TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2017 [70-56]

Olá, jovens exilados. Mais um dia de quarentena forçada, mais uma parte do ranking throwback com os melhores lançamentos do asian pop em 2017.

Nessas próximas duas partes, que vão da posição #70 até a #41, um punhado de músicas que ouvi bem mais que as 30 antes cortadas à longo prazo, mas que não são tão imbatíveis em minha cabeça quanto as que aparecem da posição #40 pra cima. Além disso, um fato curioso: por acaso do destino, vários dos acts a seguir têm em comum o fato de que soltaram álbuns desastrosos, mas acompanhados de lead singles que ficaram muito na cabeça. Será que a sua favorita será cortada dessa vez?

70. JY – GOLDMINE

Em 2017 eu estava com expectativas bem altas pro debut album da Ji Young, ainda mais depois de jams como “Radio”, “I’m Just Not Into You”, “Up In The Air” e “Fake”. Mas as músicas nele, em sua maioria, não atenderam o que eu esperava e, nhé, que pena. Felizmente, JY não deixou que sua persona emuladora de Kana Nishino prevalecesse tanto sobre a persona rampeira coreana e nos presenteou com “Goldmine”, uma bobagem safadíssima com ela gemendo por cima de um instrumental reggae/trap durante 3 minutos inteiros. Como não amar? Poderia ser a “Why So Lonely” de tal ano, não fosse essa outra gracinha aqui que se sobressaiu ainda mais…

69. MELODYDAY – KISS ON THE LIPS

TROFÉU WHY SO LONELY DE 2017

Eu brinco com isso de “Why So Lonely” de cada ano, mas a impressão real que tenho aqui em “Kiss On The Lips” é que, de fato, a Loen decidiu pegar todos os elementos que deram certo para o Wonder Girls no ano anterior e remodular numa versão ainda mais pop para o MelodyDay. O instrumental pincelando reggae está lá, o videoclipe com essa fotografia mais saturada, a letra construindo uma atmosfera extremamente sensual. Infelizmente (para o quarteto), nem isso foi o suficiente para atrair qualquer atenção do coreano médio (MelodyDay e Fiestar são dois casos estranhíssimos de acts vindos de um selo enorme que nunca aconteceram), com elas desaparecendo de vez tempos depois. Ao menos, deixaram aqui sua melhor faixa em todos os tempos. (“beija meus ~lábios~”? rsrsrs).

68. TAEYEON – I GOT LOVE

“I Got Love” seria um ótimo exemplo para aquela tag “Amor à Segunda Ouvida” de anos atrás. Eu genuinamente detestei isso aqui à época do lançamento, me irritando bastante com a virada de chave mais “fechada” no refrão. Mas o tempo passou e toda a aura bond girl disso aqui foi me conquistando aos poucos, se tornando, à longo prazo, a minha favorita do primeiro LP da Taeyeon. Gosto de imaginar isso aqui como a trilha sonora de um filme onde a ex-soshi assassina seu marido, um grande traficante de pedras preciosas, para tomar controle de seu império internacional. Um “Uncut Gems” coreano cairia bem, não?

67. KODA KUMI – W FACE

Nossa, o álbum duplo que a Koda Kumi lançou no início de 2017 é uma merda inacreditável, ficando ainda pior conforme envelhece. É ofensivo para a discografia dela até. Em todos os momentos que tentei escutar ele, foi como se estivessem esfregando merda na minha cara, sendo que a tal merda havia ficado dois dias ao ar livre, apodrecendo. A única coisa inédita no mar de lixo que são aquelas tracklists que acaba se salvando é, justamente, a faixa que dá nome ao trabalho. Tá que os “yas bitch, yas bitch, yas bitch… slay!!” são trashes demais, mas eles acabam fazendo o contraponto aos sintetizadores mais sombrios e toda a interpretação vocal mais sensual da Koda. Na verdade, “W Face” acaba somando os dois lados explorados por ela nos álbuns, juntando uma “balada” com um dance urban rampeiro. Uma pena ter sido a exceção à regra, pois adoraria colocar mais coisas dela nessa lista.

