TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2018 [25-11]

Penúltima parte desse ranking. O que quer dizer que, hoje, rola aquele clichê de listas de melhores do ano da blogosfera fundo de quintal, onde são várias e várias as gemas intocáveis, lacradoras, fadas de cristal, donas de nossos furicos, destruidoras de nações inteiras e salvadoras do pop, mas que, por pura subjetividade desse belo rapaz que vos escreve, acabaram ficando fora das 10 mais.

Será que agora a sua favorita aparecerá? Será que ela ficará para o top 10? Ou será que, tal como a Kyungri, que eu esqueci que tinha lançado música quando compilei as faixas que entrariam, ela nem aparecerá na lista? Hora de conferir…

25. CLC – BLACK DRESS

Aaaaarrrgh, como eu amo essa! Não sei vocês, mas sempre que, em minha cabeça, tento formular uma definição visual do que significa “girlgroup”, é de algo assim que ela se aproxima. De garotas fodonas, com atitude intimidadora, cantando e dançando como se quisessem colocar o mundo a seus pés. É isso que o CLC me vende (muito bem) em “Black Dress”. A produção consegue dosar corretamente os momentos mais agressivos, onde os sintetizadores estouram em nossa cara, com os de apelo mais emocional, melódico. Acaba sendo, ao final, outro daqueles exemplos onde o urban e o Pop se encontram e fazem um neném farofeiro que gruda na cabeça. Foi a Not Myself Tonight de 2018.

24. GUGUDAN – NOT THAT TYPE

Mais girlcrush, pois é isso que move o mundo Pop feminino. Esse gimick do Gugudan de encarar cara era como um act é ligeiramente curioso, embora tenha demorado para ser executado de uma forma tão interessante quanto aqui em “Not That Type”. O K-Pop precisa de mais girlgroups agindo como… girlgroups! Dessa forma, combinando música, visual provocativo, atitude agressiva e INSPIRADORA para outras meninas, batendo cabelo, fazendo carão, walking like Rihanna e por aí vai. Performances em áudio e vídeo que façam com que aqueles que acompanham se sintam poderosos. “Not That Type” abre margem para tudo isso. O instrumental dancehall é delicioso de ouvir, bem pra cima, misturando metais nervosos na teia de sintetizadores e percussões características do gênero. Os versos são atrativos, indo numa crescente bem convidativa, o refrão surge num primeiro momento quase desprevenido, os “HUH UOU OH OOH OOUU, I’M NOT THAT TYPE” são puro chiclete rebolativo. Bem-vindas ao jogo, gatas! (e aí morreram também)

23. DAY6 – STOP THE RAIN

Talvez isso soe repetitivo, já que eu falo sempre que tenho oportunidade, mas não tem muito como fugir: eu totalmente adoro essa pegada Pop/Rock sentimental adotada pelo DAY6, ainda mais quando utilizada dentro no mercado fonográfico japonês, que é expert em proporcionar números do tipo sem que tudo soe muito datado ou ridículo. E talvez músicas como “Stop the Rain” não soem nada salvadoras de vida para alguns de vocês, mas certamente atinge fundo a galera que passou a adolescência exposta a variações desse gimick utilizadas em soundtracks de animes. Enfim, DAY6, comigo, é o novo One Ok Rock. Que venham mais e mais bops rockish no J-Pop e no K-Pop nos próximos anos. Porra, que refrão bom…

22. APINK – I’M SO SICK

Se foi inusitado ver as meninas do Minx venderem a alma pro Mochila de Criança e se converterem no Dreamcatcher, ou observar o CLC se fazendo notar ao incorporar o espírito 4MINUTE vago na Cube, o que dizer do Apink abandonando os figurinos e sonoridades infantis para apostar num número mais adulto e elegantão? Já valeria uma menção só por isso, mas a real é que “I’m So Sick” é espetacular. Se aproveitando da soma de disco com dance eletrônico, investindo pesado no sentimentalismo, na dramaticidade, tudo para entregar um dos maiores destaques de tal ano – e de seu catálogo até então. Demorou, mas finalmente o grupo parece ter entrado de vez na briga.

