“GIRLS GOTTA LIVE”, Faky e outros acts para o capopeiro médio começar a gostar de J-Pop

Semana passada, o Faky lançou GIRLS GOTTA LIVE, sendo esse seu primeiro comeback “oficial” em nova formação (já tinha rolado uma OST para doraminha antes, mas elas sequer apareciam no clipe). Elas fazem parte da gravadora avex, começaram como 5 (o nome do grupo é uma abreviação de “Five Ass Kicking Youngsters”), aí 2 pularam do barco, adicionaram outra e se tornaram 4, então outra das gatas originais saiu fora e 2 pirralhas foram incluídas.

“GIRLS GOTTA LIVE” é ótima e meio que serve de porta de entrada visual para o quinteto como um todo, que sempre aposta nessa estética girlcrush fashionista de atitude forte, e para um dos lados musicais dele: o de faixas-litte-mix-fifth-harmony que mesclam retrô com afinações contemporâneas, recheando as produções de elementos unicamente pensados para gerar energia, como palmas, estalos e uma continuidade na bateria eletrônica. Com a boa interpretação vocal das integrantes e todos os outros elementos que compõem o pacote, não poderia gostar mais.

Há também um outro front sonoro que elas costumam apostar: o de bops eletrônicos noventistas para bater cabelo em boates esfumaçadas. Minha favorita em sua discografia, “Bad Things” segue essa linha (se não me engano, ficou em segundo lugar num top anual à época).

Embora seja estupidamente fracassado comercialmente por uma série de motivos (preferir apostar em tendências ocidentais em vez de modismos nipônicos, descaso das diferentes subdivisões/gravadoras que cuidam delas etc.), vejo o Faky como uma ótima “porta de entrada” pro público médio (e pra vocês, capopeiros de merda que acompanham isso aqui) ao J-Pop. Como disse, seus releases costumam apostar em estilos sonoros e visuais que se assemelham bem mais ao que acts costumam entregar desse lado do globo que no Japão. E se há pecado em originalidade nisso, por outro ponto de vista, elas não sofrem dos “problemas” que são facilmente identificáveis em atos nipônicos quando tirados de contexto (não dá para alguém não-otaku assistir um clipe do AKB48, por exemplo, e achar normal num primeiro momento).

Comparado com o K-Pop, que conseguiu se “internacionalizar” corretamente nos últimos anos aos ouvidos e olhos de não capopeiros, o J-Pop ainda é “específico” demais em seu mundinho, o que provavelmente afasta potenciais ouvintes. Não que o cenário musical japonês precise de atenção internacional, já que há uma autossuficiência louvável ali, mas é sempre bom ter mais pessoas para conversar sobre esses tipos de lançamentos. Dito isso, resolvi preparar uma listinha curta com alguns nomes recentes que, particularmente, acho que, tal como o Faky, têm o potencial de inserir novos consumidores nesse buraco negro chamado J-Pop. Tem tudo no Spotify. Sem mais delongas, vamos a ela.

CHANMINA

A Chanmina é meio sul-coreana, mas preferiu tentar carreira na ilha vizinha como solista em vez de precisar passar anos dentro de alguma empresa qualquer para, quem sabe, debutar num grupo e, mais pra frente, tentar acontecer sozinha. Suas músicas costumam transitar entre o pop dançante-com-mensagem da “Never Grow Up” acima e o urban debochado que fica melhor com timbres femininos que boygroups coreanos insistem em apostar, tal como a “I’m a Pop” aí.


RIRI

Tenho essa piada recorrente aqui no blog de dizer que a RiRi é a resposta japonesa à Ariana Grande, com rabo de cabalo e tudo, mas, ó, é bem isso aí que vocês podem esperar das faixas delas. “That’s My Baby” é parecida com as releituras que a Ari fazia de trecos da Mariah Carey anos atrás, “Summer Time” (uma das minhas favoritas de 2019) está mais para a era “My Everything”, com feat. de rapper e o plus da adição de elementos orientais na backtrack.


HAPPINESS

O Happiness também é uma boa pedida, caso vocês estejam acostumados com girlgroups coreanos de atitude mais arrebatadora. O fato de o line up ser preenchido por várias garotas que servem unicamente para dançar e fazer carão pra câmera enquanto só duas cantam é estranho no começo, mas dá para acostumar fácil. Confesso não ser tão fã da discografia delas (só gosto mesmo de “Gold”, que ficou entre as mais tocadas do meu Spotify nos últimos dois anos seguidos, e tenho começado a curtir esse comeback mais recente, também linkado), mas o estilo delas é bem vendido no que se propõem e, como primeira droga pra tal mundo, rolam legal.


DAICHI MIURA

“Aah, mas eu não gosto de garotas cantando, Lunei, estou nessa por BTS e outros oppaaaaas…” dirá alguma pirralha de 13 anos que nem acompanha o blog, mas chegou a esse post por meio do Twitter ou coisa do tipo. Se vocal masculino é a praia de vocês, ótimo. Ouçam Daichi Miura, que também canta, dança e entrega uma faixas com apelo pop bem parecidas com o que produtores costumam montar para boygroups que gostam de pagar de conceituais, tipo SEVENTEEN, GOT7 e o próprio BTS. “Be Myself” e “Blizzard” (tema de algum Dragon Ball aí) estariam em casa nas discografias dos três grupos.

Mais alguma dica?

5 comentários em ““GIRLS GOTTA LIVE”, Faky e outros acts para o capopeiro médio começar a gostar de J-Pop

  1. “O fato de o line up ser preenchido por várias garotas que servem unicamente para dançar e fazer carão pra câmera enquanto só duas cantam é estranho no começo”

    Não pra quem conheceu as Pussycat Dolls na década passada.

    Enfim, boas recomendações. Eu acrescentaria FEMM (especialmente o primeiro álbum delas, todo cantado em ebonics) e alguns singles específicos da Utada e Namie que têm uma sonoridade mais ocidentalizada (Automatic, Addicted To You, Alarm, Put’Em Up…).

    (e alguém me explica como as moças do FAKY, com orçamento baixíssimo, ainda conseguem parecer mais estilosas que Kumiko e Ayu??)

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    1. Ah, falando em FEMM e FAKY, eu sei que o povo da blogosfera odiou o álbum de regravações dos anos 80 e 90 do FEMM, mas eu adoro a versão delas (com a Lil’ Fang do FAKY) pra Konya Wa Boogie Back. O engraçado é que nem acho muita graça na versão original da mesma música…

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    2. Sonoramente, o primeiro álbum do FEMM é bem western friendly mesmo. Mas visualmente, duas meninas se fingindo de manequins, vestidas com roupas fetichistas é estranho demais para quem não acompanha bobagens do oriente.

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