TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2018 [55-41]

Mais uma parte desse ranking, mais 15 bopzões de 2018 morrendo antes do trio final de posts. Aqui, finalmente chegamos à metade da lista, o que significa que a peneira começa a se fechar e alguns dos highlights do ano começam a dar as caras enfim.

Dessa vez, uma desproporção que vocês não estão muito acostumados: só 5 capopes de frente a 10 jotapopes. Vai ser um dia difícil para as basics do asian pop que só escutam bagulhos coreanos, hein.

55. SHINEE – ALL DAY ALL NIGHT

“Ai meu dels, o Lunei enlouqueceu. Tá colocando ainda outra album track do SHINee na lista enquanto meus girlgroups são ignorados. Aaaa…” gritaram mentalmente uns de vocês ao ver “All Day, All Night” dando as caras aqui. Mas, puxa, vocês já ouviram isso aqui? Tá aí um número de boygroup realmente bem feito, mesmo trabalhando legitimamente dentro das limitações do que é esperável de um número de boygroup. Eles acertam demais ao colocar toda uma agressividade vocal por cima dum instrumental EDM tão hostil quanto. Violento, mas melódico. Segunda melhor deles desse ano (e quem lembra da lista original já deve imaginar o quão alto a primeira deles aparecerá).

54. DAICHI MIURA – BLIZZARD

“Blizzard” foi tema de algum filme aí de Dragon Ball Super que eu não assisti, mas lembro que, à época do lançamento, uma galera otaco reclamou por ela, supostamente, ser “pop demais” para ser usada como tema da franquia. Pra mim, honestamente, a grande diferença dela como animesong nessa temática, justamente, foi ter uma apelo mais radiofônico e “para as massas” do que o que alguma banda mais tradicional poderia proporcionar. O resultado: “Blizzard” conseguiu extrapolar o universo de animesongs e se tornar um bop consumido por diferentes públicos. Que bom então que chamaram o Daichi Miura e ele entregou essa delícia dançante cheio de ganchos viciantes. O clipe dando a impressão de ter sido gravado num take só também é ótimo. Só vitórias do mundinho do J-Pop em cima do mundinho otaco.

53. KANA NISHINO – P.O.P

Não, eu não enlouqueci. A Kana Nishino, de fato, soltou uma música fora daquele template “caipira” capaz de conquistar a atenção de ouvintes fora de sua eficaz fanbase. E tal música é ÓTIMA, no caso. “P.O.P” é tão descaradamente bubblegum, tão propositalmente girly e funciona tão bem nessa proposta que me faz pensar se ela não se sente devastada por não poder soltar trecos assim como single em vez de repetir a mesma fórmula sonora já manjada que eventualmente dará certo. Se ainda não tiverem escutado, se joguem aí nesse disco 70s purpurinado acima.

52. ANGERME – URAHA=LOVER

Continuando nessa vibe açucarada, sigamos com o Pop vibrante do ANGERME. Eu genuinamente nem sei se posso classificar “Uraha=Lover” como uma música “boa”, pois rolam alguns exageros vocais e instrumentais em dados momentos. Mas ele entrega tão bem o que é esperado dentro desse arquétipo “japanese idol” que não tenho como achar toda ela, no mínimo, adorável. E empolgante, energética, absurdamente divertida, com aquela pitadinha de rockish datado emotivo piegas que eleva a experiência à máxima potência. E ainda rola o plus de um videoclipe inspirado em “Magic of Love”, do Perfume, servindo de apoio visual perfeito para tal número. O ápice dos grupos Hello! Project nesse ano.

51. TOKYO GIRLS’ STYLE – KISS WA AGENAI

“Kiss Wa Agenai” é a definição de alegria em modo sonorizado. Tudo bem empolgante, com o instrumental e a interpretação vocal das integrantes colaborando de modo a entregar um popão carregado na glicose, mas sem sair de verdade do ponto. Aliais, acho bem interessante o jeito como os produtores têm administrado legal a escolha de demos para essa nova fase do Tokyo Girls’ Style. O idol factor ainda está lá, mas com um refinamento “artístico” maior no produto final. Bom, metade da lista se foi. Vamos com as 50 mais de 2018 daqui em diante…

50. FAIRIES – HEY HEY ~LIGHT ME UP~

Alguns números musicais dependem bastante da boa vontade do ouvinte quanto ao tipo de proposta que está sendo evocada. Creio que “HEY HEY ~Light me up~” (hahahaha, esse título sapeca) seja um desses casos. O Fairies mergulhou, visual e sonoramente, na estética dance para para que os japoneses decidiram, sabe-se lá por qual motivo, absorver da Europa durante a explosão da bolha econômica nos anos 90, tal como se Namie Amuro E As Super Macacas vivessem hoje em dia. Tá tudo aí: o bpm altíssimo, a interpretação vocal superlativa, as escolhas duvidosas de cenário e figurino etc. É um throwback muito bem feito, divertido de ouvir e assistir, que não tenta adicionar elementos atuais no pacote para que ele fique mais palatável aos jovens. Eu curto bastante.