21. TRIPLE H – RETRO FUTURE

O ano de 2018 foi bem movimentado para HyunA-e-namorado-menos-famoso. Descobriram que eles estavam se pegando, aí eles não quiserem negar, rolou um choque por parte das adolescentes que seguiam o cara no Pentagon, ambos foram demitidos da Cube após muito drama e ameaças de merdas serem jogadas no ventilador caso não chegassem num acordo justo, o passe internacional da HyunA se valorizou por sua postura firme, mas deve ter sido destruído na cena Coreana, o relacionamento do casal virou caso de discussão pública, o barraco todo se estendeu para outros acts da gravadora e por aí vai. Mas, ó, mesmo com todas essas delícias propensas a fofocas que todos adoramos, a real é que o treco mais interessante vindo deles (e do carinha vela avulso lá) foi mesmo… “Retro Future”. Isso aqui é o orgânico encontrando sintetizadores, com afinações, timbragens e levadas que se assemelham muito ao radiofônico daquele período musicalmente prolífico para o Pop, entre o fim dos anos 80 e início dos 90. É meio Michael, é meio Prince (inclusive rolam referências na letra), é meio Janet, é meio Paula. Tudo é muito bem executado e efetivo em produzir aquela onda ~futurista~ do passado, com o plus de, bom, ser feito agora, com uma qualidade maior de gravação. Ooh, como eu amo artistas cuja arte é melhor que seus causos na mídia. Bjokas, HyunA! ;*

20. DAICHI MIURA – BE MYSELF

Okay, confesso nunca ter prestado atenção de verdade no trabalho do Daichi Miura até tal momento. Mas que ótimo que esse primeiro contato foi com “Be Myself”, que é bonita pra caralho. É daqueles números que vão crescendo de maneira impressionante conforme as estrofes passam, bem catártico, envolvente, tipo “New”, da Yves, ou “Anywhere”, da Rita Ora. E fica ainda melhor com o auxílio visual do videoclipe, ligeiramente simples (ele e um povo dançando em locações diferentes), mas coerentemente complementar ao que chega aos ouvidos. Solistas masculinos no K-Pop poderiam se inspirar nisso, hein.

19. AIRI SUZUKI – DISTANCE

Essa aqui usa um artifício-armadilha comum para catar fãs de J-Pop de longa data: soar como um ultra jam otaku usável em trilhas sonoras de animes velhos e tokusatsus datados. Ouvir “Distance” me traz um misto de sentimentos imaginativos. Consigo colocá-la como fundo para uma cena na pedreira do Toei, onde super sentais juntam suas armas temáticas vendáveis num canhão iluminado e explodem o monstro do dia, virando lentamente para a câmera enquanto fumaças coloridas ocupam o espaço atrás numa pose ensaiada. Consigo vê-la performada por uma cantora animada de roupa espalhafatosa de modo que sua interpretação gere energia para que pilotos em naves temáticas vendáveis enfrentem os inimigos que estão invadindo o espaço aéreo. Consigo quase senti-la numa cena de ápice de uma animação de produção caprichada, lançada diretamente para home video, com o herói em batalha final, estraçalhando o corpo do vilão usando a magia de uma espada, obviamente temática e estupidamente vendável. Isso tudo colocado por cima da estética mais diva pop da Airi Suzuki, em vez de interpretado por alguma banda de tiozões de rosto esticado e cabelos na tonalidade água de salsicha, faz desse um dos melhores números japoneses de 2018. Não tentem resistir, apenas se deixem levar.

18. BOA – WOMAN

MELHOR COREOGRAFIA

É meio estranho constatar que, à longo prazo, mesmo achando o “One Shot, Two Shot” um mini-álbum perfeito e mais “representativo” do que foi o comeback da BoA na Coreia do Sul em 2018, foi “Woman” que se consagrou como o melhor esforço dela em casa aos meus ouvidos. Por mim, tudo bem. Aqui, temos BoA entregando um funkzão Michael & Janet com cara de BoA das antigas, caprichadíssimo em seus pequenos momentos de louvor e glória instrumentais. As variações são todas muito ótimas, os ícones sonoros na back track tornam a experiência ainda mais divertida e a letra lacrativa é vendida muito bem. Eu vivo e luto por esse “feels good to be a… *pausa* WOMAN!!1″ E pelo amor de santo cristo essa coreografia impraticável. A sua favorita JAMAIS entregará um passo tão icônico quanto o cat walk de cabeça para baixo. Flw vlw, BoA. Nos vemos no pódio. HEY YEAH YEAH YEAAAAAH…