66. SUPER JUNIOR – BLACK SUIT

Interessante constatar que os velhotes do SuJu já se aventuravam pelo “latin pop” desde antes do gênero se tornar febre entre os acts sul-coreanos. Tá que isso aqui vai prum lado bem mais intenso e “JLo no início da década passada” que os números de arranjo chupado de “Despacito” comuns atuais, mas é legal ver as múmias antecipando o que viria, ainda que de uma maneira mais abstrata. Um abstrato que eu prefiro, no caso. “Black Suit” traz uma intensidade que eu acho bem mais proveitosa e atemporal que os dois pra lá, dois pra cá do reggaeton que já não me apetecem mais hoje em dia. Passou-se o tempo e ser mais “genérica” lhe fez bem, funcionando como ainda outra boa farofa dentro do catálogo do grupo.

65. TOKYO GIRLS’ STYLE – WATER LILY

Nossa, eu ainda adoro essa aqui. Na verdade, por mais ridículo que tenha sido aquilo de o Tokyo Girls’ Style declarar estar saindo da vida idol para se tornar um grupo de “artistas”, a real é que, agora, elas estão conseguindo lançar umas músicas bem bacanas e ainda melhores do que o (bom) teen pop que elas traziam antes. “Water Lily” foi um dos melhores trecos a seguirem a linha tropical nos últimos tempos. Os sintetizadores enlouquecidos no refrão são embasbacantes e divertidos demais, o videoclipe mais maduro também funciona bastante, puxando prum lado mais Perfume esteticamente. Segundo melhor comeback delas em tal ano.

64. FEMM – SAMISHII NETTAIGYO

Opinião popular: eu detestei o LP de covers de sucessos japoneses dos anos 80 e 90 que o FEMM soltou. A maioria das músicas são demasiadamente longas, repetitivas (de modo ruim) e sem qualquer replay factor, com só uma ou duas faixas na tracklist realmente se salvando. Opinião impopular: a versão delas para “Samishii Nettaigyo” é ainda melhor que a original. Eu sei no arranjo das WINK há toda uma “sujeira” rockish passional presente em produções de tal período onde a bolha econômica japa estava explodindo e tudo mais, mas a atualização para algo numa vibe mais Giorgio Moroder/Daft Punk lhe concedeu uma luz própria quando comparada à original que eu curti bem mais. Ambas são maravilhosas, mas, é, curto mais a do FEMM. Foi mal, jotapopeiros velhos que se ofenderão com isso… :v

63. DREAM AMI – XOXO

Ainda outro caso de act japonês cujo LP não foi lá essas coisas, mas o lead single conseguiu salvar vidas. O álbum da Dream Ami após implodir com o Dream é bem… confuso. Tentaram colocar nele uma porção de sonoridades que não conversam entre si e, honestamente, não funcionam muito com o tipo de voz dela. O resultado é estranho demais e pouco curtível. Eu até tinha começado a escrever um review na época do lançamento, mas acabei ficando puto no meio e deixando de lado. De qualquer forma, das poucas inéditas aproveitáveis nele, “XOXO” é a mais legal, servindo Pop vibrante bonitinho com bastante qualidade. Tudo muito fofo, kawaii e aconchegante aos ouvidos. O timbre dela ainda é nasal demais, mas funciona bem nesse arranjo. Curti de verdade.

62. CLC – HOBGOBLIN

Eu tenho plena consciência de que “Hobgoblin” foi a Cube tentando recriar a magia de “Crazy”, do 4MINUTE, através do CLC antes de debutar o (G)I-DLE. E é exatamente isso, sem tirar nem por. A música é quase a mesma, com os mesmos elementos, a mesma estrutura, a mesma atitude sassy, agressiva, insolente, atrevida, espevitada. Na real, só faltou o MV em preto e branco e o carisma das integrantes originais para ficar perfeito. Até tentaram transformar uma das aleatórias na nova HyunA (ou não tiraram o vocal da HyunA da demo que o 4MINUTE deve ter gravado antes de implodir, sei lá), mas não colou. A questão é: Eu me importo com essas tecnicalidades? Bom, não. “Crazy” foi um puta jam em 2015 e “Hobgoblin” foi um puta jam em 2017. Ponto. Só estão tão baixo na lista em comparação com o ranking original (estava em #7, acho) por eu acabar ouvindo mais seus lançamentos posteriores, ainda melhores.

