TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2017 [55-41]

Mais uma parte desse ranking, mais 15 bopzões de 2017 morrendo antes do trio final de posts. Aqui, finalmente chegamos à metade da lista, o que significa que a peneira começa a se fechar e alguns dos highlights do ano começam a dar às caras enfim.

Quem entra? Quem nem considerada foi? Façam suas apostas…

55. NAMIE AMURO – DO IT FOR LOVE

Em 2017, Namie Amuro pegou toda uma audiência de surpresa com o anúncio de sua aposentadoria da vida idol, que ocorreria dali um ano (aviso prévio versão diva do J-Pop). Sua era final seria bastante proveitosa para os fãs, rendendo um best album TRIPLO com alguns de seus maiores sucessos em décadas regravados, uma porção de singles promocionais, videoclipes e uma turnê de despedida pelo Japão. Tudo isso deu muito certo, com o “Finally” (huahuahua ainda gargalho com esse nome) sendo o trabalho mais vendido do Japão não só em 2017, como em 2018, e a cantora se consagrando como o grande nome de sua geração, saindo por cima, etc. De todo esse run, a faixa inédita que mais me agradou foi “Do It For Love”, servindo um EDM catártico para as pistas de dança, ditando o tom de enceramento cintilante que sua fanbase poderia se apropriar dali em diante. Quase ninguém no asian pop soltou um “ponto final” tão agridoce assim (quer dizer, tem o SNSD, mas falo mais disso no próximo post).

54. FEMM, LIZ – DO IT AGAIN

“Do It Again” é um daqueles casos onde eu só comecei a curtir mesmo a música bem depois dela ter sido lançada. Eu lembro até de ter reclamado dela algumas vezes quando citei o FEMM no falecido blog azul em tal ano. No entanto, o tempo passou e ela acabou se tornando um dos meus troços favoritos delas. Toda ela é um grande mix de tristeza com alegria que poucos acts conseguem proporcionar. As inspirações oitentistas (quem bem que poderia ter sido utilizadas no já citado álbum horrível de covers delas) são maravilhosas, o refrão é maravilhoso, a participação da Liz (seja lá quem for) é maravilhosa, o videoclipe com o falso 3D é estupendo. Como eu pude demorar tanto pra me deixar levar à época? Mistérios pedantes que jamais serão resolvidos…

53. UTADA HIKARU – OOZORA DE DAKISHIMETE

Opinião impopular entre os fãs de Utada: “Oozora de Dakishimete” foi a melhor música da Utada em 2017. Sim, melhor que “Forevermore”, melhor que “Anata” e lado a lado com o que de mais forte rolou durante as promoções do “Fantôme”. A grande graça aqui são as pequenas diferenciações que o instrumental vai adquirindo conforme as estrofes são cantadas. Alguns elementos entram, outros saem e o resultado final, somado à interpretação vocal enlouquecedora da Utada, é rico demais. Os versos finais são de arrancar a alma do corpo. Só é uma tristeza que tal gema foi utilizada só para um comercial qualquer de marca de água mineral, ou algo assim. Queria um clipe caprichado, escorrendo orçamento. Certamente, ajudaria a fixar mais ela na memória e, consequentemente, a colocaria várias posições acima.

52. DAOKO, YONEZU KENSHI – UCHIAGE HANABI

MELHOR BALADA

Eu ainda rio muito dessa peça do destino de o grande mega sucesso da Daoko ter sido uma OST fofinha de filme animado. Muita gente meio que rolou os olhos com “Uchiage Hanabi” quando a escutou pela primeira vez, eu incluso. Quer dizer, a sonoridade não tem absolutamente nada a ver com o que a Daoko tem como sua assinatura, o que deixa tudo ainda mais irônico, já que nada do que ela lançou antes ou depois conseguiu arranhar o alcança disso aqui no mainstream japonês. Mas a real é que, nessa fórmula de “baladinhas bonitinhas usadas como tema de animes em longa-metragem”, “Uchiage Hanabi” se sai muito bem e entrega tudo o que é esperado de um número do tipo. Não foi a melhor coisa da Daoko esse ano, mas me agradou mesmo assim. E surpreendentemente dura em minhas playlists até hoje.