17. AKB48 – TEACHER TEACHER

Se um vidente me contasse no passado que eu incluiria uma música do AKB48 num top 100, obviamente gargalharia na cara do sujeito, pedindo meu dinheiro de volta, tamanha a improbabilidade disso ocorrer. No entanto, cá estamos e as 48 irmãs do Mochila de Criança, por bem pouco, não ficam entre as 10 mais desse ano. Mas quem poderia imaginar que os comensais do inferno por trás satânico projeto aproveitariam a tardia conexão com a Coreia do Sul para, basicamente, dar às 48 filhas das sombras um pancadão em linha com o que era produzido no K-Pop anos atrás? Eu que não. “Teacher Teacher”, como single ou clipe, poderia ter sido lançada entre 2012 e 2015 por um T-ara da vida, ou por um Crayon Pop, ou por algum grupo nugu com demos descartadas pelos dois anteriores, e não faria a menos diferença. E justamente pela surpresa de estar na voz das 48 chaves que abrem a morada de lúcifer, tal farofa ganha um boost de relevância e, consequentemente, uma vaga tão alto nessa lista.

16. (G)I-DLE – LATATA

Eu até agora não entendi a relação de vocês com “Latata”. Fiquei surpreso com ela sendo praticamente ignorada durante o FDQA. Não curtiram? Acharam “Hann” tão melhor a ponto de apagar sua existência da cabeça? Caramba. De minha parte, vocês já sabem que esse foi o grande jam de primeiro ano do (G)I-DLE, sendo não só um debut muito bom, forte e que abre margem para que o grupo se desenvolva dentro de um estilo, mas também um pancadão excelente, viciante, que não sai da cabeça. É bem o tipo de troço que vai crescendo ouvida a ouvida. Os “latata latata latata latata…” são ridículos na medida, as divisões de vozes são bastante acertadas, o clipe é ótimo. Uma das melhores novidades de 2018. Todo dia e toda noite é La-ta-ta. -q

15. GWSN – PUZZLE MOON

MELHOR DEBUT

Sim, sim, exato, isso aqui é nada mais que uma “4 Walls”, mas cantada por outro grupo que não o F(x). Foi o que pensei ao ouvir “Puzzle Moon” pela primeira vez e é o que continua em minha cabeça todo santo dia quando a repito ad infinitum em todos os players em que ela me está disponível. No entanto, o mais interessante de tudo isso é que, mesmo não tendo 10% da força que sua original carrega (“4 Walls” é um dos maiores bops da história do K-Pop), só essa fração diminuta já é o suficiente para fazer de “Puzzle Moon” uma das músicas mais legais de tal ano. O refrão é bom demais, as viradas de expectativa que são montadas ao longo da track são deliciosas e divertidíssimas de ouvir, o MV com as pirralhas do GWSN agindo como assombrações no hotel é uma graça. Nem sei ao certo qual seu ponto alto. Talvez a bridge açucarada? Os versos de rap vindo lá no finzinho? Impossível de escolher. Melhor debut single de 2018.

14. HEIZE – DIDN’T KNOW ME

MELHOR BALADA COREANA

A Heize consegue em “Didn’t Know Me” algo dificílimo no K-Pop: entregar uma balada que prende, toca e emociona sem se deixar perder em maneirismos entediantes do gênero nesse nicho. Gosto bastante de sua pegada R&B, com o maior destaque no refrão, envolvente, que soa triste e sensual ao mesmo tempo, como se ela encarnasse de fato uma mulher abandonada e decadente, que sabe que o relacionamento vivido foi uma merda, mas não consegue se desvencilhar dos sentimentos projetados pelo término. A parte com a bateria invadindo o silêncio depois do primeiro refrão é linda demais. Toda ela soa como um desses sucessos de antigamente que estariam em uma playlist de madrugada numa Sulamérica Paradiso FM da vida, que é o nível mais alto que consigo mensurar quando penso numa balada desse tipo.