61. CHE’NELLE – HEARTBURN

Tá, essa gostosona aqui que aparecerá mais algumas vezes daqui em diante vocês não devem conhecer, então vale uma pequena introdução: Che’Nelle é uma cantora da Malásia, com família na Austrália, e que fez carreira parte no Japão, parte para o público de língua inglesa (embora eu não saiba se ela tenha conseguido mesmo fazer sucesso nessa segunda fatia, mas tanto faz). Em 2017, ela soltou um ótimo LP no J-Pop, passeando de maneira competente por tantas sonoridades diferentes, trazendo também releituras de algumas das faixas dele num EP em inglês, com algumas das músicas ficando ainda melhor assim. A primeira das várias que pintarão aqui é “Heartburn”, que vai prum caminho mais funky gostosíssimo de ouvir. Os “toniiiiiiight… iiii dare yaaaa” são grudentos demais e o modo como vários e vários elementos sônicos vão surgindo na backtrack conforme os segundos passam é envolvente demais. Dá vontade de ouvir várias e várias vezes. É pra isso que serve uma música Pop, certo? Certo.

60. JINSOUL – SINGING IN THE RAIN

AAAaaarrrggghhh, como eu amo essa!!! “Singing In The Rain” deve ter sido o momento mais farofeiro do Loona até então (ignorem “So What”, estou falando de farofas boas). O que fica ainda melhor por ser interpretado pela mina mais gostosa do line up. Na moral, a JinSoul é muito linda, puta que pariu! Ela não é perfeitinha dentro dos padrões sul-coreanos, mas tem algo ali no formato do rosto e em toda a aura que a rodeia que a torna radiante demais. Assisti-la toda boss bitch sensualizando de verdade nesse vídeo é uma experiência ótima. Falei pra caralho, mas não falei direito da música. Bom, “SITR”, pra mim, é a melhor tentativa capopeira nessa linha future bass em todos os tempos. É o suficiente?

59. DEAN, SYD – LOVE

Essa aqui é polêmica, pois pode ser colocada como um lançamento ocidental em vez de coreano. De qualquer forma, eu não deixaria um dos maiores bops do Dean de fora dessa lista, ainda mais com a participação da impagável Syd, do The Internet. Que pagodão maravilhoso, não? Do instrumental inspirado no que os gringos acham que é popular aqui no Brasil (eu fico imaginando o choque quando alguém de fora vem aqui e descobre que quase ninguém mais escuta Bossa Nova) ao delivery vocal de ambos, com o timbre mais malemolente – e lindo pra caralho – da Syd servindo de contraponto pra interpretação mais R&B do Dean, do MV mais experimental aos “I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, I Know, aaaaaaaaahnn” grudentíssimos, tudo me agradou aqui. Um dos pontos altos desse ano e da carreira de ambos.

58. AOA – EXCUSE ME

Ai ai, essa tour do público cancelando o AOA e quase afundando a carreira delas por não reconhecerem figuras históricas. Lembram que elas foram do auge pro flop em seu primeiro álbum? Sul-coreanos são tão retardados, saudades. Btw, “Excuse Me” deve ser uma das melhores coisas já feitas pelo grupo em termos sonoros, dando mais um passo em direção ao amadurecimento apresentado em lançamentos anteriores. Há algo na continuidade da melodia que a torna viciante, mesmo que toda ela seja ligeiramente simples, tendo na bateria eletrônica seu fio condutor com mais alguns elementos que vão somando-se a ela, como sintetizadores, acordes de ukulele e um pianinho frenético. Acrescente ainda um refrão repetitivamente grudento, com os “excuse me, cuse me” propositalmente soando como “kiss me, kiss me” e pronto, temos um jam instantâneo. Fun fact: Sempre que escuto essa música, fico com vontade de comer panetone e jogar LEGO Marvel, pois era isso que eu estava fazendo durante a semana do lançamento, no ano novo.

