Time Machine: Vocês se lembram onde estavam quando o F(x) lançou “4 Walls”?

Eu lembro.

Com o comeback recente do GWSN, me vi novamente viciado em Puzzle Moon. Interessante o quanto, na real, eu venho gostado dos lançamentos do grupo, mesmo tal trilogia sendo composta por cópias menos emblemáticas de 4 Walls, do F(x), que eu considero a “melhor” música de 2015 (embora não seja a minha favorita, mas um dia explico isso mais a fundo), que é o melhor ano do asian pop nessa década.

Ocorre algo com “4 Walls”, tamanha a sua força aos ouvidos, que é ligeiramente raro comigo: eu consigo lembrar exatamente como foi o trajeto para que eu enfim a escutasse pela primeira vez e também o mix de sentimentos que tive em tal primeiro contato.

O F(x) nunca foi prioridade da SM Entertainment, sendo sempre tratado como girlgroup B dentro do catálogo da gravadora (depois do debut do Red Velvet, viraram o grupo feminino C). No entanto, em 2015, as pessoas queriam saber o que elas aprontariam em seu comeback por uma série de motivos.

Um ano antes, musicalmente falando, elas quebraram totalmente as normas do que deveria ser “Pop” com Red Lightsingle e álbum absurdamente experimentais, mas assertivamente envoltos de uma aura radiofônica que fazia toda aquela maluquice barulhenta ser perfeitamente palatável aos ouvidos. Como ir além disso? Como extrapolar novamente os limites da farofa?

Agora, fofocativamente (neologismo, rs) falando, o grupo passou por uma série de causos midiáticos por conta da demissão da Sulli após interromper as promoções do “Red Light” por problemas de saúde, o que gerou uma quase revolta entre os fãs. Somem isso com o fato de a gravadora ter passado a investir pesado na marca do Red Velvet, que vinha com uma sonoridade mais ou menos parecida com a do F(x) ali em início de carreira, além de toda a carga estética alternativa atribuída ao grupo. O que Amber e as outras fariam fariam após isso?

A resposta foi… Evoluir. Sair do template de hipsters esquizofrênicas do K-Pop para outro de hipsters, mas mais alinhadas com o que ocorria na cena eletrônica internacional da época. Lembram do que falei de extrapolar os limites da farofa? O que elas fizeram foi justamente o contrário.

No dia do lançamento de “4 Walls”, ocorria em minha faculdade (na primeira, onde me formei em Jornalismo, embora esse blog não seja jornalístico) um evento juntando todos os cursos da área de Comunicação, no qual eu era um dos responsáveis pela cobertura, com palestras, workshops e todos aqueles trecos de universidade que as pessoas só levam a sério tarde demais, que gastam dias inteiros de uma semana.

Lembro que não fiquei acordado para assistir o MV no YouTube meia-noite (os álbuns saiam aqui no Brasil de madrugada nessa época), que acordei atrasado demais para conferir antes de sair e fiquei demasiadamente ocupado durante toda a manhã com uma exibição de efeitos especiais patrocinada por uma escola de cinema aqui do RJ. Em meu celular, lia opiniões variadas de colegas num grupo de WhatsApp, uns dizendo que odiaram por “não ser F(x)”, outros amando por ser “ainda melhor que F(x)”.

Pensei que teria tempo de assistir o clipe no almoço, mas acabei indo comer fora com colegas e já emendando o fôlego numa oficina de fotografias eróticas (pois é, humanas têm disso), depois em outro workshop, outro, aí fui jantar, depois rolaram palestras e entrevistas que tive que fazer, edições da ilha de cortes, preparar pauta pro dia seguinte. Era quase meia-noite quando, enfim, cheguei em casa e pude dar play no vídeo que abre esse post.

Minha reação foi de… Estranheza. Após “Red Light”, imaginava que elas repetiriam a dose nas bizarrices do industrial / eletronic body music. No entanto, “4 Walls” brincava mais com o deep house / garage house que acts ocidentais como AlunaGeorge, Disclosure, Kiesza e outros vinham ressuscitando à época. De imediato, achei morno demais em comparação ao que elas vinham fazendo em comebacks anteriores. Meio decepcionante até, embora o videoclipe fosse, de longe, o melhor do grupo.

Imagem relacionada

Obviamente, isso durou pouquíssimo. No dia seguinte, já estava com o álbum inteiro em meu celular, ouvindo cada uma das faixas enquanto ia para mais um dia cheio na faculdade.

Vejo “4 Walls”, hoje, como a segunda melhor faixa do F(x). Não é a porrada imediata que foi “Red Light”, mas vai envolvendo o ouvinte aos poucos em sua teia de melodias desgraçadas. O refrão repetitivo é anfetamina pura, um dos mais fortes do K-Pop. A letra mescla shade na Sulli com putaria classuda. O ~clima~ construído por ela é totalmente remetente a clubes noventistas, ballroom parties vogue esfumaçadas (não é a toa a coreografia dela é toda calcada nisso), drag queens lip synch por suas vidas. É o limiar exato entre a melancolia alternativa e o bliss poc que toda canção do tipo deveria carregar.

Por um acaso do destino, esse acabou sendo o último lançamento “oficial” do então quarteto. Rolou uma versão japa depois, um single dentro de um STATION, mas nada com o afinco que um release propriamente dito deveria ter. Não acho que o F(x) terá ainda um novo comeback. Se esse foi o ponto final da trajetória delas juntas, não tenho nada do que reclamar.

Um dia faço review do álbum, aguardem calmamente

Yup, isso aqui é uma reedição da coluna “Lembram quando…?” lá do falecido blog azul. Agora, com um nome fancy em inglês e várias oportunidades de eu reciclar trecos que escrevi como se fossem novos. Eu quero views, bitches.

5 comentários em “Time Machine: Vocês se lembram onde estavam quando o F(x) lançou “4 Walls”?

  1. Pra ser sincero, eu só fui conhecer o f(x) algum tempo depois que elas já tinham lançado essa música. Mas adorei ela já na primeira ouvida, e continuo adorando até hoje; é minha favorita delas (mesmo não tendo a Sulli, com quem eu simpatizo pacas).

    A lembrança que eu tenho é de ter mostrado o MV pra minha irmã e a reação dela foi: “Nossa, legal! Quem são? É tipo uma versão coreana de Sandy & Junior?” (sim, ela não só achou que a Amber fosse um cara, mas como as quatro não aparecem juntas, achou também que as outras três fossem a mesma pessoa…)

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  2. Minha segunda favorita tb, perde só pra red light, queria entender por que essas empresas ficam fazendo cu doce pra oficializar disband, por que ta na cara que elas nao voltam mais.

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  3. Quando saiu essa música eu tava no primeiro período da faculdade, ouvia essa música extremamente surtada estudando pra primeira prova de História Antiga, primeira prova que eu tive no curso

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