13. KODA KUMI – GUESS WHO IS BACK

MELHOR ANIMESONG

Ainda na prateleira de surpresas, ADIVINHA QUEM TÁ DE VOLTA?!?!?!! Foi preciso uma pontinha na trilha do anime hypado da vez, mas finalmente, depois de MUITO tempo, a Koda Kumi soltou uma música realmente ótima o bastante para quase pegar um top 10 em alguma lista de melhores do ano. E isso sem nem considerar o star power dela ser a Koda Kumi, meu favoritismo ou qualquer fator biased. “Guess Who Is Back” funciona por si só, sem nenhum desses auxílios. É o tipo de rockzão para bater cabelo que cai como uma luva em vários galhos da fauna japonesa: de otacos fedorentos (oie) a fãs de j-divas (oie again). Aaaaarrrrghh, que delícia poder elogiar algo da Kodão sem precisar forçar a barra ou baixar meu nível de exigência. Melhor música dela nos últimos OITO anos.

12. YUBIN – THANK U SOOOO MUCH

MELHOR VIDEOCLIPE

Essa é tão boa. E ainda mostra que há muito o que explorar dentro das incontáveis variáveis que o “Pop retrô” pode proporcionar em ideia e execução. Um 70s disco mesclado com o EDM atual, todo embebido duma dramaticidade hecatombica, radiante, transportadora, que é ainda ampliada por um videoclipe (o melhor desse ano) caprichado homenageando o cinema trash sci-fi espacial de antigamente. Te amo, Yubin! Aliais, que loucura maravilhosa essa da Yubin encarnar uma persona idol ao extremo em vez de se jogar na figura de rapper gostosa e encrenqueira que todos tínhamos dela, né? Em questão de “virada de chave”, só não surpreendeu mais que a do Momoland…

11. MOMOLAND – BBOOM BBOOM

Eu me deleito em regozijo quando coisas como “Bboom Bboom” acontecem. A empresa do Momoland tinha como ideia inicial fazer desse um grupo white aegyo nojento genérico igual tantos outros, mas o carisma amalucado da JooE durante as apresentações daquele remix horrível lá alavancou a popularidade do grupo como um joke act. O que fazer sobre? Claro, ABRAÇAR O CAPETA e usar isso a favor, convertendo todo o mote do grupo para algo que case com essa vibe. E quem melhor que Shinsadong Tiger para entregar o jam perfeito prum viral, tal como Crayon Pop, EXID e T-ara mostraram antes? “Bboom Bboom” é, de certa forma, O K-POP DE 2018. Foi o que mais chamou atenção fora dos exageros de fanbases isoladas, foi o que fez uma melhor história dentro do nicho. Mas, né, esse é um top pessoal, então não consigo botar ela muito mais alto que isso em questão de preferência, pois as outras que virão a seguir fizeram bem mais a minha cabeça. Malz aí, momolanders… -q

It is what it is.

Spoilers matadores do top 10: 5 capopes (2 de solistas gostosas, 2 de girlgroups e uma de boygroup), 4 jotapopes (uma de girlgroup idol ridículo, uma parceria internacional entre acts, um feat. de DJ + gostosa e uma faixa de cantora coreana no Japão) e um MandoPop (essa aqui é o mais fácil de saber, não me decepcionem).

17 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2018 [25-11]

  1. Primeiro você barra a música da Kyary lá no final do top, depois as Momoladas em 11. É bom ter algum treco da Jolin ou do SonyeoShidae no Top 10 senão vou xingar horrores no twitter

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  2. Sério que Jolin só vai aparecer uma vez ao longo de todo o top 100? OK, ficar entre os 10 primeiros é ótimos, mas pô, mesmo ignorando as album tracks, tem uns quatro singles (Ugly Beauty, Karma, Womxnly, Lady In Red) que podiam ter entrado…

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    1. E o debut delas realmente foi muito bom (apesar das duas estrangeiras entrarem mudas e saírem caladas). Além do single, a faixa YOLOWA também é ótima.

      É uma pena elas terem sido tão ignoradas pelos coreanos…

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  3. Eu morro com as analogias que você faz quando quer se referir ao capiroto
    “mochila de criança”, “48 chaves que abrem a morada de lúcifer”, e os que sempre batem ponto nos posts de Red Velvet kkkk

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  4. Como normalmente ocorre tem mais músicas legais no top 10, o que não ocorre aqui, mas só se salva:

    Eu sou diferente das outras garotas
    Profe Profe
    Latata
    4Walls 2.0
    Olha Só Quem Está Voltando Agora
    Obrigada
    .
    .
    Eu poderia ter incluso Daichi Miura, mas aquele pós refrão em coral ~Be Myself~ arruinou as coisas pra mim.

    O resto eu até esqueci..

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