TOP 70 | As melhores músicas do asian pop em 2010 [55-41]

E lá vamos nós para mais uma rodada de icônicos bops lançado 10 anos atrás. Nessa parte, nos aventuramos com cinco trecos coreanos e DEZ bagulhos japoneses. Uma queridinha de vocês naquele post teaser que soltei pedindo sugestões tempos atrás rodará, comigo temendo pela minha vida e tal momento.

Sem enrolações, vamos nessa…

55. SCANDAL – SHUNKAN SENTIMENTAL

Acho interessante como, no início da década passada, os limiares entre os fãs de asian pop feito por acts de nacionalidades diferentes não eram tão nítidos. Eu lembro que o Scandal ocupava uma posição bem alta entre aqueles que também curtiam K-Pop, mesmo fazendo um tipo de som bem diferente ao comum de tal gênero (K-Pop era electropop e só, enquanto isso aqui é bem rockish). Talvez por também ser feito por um punhado de gatinhas usando roupas colegiais? Os nichos hoje são bem separados e a galerinha mais nova que deita para Loona ou BLACKPINK certamente passaria longe de “Shunkan Sentimental” caso ela aparecesse como indicada no YouTube, mas aí só posso sentir pena mesmo, pois estarão se privando de um número “girls can rock” gostosinho demais e que até hoje não envelheceu. O riff de guitarra aqui é memorável demais. Os produtores de “Fullmetal Alchemist: Brotherhood” tinham um dedo ótimo para a escolha de OSTs, viu.

54. AYUMI HAMASAKI – SEXY LITTLE THINGS

A ironia de a melhor faixa do “Rock’n’Roll Circus” ser, justamente, a menos “Rock’n’Roll” nele. Em “Sexy Little Things”, a Ayu usa uma porção de sintetizadores eletrônicos, que estariam em casa como trilha de fundo de algum jogo de Game Boy Color, para nos proporcionar um show de estranheza que acts hipsters atuais (Grimmes, Poppy, esses troços aí) adorariam colocar a mão. Tudo muito esquisito e proporcionalmente divertido de ouvir. O videoclipe vai nessa mesma onda weird, provavelmente inspirado em “Bad Romance”, da Lady Gaga, com ela presa numa “casa de bonecas” satânica onde os problemas vão se desdobrando em efeitos práticos legais de assistir. Poderia ter sido feito pelo Yasutaka Nakata, tipo essa outra aqui…

53. CAPSULE – THE MUSIC

Os álbuns do Capsule (dupla do produtor do Perfume e da Kyary Pamyu Pamyu com uma cantora que ele resolveu abandonar por sabe-se lá qual motivo) são meio difíceis de serem indicados num geral, pois em sua maioria eles são pensados para uma audição completa, com as músicas se emendando numa “história” e trecos conceituais desse tipo. Mas, ó, todos eles trazem, ao menos, três ou quatro faixas que também funcionam individualmente, caso dessa primeira deles que aparecerá aqui. “The Music” é um pancadão com quase oito minutos de duração, mas que vale cada segundo de sua audição. Numa proposta parecida com “Edge [Triangle Mix]” e “Party Maker”, do Perfume, ele vai se emendando e modificando a cada nova seção, numa evolução divertidíssima de acompanhar. Um encontro ideal entre o tipo de sonoridade que agrada fãs de bagulhos eletrônicos mais pesados e popzões de divas internacionais.

52. 4MINUTE – FIRST

Eu acho meio curioso a Cube não ter tido muito esforço com o CLC e, depois disso, com o (G)I-DLE para que as irmãs mais novas do 4MINUTE acontecessem no Japão desde seu início de carreira, pois o investimento com HyunA e as outras foi tão alto, rendendo uma porção de singles inéditos pro público da ilha vizinha. As canções dessa época até hoje têm lugar no coração da fanbase, tão caprichadas que eram (o empenho em MVs era o mesmo que nos releases coreanos). Essa “First” aqui é uma das minhas favoritas, com elas cantando sobre o cara poder ser o “primeiro” de suas vidas numa farofinha ligada no 220v, carregada nos maneirismos dessa era de ouro. Um ótimo throwback do que representou a onda hallyu no Japão.