57. IU – LAST NIGHT STORY

Esse segundo mini da IU rearranjando bobagens antigas do musiqueiro coreano é recheado de pérolas bem inusitadas e que vão crescendo nos ouvidos conforme o tempo passa, já que nada nele traz de fato as marcas e modismos da época que foi lançado. A melhor é “Last Night Story”, servindo um pacotão retrô surf music 60s gostosinho demais. Gostosinho e esquisito quando rola o apoio visual acima, dela dançando e se comportando como se estivesse num programa de TV antigo. A IU acerta demais quando se esforça, isso é inegável. E o bom disso é que, quase sempre, ela se esforça bastante.

56. LEE HYORI – BLACK

“Black” é uma das melhores coisas dentro do álbum da Lee Hyori. Adoro maneira grandiosa como o instrumental é montado, crescendo aos poucos até que exploda num refrão absurdamente carregado. De certa maneira, me lembra o que é feito pelo Fleetwood Mac em The Chain – obviamente, de uma maneira mais contemporânea, com inserções eletrônicas e os maneirismos da nossa época. É uma faixa título grande e poderosa, que representa bem o que está sendo buscado em tal lançamento. Não que isso seja relevante de verdade, mas só não sei se soa tanto como K-Pop. Tá mais para um follow up soturno que a Elle King usaria após Ex’s and Oh’s ou a Lady Gaga após John Wayne. O lance é que fica ainda melhor quando executado pela Lee Hyori, ainda mais com um MV Mad-Max-pós-apocalíptico como esse acima.

É isso aí por hoje. Logo logo tem mais.

Spoilers da próxima parte: 1 MandoPop, 7 do J-Pop (incluindo o adeus de uma velha) e 7 do K-Pop (várias delas vocês não devem ligar muito hoje, mas a de girlgroup que aparece em #41 deve surpreender por não pegar, ao menos, um top #20).

12 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2017 [70-56]

  1. chocado que last night story é de 2017… parece que ela lançou ano passado. o tempo ta passando rápido demais, não gostei. por favor, tempo, pare de passar tão depressa!!!!

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  2. Não sei se vc sabe, mas Hobgobling quase nem sai do papel. Tudo em Hobgobling tem dedo da HyunA (E foi ela quem ajudou a treinar a rapper do grupo, por isso timbres são parecidos) que deu aquela ajuda a Sorn (Uma das CLC), pq foram as duas que mostraram o conceito a CUBE, que quase não libera o comeback pq queria forçar o aegyo nelas ainda

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  3. “Na moral, a JinSoul é muito linda, puta que pariu! Ela não é perfeitinha dentro dos padrões sul-coreanos, mas tem algo ali no formato do rosto e em toda a aura que a rodeia que a torna radiante demais”

    Concordo plenamente! E é interessante que apesar de ser um mulherão, a JinSoul na verdade é toda atrapalhada e bobona (o que é diferente de ser burra; ela deve ser um dos poucos idols que chegou a fazer faculdade), e em vez disso comprometer a imagem dela, só deixa ela ainda mais charmosa.

    Sobre o FEMM, você deu sua opinião impopular, então eu vou dar a minha: eu ADORO o cover delas pra Konya wa Boogie Back! Das músicas em japonês delas, é de longe a minha favorita (embora fique atrás de várias músicas da fase “ebonics” delas, como a eterna Fxxk Boys Get Money e a Wannabe que não é cover das Spice Girls).

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  4. E não lembro de como estava seu TOP no EL, mas se não tiver nada do WA to YO da deusa AI, devo dizer que todo o trabalho que vc teve fazendo isso estará invalidado…

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  5. Só a Coreia do Sul mesmo pra quase acabar com a carreira de alguém por não reconhecer uma figura histórica. Imagina se a gente aqui no Brasil fosse cancelar todo artista que não soubesse quem é marechal Deodoro da Fonseca hahaha

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