinhas do Mario Kart: tudo fica maior em velocidade, em cores, em barulhos, em brilho. É uma música espevitada, divertida, um verdadeiro bop aegyo. Estranho, mesmo com todos esses adjetivos favoráveis, eu ainda taxá-la como a “pior” do EP? Pois é. Isso ocorre por todas as seguintes serem ainda melhores.

favOriTe é mortal. O instrumental é forte, a interpretação vocal delas está agressiva e interessante, com HeeJin, Chuu e OEC esbanjando vocais como se fossem me juntar na porrada. A pegada sonora toda me lembra boss bitch girls como Pussycatdolls, Destiny’s Child e, numa comparação mais próxima, o SNSD em You Think, que são ótimas inspirações a serem exploradas. Janet Jackson ficaria orgulhosa se ouvisse. Adoro a percussão pesadona, adoro os rifes de metais meio bizarros, adoro as bobagens que elas fazem na back track. Tudo impecável.

Adoro também os pequenos utensílios adicionados pelos produtores nas canções que poderiam soar mais ordinárias em mãos menos preparadas. As “trombetas” e o clima mais “tenso” em Heat tiram ela do lugar comum vibrante desses tropical houses que saem a cada duas semanas. O mesmo para com o uso de violinos e dos momentos de “silêncio” nas acapelas de Stylish, que poderia ser só mais outro urban para as pistas, mas vai além e salta aos ouvidos quando colocado lado a lado com outros.

Nisso tudo, minha favorita, no entanto, é Perfect Love. O suprassumo do bubblegum pop de menininhas. Chiclete em todos os seus momentos, todos eles. Um house dançante com new jack swing acelerado, que junta vários trechos de pura magia em 3 minutos e pouco de duração. Os versos iniciais são cativantes, o refrão repetitivo é sing-along ao extremo, os “WooOooOOOOwoowOOOooWoooWooo, it’s a perfect lo-ove…” são uma graça. Um dos grandes momentos sonoros desse ano como um todo.

Enfim, o Loona não só veio ao mundo como uma boa ideia, aparada de uma quantidade considerável de capital para ser executada, mas também como o produto do empenho de uma porção de produtores e compositores, utilizando tal espaço como um meio para ousarem em seus materiais sonoros e visuais sem os empecilhos de uma gravadora tão conservadora por trás. Talvez por isso os releases do grupo sejam tão legais? Julgo que sim.

O “[++]” é a coroação de todo esse processo. É a resposta a altura de todas as expectativas colocadas em cima dos anos de atividades pré-debut. Ouvindo-o do início ao fim, mesmo com esses meses passados desde seu lançamento, ele permanece incansável. Dito isso, é impossível não lhe qualificar com a nota máxima (para EPs, no caso, se quisessem 10, lançassem um álbum completo, né):

8,0


Texto originalmente postado no blog Esquadrão Lunático, no dia 11 de dezembro de 2018.

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