51. BUTTERFLY – CHOCOLATE

Eu não tenho a mais remota ideia de quem é essa boazuda aí autointitulada “Butterfly”, já que nunca mais fui procurar dela nos serviços de streaming da vida (eu sou preguiçoso nesse nível). Mas “Chocolate”, que deve ter tocado por acidente em alguma sugestão automática no YouTube em 2017, se mantém em minha vida como um grande farofão 2000s banger para ralar a rabeta no chão. É datada, é meio ridícula, mas a vontade de executar movimentos pélvicos se sentido uma cachorrona do funk quando seu refrão chega é imensurável. Pra melhorar, ainda tem o videoclipe safadíssimo, com ela plastificadíssima servindo yolo em diferentes cenários doces e figurinos fashionistas. Rainha.

50. WEDNESDAY CAMPANELLA – ONYANKOPON

Vocês sabem house dos anos 90 é o grande ponto fraco desse tiozinho aqui, né? Então é claro que, agora que a segunda metade da lista começou, as melhores faixas nessa temática começariam a aparecer. O LP que o Wednesday Campanella soltou em 2017, “Superman”, foi legal demais. E a maioria das músicas veio nessa pegada noventista, com “Onyankopon” sendo o grande destaque em tal fatia. Tudo nela soa voguing, soa como tema de lip synch para drags ferverem na noite. E, olha, funciona legal nessa linha e fora dela, pois o pancadão do refrão é o mais fino da farofa oriental, viu. Não chegou a ser o melhor de KOM_I e a Rapaziada nesse ano, mas foi a que mais se destacou entre suas album tracks.

49. KARD – DON’T RECALL

KARD Isso aqui foi bem grande quando saiu. Quase ninguém tinha levado fé do quarteto quando a DSP soltou aquele “Oh Na Na” no finalzinho de 2016, com as linhas muito mal distribuídas, fazendo com que o projeto mais soasse como um grande feature de solistas em vez de um grupo co-ed propriamente dito. Aí “Don’t Recall” veio ao mundo, com os caras cantando também, as meninas rimando também, um instrumental dancehall elegantão grudento para um caralho, um MV lindíssimo e, uou, o KARD virou uma das merdas mais quentes que a Coreia poderia exportar para outros países. O barulho internacional foi ótimo, rolam turnês em outros países até então e “Don’t Recall”, ao menos comigo, se tornou a grande canção assinatura do grupo. E quando os sintetizadores começam a viajar distorcidos após o refrão? Puro ouro requebrativo.

48. HEIZE – DON’T KNOW YOU

Ainda outro hino. “Don’t Know You” não é o tipo de faixa que entrega ápices espetaculosos, não é para isso que ela foi feita. Há toda uma construção mais soulful, focando mais no gingado do instrumental em vez de montar uma crescente muito aparente. A ideia é brincar com os elementos nesse pouco espaço de variação, misturando os sintetizadores eletrônicos, instrumentos de verdade e o vocal delicioso da Heize, que funciona tanto de maneira cantada quanto nos momentos de rap. A interpretação passional dela é boa demais. E para esse ideal, a música rola muito bem. Pra mim, que adoro esse estilo, mais ainda. Que bom que o K-Pop tem espaço para farofas, baladas, números mais alternativos e tudo mais que os artistas e idols se permitirem fazer.

47. LUCY, KISUM – B-DAY

“B-Day” é uma música de drag tão boa. E por “música de drag“, me refiro àquele house noventista glamuroso, safado, arrogante, maldoso, sonoramente imundo, mas ideal para bater cabelo a noite inteira. É meio Sissy That Walk, meio The Realness, meio Secret, meio Swish Swish, meio Giant In My Heart. Se fosse no Japão, seria gravada pelo Wednesday Campanella mais acima. Se fosse nos EUA, pela Azealia Banks. Tudo nela funciona, até o break instrumental para a Kisum mandar umas rimas aleatórias no mesmo tempo pré-estabelecido. O refrão é MUITO grudento, com os “to me… happy birthday to me, to you, everybody” invadindo a cabeça de maneira a serem reproduzidos involuntariamente. Todo o delivery vocal dela está interessante, sem gritos, sem floreamentos desnecessários. Vão dar view para “B-Day”, gente, é bizarro que o clipe mal tenha passado de 100 mil acessos.