49. ALICE VICIOUS – FEEL BETTER

Alice Vicious é uma daquelas cantoras alternativas flops que eu vivo tentando fazer acontecer por aqui, tipo a Oohyo-da-pizza e a Eyedi-vilã-do-MIXNINE, mas que vocês quase não dão bola. E, ó, quem saem perdendo são vocês mesmos, pois acabam demorando para descobrir pérolas como “Feel Better”, que parecem montadas a partir de uma injeção de cafeína, tão animadas e divertidas que são do início ao fim. Podia ser de um Calvin Harris da vida, mas é de uma sul-coreana plastificada com o orçamento de duas coxinhas e um copo de suco de caju, o que deixa a experiência ainda mais interessante.

48. MIYAVI, BETTY WHO, RAC – EASY

Queria dizer que eu fiquei um bom tempo sem saber quem é Betty Who, então o meu julgamento a respeito de “Easy” não teve o boost de “uia, o Miyavi chamou uma gostosa do alt pop pra colaborar” que teria caso fosse uma La Roux ou Robin na faixa. O que quer dizer que “Easy” funciona como um pancadão pop chiclete grudento independente de quem está cantando, o que é algo ótimo. Tudo aqui fica na cabeça por muito tempo: a letra, a melodia cantada dela, os malabarismos que o Miyavi faz com a guitarra. Até a collab com a Daoko sair ano passado e derreter o meu cérebro, essa era a minha música-de-Miyavi-cantada-por-outra-pessoa favorita. Ouçam e tentem não pirar tanto.

47. SORI – TOUCH

MELHOR SEXY CONCEPT

Um brinde à Sori por, mesmo com uma história muito louca e novelística envolvendo os ataques da Coco, sua gravadora, o CocoSori fracassando e a porra do MIXNINE não rendendo nada pra ela, conseguir entregar um hino desses, que até hoje consegue funcionar como música e não só como o “capítulo derradeiro” de todo o drama. “Touch” é viciante pra caralho. Ela mistura o meu tão amado garage house cintilante e sujo com vocais suspirados e uma letra SAFADÍSSIMA sobre transar a noite inteira. E o MV… ooh, o MV. Nada em 2018 foi mais sensual que esse MV. Alguma outra empresa podia contratar a Sori. Não é possível que viveremos sem clipes dela nos hipnotizando daqui em diante. Esse não é o Brasil que eu quis.

46. KAJI HITOMI – MY PERFECT SKY

Essa também é tão boa. Sei que a onda tropical house já deu o que tinha que dar, mas “My Perfect Sky” consegue soar fresca mesmo dispondo de artifícios já utilizados por tantos outros. Talvez por, além do jogo de sintetizadores distorcidos característicos, os compositores terem focado em construir melodias verdadeiramente interessantes em todas as partes da música? Acho que sim. Uma pena, em tela, a Kaji Hitomi ser tão desconfortavelmente estoica. A impressão que dá é que ela é um robô se movendo pra lá e pra cá, sem expressão alguma no rosto. Enfim, não se pode ter tudo.

45. MINMI – NAMAIKI

“Ainnn, o BTS é um grupo incríveeeeeel, eles colocaram influências africanas em Idol e ela ficou maravilhosaaaaa”, disse alguma army descontrolada em algum momento de um dia qualquer. Infelizmente, a exigência dessa anedótica army para “canções que usam influências africanas” deve ser bem baixa. Certamente, se ouvisse “Namaiki”, da MINMI, entenderia como produtores podem mergulhar em signos sonoros de tal continente, colocá-los em evidência na track e entregar um verdadeiro bop. Nossa, sério, essa aqui é tão boa. Lembro que rolou uma ~onda kuduro~ por aqui anos atrás por conta da abertura de Avenida Brasil, mas foram poucos os artistas que soltaram canções nessa linha realmente legais. Quando “Namaiki” começa no aleatório, me sinto transportado pro início da década, fazendo aqueles movimentos pélvicos enquanto toca o tamborzão atrás. Parabéns, MINMI, você acertou em tudo aqui.

44. BOA – MANHATTAN TANGO

“Manhattan Tango” é um dos grandes destaques do LP-fecha-era da BoA, colocando uns elementos remetentes ao tango num Dance extremamente envolvente, sensual e ideal para performances carudas na frente do espelho. O refrão gritado aqui, em especial, é sing-along demais. De novo, uma pena isso aqui não ter sido trabalhado como single. Num videoclipe, com BoA e trinta e sete bailarino evocativos de algum filme de máfia, as coisas ganhariam outra proporção. Mas a vida é essa bosta aí, caras, nem sempre podemos ter o pop heaven que sonhamos.

