“I Quit” e “Paradox” são tão ruins que me fazem achar o YG um herói por não ter deixado a CL lançá-las antes

Semana passada, CL voltou ao k-pop game ao deixar de vez a YG Entertainment e começar a tocar sua carreira musical de maneira independente. Parte do gimick que torna isso interessante é o fato dela ter conseguido carregar na mochila uma porção de demos feitas dentro da gravadora. Essas estão sendo lançadas em pares semanalmente agora em dezembro, fechando um EP/projeto de 6 tracks nomeado “In The Name Of Love”. E as coisas ganham ainda outro tempero com as datas em que as canções provavelmente foram finalizadas aparecendo em seus títulos, jogando no ventilador que ela vinha reunindo material ao longo dos anos, mas mesmo assim sendo impedida pelo velho lá de trabalha-lo na cena.

O único problema disso tudo é que, agora com os singles chegando aos nossos ouvidos, fica a impressão de que o YG estava certo nisso tudo…

I Quit, supostamente gravada no início do ano passado, é uma merda entediante que tanto não serve como smash radiofônico pop necessário ao K-Pop, como também não traz o apelo, huh, “elegante” (atenção para as aspas, hein) que OSTs de doramas exalam para cativar o público adulto médio. Ela fica num meio termo “norte-americano-ish” bocó em que se percebe a tentativa de soar “verdadeiro” em sua letra e proposta sonora mais emotiva, mas que se perde junto a melodias erroneamente repetitivas, cansativas e uma inserções eletrônicas “cools” que são datadas demais. “I Quit” é… Cafona.

E vale lembrar que a YG, mais ou menos nessa mesma época, conseguiu um dos ápices fonográficos do ano passado com Love Scenario, do iKON. Eu acho “Love Scenario” um saco, mas consigo admitir que ela é bem mais redonda em sua proposta. É um encontro correto entre as propostas “K-Pop” e “OST” em seu instrumental retrô que vai adquirindo mais e mais ícones sônicos conforme as estrofes vão passando. Dá para imaginar a CL mostrando “I Quit” aos chefões da gravadora, usando o hit do iKON como justificativa para tal tentativa e todos na sala rolando os olhos, pois entenderam que a música é falha em emular tal apelo, que o dinheiro que gastariam com sua promoção seria melhor aplicado em algum outro act.

Já Paradox, supostamente finalizada alguns meses antes, no finalzinho de 2017, é um tiquinho melhor trabalhada. Seu instrumental é o mais interessante dessa leva de lançamentos até então, brincando com poucos elementos eletrônicos que servem de base para que a CL coloque versos mais rápidos por cima do baladão. Ele vai mudando conforme os versos passam, há diferença nas inserções sônicas da primeira parte para a segunda, e depois para o rap e para o que viria a ser o grand finale. O problema é que a música meio que morre antes desse finalzão chegar. Vem o rap e, em vez de explodir no final instrumental e vocalmente, como uma boa power ballad deve fazer, rola só mais uma repetição do refrão, sem nada disso, cortando até as distorções eletrônicas que foram mostradas nos refrães anteriores.

“Paradox” ainda precisava ser melhor afinada, aparada, produzida. Com o fim brusco, soa estranha aos ouvidos, interrompida. E de qualquer forma, ainda fica longe do apelo bubblegum que um K-Pop mainstream deve ter. É mais como uma album track legalzinha que como uma title de comeback. De novo, é possível imaginar todos na sala de reuniões da YG rolando os olhos ao terminar de ouvir e imaginando que isso nunca conseguiria concorrer com Likey ou qualquer outro treco que estivesse fazendo sucesso na Coreia do Sul à época.

De qualquer maneira, minha curiosidade no projeto continua acesa, pois ainda há a possibilidade do tão comentado MV de “All In” ver a luz do dia semana que vem. Para quem não lembra, CL liberou trechos dele em seu Instagram em 2017, que já estava gravado há algum tempo, mas não era lançado por sabe-se lá qual motivo. “All In” parece datar de uma época onde o tropical house ainda não era tão quente dentro do K-Pop. De lá pra cá, a moda apareceu, cresceu e esfriou. CL poderia ter sido uma das percursoras do gênero dentro do nicho à época. Se “All In” sair agora, vai se beneficiar da estiagem de tais flautinhas peruanas e, junto disso, ser o talvez smash pop que seu comeback está necessitando após tanto marasmo.

Torçamos para que valha a pena, pois já era para meu top 100 de 2019 estar fechado e estou atrasando todo o deadline de final de ano do blog por conta disso…

2 comentários em ““I Quit” e “Paradox” são tão ruins que me fazem achar o YG um herói por não ter deixado a CL lançá-las antes

  1. Eu não tô esperando muita coisa dessa nova fase da CL
    Tá na cara que, ou essas demos são coisas que mexem demais com um passado obscuro pra ela mexer, ou ela realmente acreditava no potencial delas pois ela é uma coreana e pra eles quanto mais sem graça o troço for mais eles acham que tem estilo indie/de artistas de verdade
    De qualquer forma pra mim o mais importante é ela estar lançando algo
    Vou voltar a escutar ING e Hello Bitches e seguir a vida

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