46. CHE’NELLE – MIRACLE

Ainda outra gema da Che’Nelle em 2017, “Miracle” também vai na linha funk mostrada na parte anterior, mas com um instrumental ainda mais trabalhado, mais intenso e inventivo de escutar. Rola uma coisa de “uia, será que vai estourar? é agora que chega o ápice? ai meus dels, agora vai?” em toda ela que é absurdo, como numa montanha-russa. O mais legal: ao fim, você descobre que ela não precisa explodir em momento nenhum, pois ela própria já é um estouro. Atenção especial para a letra cheia de jogadas sacanas envolvendo religiosidade e safadeza, que fica ainda melhor nessa versão em inglês. Que ícone essa mulher, não?

45. JINSOUL, KIM LIP – LOVE LETTER

Essa aqui é mágica! Sou apaixonado por o quão adorável “Love Letter” consegue ser em sua totalidade. O instrumental R&B eletrônico purpurinado do MonoTree, o encontro de vocais da Kim Lip (mais meloso, nasal) com JinSoul (mais seco, deixando o ar escapar), a letra legitimamente bonitinha e adolescente. É um pacote completo. E chega no final com as as duas gritando com se não existisse amanhã… Céus! Uma pena o investimento em videoclipes para os feats de singles ter morrido logo no terceiro lançamento, pois adoraria ver a interação da dupla em tela. Dessa fase bem prolífica do Loona, não sei se alguma b-side conseguiu ser melhor não.

44. BOA – CAMO

Um monte de gente vai coçar a cabeça em questionamento por “Camo” estar sendo cortada já assim antes mesmo das 40 mais – e com razão. É que, na real, ainda que isso aqui seja maravilhoso e BoA ao extremo, esse single espaçado acabou sendo ligeiramente ofuscado pelo que de melhor saiu do “One Shot, Two Shot” no ano seguinte. Mas só um pouquinho mesmo, ou nem apareceria aqui. Culpa da própria BoA por conseguir se superar com tanto êxito? Ahein. Adoro a escolha instrumental mais tensa, meio mecânica até, o modo como os versos caminham pro pré-refrão mais etéreo e como o refrão propriamente dito é extremamente suíngado. É simples, mas eficaz. Não há malabarismos, não há a intenção de ser vanguardista ou andar com as modinhas. É a BoA fazendo o “Michael & Janet” que de melhor ela sempre fez.

43. FAKY – CHASE ME

A primeira das muitas aparições do Faky nesse ranking ser tão no alto resume legal o quão bem elas mandaram em 2017. Foi nesse ano que elas passaram, em minha cabeça, de um grupo flop qualquer que as vezes lança uns troços legais para um dos melhores nomes da atualidade, com minhas expectativas crescendo mais e mais a cada retorno. “Chase Me” entrou na trilha de algum “Gundam” que eu não assisti(rei), mas sua construção sonora vai longe do que é esperável para uma OST de shounen. Ela bebe bastante do garage house noventista old school, com um monte de gritos rolando atrás e várias mudanças de chave ocorrendo ao longo da música. Que farofa ótima.

42. UHM JUNG HWA, LEE HYORI – DELUSION

Mais um hino que se tornou atemporal já em minhas playlists. Esse ranking já está começado a caminhar por um caminho perigoso. “Delusion”, dueto apocalíptico da Uhm Jung Hwa do a Lee Hyori, é ainda outro ápice do “The Cloud Dream of the Nine”. Elas mergulham num rio de sujeira eletrônica, com um instrumental pesadíssimo, agressivo, gutural, imundo, intimidador, que torna-se automaticamente palatável através dos vocais mais suaves de ambas. O pancadão do refrão é uma viagem de doce das boas. Se me lembro bem, com menos de uma semana do lançamento disso, o Dougie (ou, Dougie) já colocou em SEGUNDO LUGAR em seu ranking no blog falecido. Não tiro a razão não.