43. KODA KUMI – DANGEROUS

E quem diria que, em pleno 2018, uma das melhores album tracks do ano viria de um LP a toque de custo da Koda Kumi? Antes de ouvir o “DNA”, eu não. “Dangerous” é tão legal e tão OUSADA em termos de escolhas. O instrumental Skrillexiano futurista pode parecer bagunçado numa primeira ouvida, mas é justamente essa maluquice que dá liga ao pacote final. E o foco da narrativa está justamente nisso, com a voz da Koda meio que sendo usada como parte dos sons que rolam atrás, não como o destaque principal. Me sinto de volta ao início dessa década, quando o dubstep ainda era a merda mais quente em sets de DJs ao redor do mundo. Que jam!

42. LOONA – FAVORITE

Lembrei agora dos orbits conservadores. Será que eles ainda estão transtornados por a primeira música com todas as garotas do mês juntas não ser uma porcaria aegyo com elas fingindo ter 6 anos de idade? Bobagens de lado, “favOriTe” é maravilhosa em tudo o que se propõe. O instrumental é forte, a interpretação vocal delas está agressiva e interessante, a pegada sonora toda me lembra boss bitch girls como Pussycatdolls e Destiny’s Child. Até minha bias pirralha ridícula que beija sapos teve um momento icônico durante sua única linha (“Eu sabia que você seria meu” *piscadinha*). Janet Jackson ficaria orgulhosa se visse. Calhou de, à longo prazo, ser a minha favorita do Loona em 2018. Mas relaxem, ainda adoro “Perfect Love”, “Heat” e “Hi High”. Loona rainhas da nugulândia.

41. BOA – RECOLLECTION

Como disse o Dougie em seu falecido blog, o bom do “One Shot, Two Shot” é que todo mundo tem a sua faixa favorita nele. A minha, dentre as album tracks, é “Recollection”. Por mais que toda ela soe como algo que algum DJ europeu soltariam no verão com alguma cantora britânica fazendo cara de bunda no feature, a interpretação vocal da BoA acaba por elevar o pacote todo. Ela canta com uma passionalidade bem interessante, injetando nela um sentimentalismo usável em power ballads que lhe permite ser tão alegre, ou triste, ou reconfortante, ou descontraída, ou catártica quanto o estado de espírito do ouvinte ao momento de audição. A guitarrinha junto dos sintetizadores dançantes é o tempero final.

E com isso, faltam só 40. Ou seja, daqui em diante, eu começo a levar o top a sério e entram só as maiores entre as maiores, com cada música lutando nos dentes por uma posição mais alta, sem tempo para amadoras.

Spoilers: um solo do MandoPop (e não é da Jolin), três faixas japonesas (de duas bandas e uma cantora coreana) e onze coreanas (só uma é de girlgroup, outra delas é de uma banda alternativa e nove de solistas, sua favorita provavelmente morrerá aqui).

11 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2018 [55-41]

  1. Triste que o LOONA morreu aqui nesse top 100, mas gostei da resenha de favOriTe.

    Especialmente pela menção à Janet Jackson, rainha injustiçada do pop. Sério, nunca vou perdoar os americanos por terem praticamente assassinado a carreira brilhante dessa mulher por causa de um mamilo, mesmo depois dela ter se desculpado publicamente… Rhythm Nation 1814, janet. e Velvet Rope são verdadeiras bíblias musicais – e mesmo no flop, do qual ela provavelmente nunca mais vai sair agora que já tem mais de 50 anos e o mercado pop barra mulheres acima dos 40, ela ainda surpreende com trabalhos como o álbum Unbreakable (de 2015) e a excelente música Made For Now (do ano retrasado).

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      1. Acho que é mais para “norte-americanos são hipócritas e cancelam artistas por motivos bocós”. Foi só um mamilo aparecendo, coisa que todo mundo vê diariamente ou procura para olhar, mas os rednecks todos devem ter ficado ultrajados por isso ter “manchado” a suposta imagem pueril que uma transmissão nacional como o superbowl deve ter.

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      1. Pô, mas ela é maravilhosa mesmo! OK, como vocalista ela é limitada, mas compensava dançando pra caramba e entregando trabalhos bem criativos (que ela mesma compunha e produzia).

        Pra mim, a Velvet Rope Tour é um dos shows pop mais marcantes que já vi (empatado com a Blond Ambition Tour da Madonna), e arrisco dizer que If é uma das melhores músicas pop já feitas (me impressiona como ela mesclou pop, hip-hop e ROCK numa única música sem ficar uma colcha de retalhos… dá vontade, né I Got A Boy?).

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  2. Não julgo o fato do shinee ter desbancado meus ggs favoritos na lista já que mesmo não sendo shawol (sou only onew e minho lol) eu falo com convicção que eles são o melhor bg já criado no kpop.

    pena que eu tenho gosto podre para macho e só gosto de bg com trezentos membros ou com música “ruim”.

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