41. BRAVE GIRLS – ROLLIN’

MELHOR COREOGRAFIA

Mais outra que muitos de vocês ficarão surpresos por não aparecer posições acima. De novo, não tiro a razão, pois “Rollin'” é deliciosa demais. Um ano antes, o Brave Brothers decidiu tirar o Brave Girls do porão, colocando um monte de modelonas saradas no linue-up para ofuscar a ausência das que já tinham encerrado seus contratos com a gravadora. Foram vários os ótimos lançamentos, mas nada o suficiente para prender as gatinhas que ainda sobraram da formação original em 2017, com o grupo totalmente restaurado (e morrendo logo depois, mas isso não vem ao caso). Isso dito, tivemos LOLLIN, uma belezinha que é a cara das produções do Brave Brothers, recheada de “heys”, versos grudentos e uma pouca imaginação para arranjos certeira em se provar chiclete ao longo do tempo. A coreografia com as cadeiras é a cereja do bolo. 😉

E com isso, faltam só 40. Ou seja, daqui em diante, eu começo a levar o top a sério e entram só as maiores entre as maiores, com cada música lutando nos dentes por uma posição mais alta, sem tempo para amadoras.

Spoilers: o melhor MandoPop de 2017, quatro faixas japonesas (de três grupos e uma solista) e dez coreanas (quatro de solistas e o resto todo de girlgroups). Um sorvete para quem acertar.

“O mais legal: ao fim, você descobre que ela não precisa explodir em momento nenhum, pois ela própria já é um estouro…” HUAHAUHUAHUAHUA

14 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2017 [55-41]

  1. A cada parte do TOP que você lança me deixa ainda mais na expectativa para ver o desempenho dos singles do Red Velvet… Será que os três vão ficar entre as quarenta melhores? Ou algum vai ser esquecido?

    Sem contar com as b-sides MARAVILHOSAS do Perfect Velvet e do Red Summer… Não me decepcione Lunei.

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    1. Então

      Eu ESQUECI de colocar o “Red Flavor” (não está nem nas anotações que fiz antes de peneirar). Deveria ter entrado partes atrás, mas me fugiu totalmente da cabeça e agora eu não consigo colocar assim tão no alto e apagar qualquer outra que eu gosto mais, então tem só mais duas delas a vir nas próximas partes. =P

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      1. E para piorar, também por sei lá qual motivo, enquanto ia compilando as selecionadas, eu ficava com “nossa, tem tanto Red Velvet, posso tirar mais uma para incluir essa aqui de outro act”, então trecos como “Kingdom Come”, “Zoo”, “Attaboy” e “Body Talk” foram mortas no meio do caminho sem que eu percebesse que estava realizando uma chacina com um dos anos mais fortes do Red Velvet até então. :V

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  2. eu juro que não entendo esse tesão descomunal que todo mundo tem por faky, mas essa chase me aí é legalzinha.

    agora rollin’ foi A minha música por todo o 2017 e até hoje (sim sou uma bichinha extremamente básica), é o melhor exemplo do ~tropical house~ que a coreia proporcionou pra mim

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  3. Eu AMO que a maioria do povo (com exceção desses otakinhos sebosos) só lembram de Uchiage Hanabi pela DAOKO e sempre esquecem que esse Overratenshi Yonezu tá lá. Eu particularmente nunca entendi o praise exarcebado que o Japão e a maior parte dos j-popeiros têm por ele (e olha que ele já cantou uma ending de um dos meus animes favoritos)

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  4. É oficial, vc ta cortando uma musica do meu top dez de 2017 a cada post. Eu acho Namie amuro sem sal, mas curto as musicas dela, até que enfim alguem que concorde comigo que forevermore não é aquelas coisas.

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