51. ANNA TSUCHIYA – SHOUT IN THE RAIN

Hora de mais uma introdução, já que essa j-veia aqui aparecerá mais outras vezes e ocupando posições bem altas nessa lista. Em 2010, a Anna Tsuchiya (que ficou famosa entre os otakus nos anos 2000 por interpretar as OSTs do anime “Nana”) lançou seu terceiro (e último) álbum de estúdio, o “Rule”. Pra mim, é não só o melhor de sua maravilhosa discografia, como um dos maiores da década passada. Inclusive, foi escrevendo uma resenha dele que consegui vaga no primeiro site que colaborei, lá em 2012, então já tirem daí o quanto de significado ele tem pra mim ainda hoje. Uma das minhas favoritas da tracklist é o baladão “Shout in the Rain”, que flerta bastante com o metal sinfônico, mas sem se deixar escapar muito do que pode ser considerado J-Pop. “Shout in the Rain” é intensa, agressiva, ultraemotiva, dramática, depressiva e reúne bem o que era it entre os que consumiam música nipônica no começo da década passada. Tudo isso com ela servindo uma porção de figurinos rockeirinhos sensuais enquanto rebola no chuva no meio do mato. Arte.

50. AI, KATO MILLIYAH – STRONGER

Mais j-véias. A AI soltou uma porção de parcerias nessa época, que seriam reunidas em seu oitavo LP, que contou com nomes como Boys II Men, Snoop Dogg, Chaka Khan (wtf) e até uma outra diva do J-Pop, mas dessa aí eu falo lá beirando o top 10. Eu até hoje curto muito quase tudo o que está no “THE LAST A.I.”, mas o feature com a Kato Milliyah tem um apelo naquilo de “R&B eletrônico 2000s” que me agrada demais. A voz da Milliyah, por incrível que pareça, não faz feio quando colocada diante do timbre “gospel” imbatível da AI, o visual futurista das duas está ótimo no clipe, que é basicamente elas interagindo com cgi num quarto branco. É uma das que mais ouço de ambas.

49. FLOW – SIGN

Eu sei, otacos, eu sei que a grande música do Flow para a trilha sonora de “Naruto” é Go!!!, EU SEI, concordo com vocês, não precisam me crucificar. Mas “Sign” também tem seu valor, portando, inclusive, um “AMV value” ainda maior que o supracitado clássico da fase onde os personagens ainda eram pirralhos na Aldeia da Folha. Toda vez que “Sign” começa a tocar, imediatamente imagino alguma montagem com qualquer integrante da Akatsuki levando porrada de um dos protagonistas com determinado poder recém-adquirido ou algo do tipo. Se tornou um hino atemporal, ainda que não seja tão reproduzida assim entre os fãs da franquia.

48. SAKANACTION – IDENTITY

Essa aqui também é tão maravilhosa. A galerinha a-list do Pop/Rock nipônico estava com a criatividade lá no alto nessa época, entregando toda variedade de faixas grudentas desse estilo quanto possível. Tem quase uma década que eu ouvi isso aqui pela primeira vez em alguma webrádio pirata da vida e, desde então, os “AIDENTITI-YAAAH-LARARARARAAAA” ainda não saíram da minha cabeça. “Identity” brinca com, ahein, a identidade sonora japonesa de uma maneira legal demais de acompanhar, jogando signos dela num arranjo cintilante que poderia ter sido feito por algum Two Door Cinema Club da vida, com o resultado sendo o puro fino do J-Pop chiclete.

47. BOA – GAME

A BoA tem uma porção de momentos bubblegum bitch em sua trajetória, mas esse aqui está lá em cima entre seus melhores investimentos poppy em todos os tempos. Eu ouço “Game” e imediatamente me sinto como os irmãos Wayans maquiados para parecerem branquelas ricas em Nova York para alguma missão infiltrada que até hoje não faz muito sentido, mas que se tornou um clássico no imaginário popular. Isso aqui é tão silly que eu jurava ser uma demo internacional descartada, sei lá, pela Ashley Tisdale, mas nem. A produção é todinha da BoA com o doidão do Hitchhiker. Dona do K-Pop mesmo. Melhor album track do “Hurricane Venus”.

46. T-ARA – YOU DRIVE ME CRAZY

Falando em bops que poderiam ter sido soltos por loironas estadunidenses caprichadas do jet bronze, “You Drive Me Crazy” também se enquadra nesse grupinho aí. Os produtores devem ter ouvido as faixas do “Circus” (Hinonizer e If U Seek Anthem parecem ser as inspirações mais claras) e pensado, “Hmm, e se emulássemos a Britney no T-ara, como será que ficaria?” *BOOOOMM* nasceu essa maravilha. “You Drive Crazy” (ou “I Go Crazy Because of You”, já disse que a escolha das romanizações do repertório do grupo nessa época iam da escolha do freguês) é uma loucurinha atômica, onde o batidão eletrônico acaba se tornando mais importante até que o vocal (robotizado) das integrantes, que cantam uns trecos sem muito sentido enquanto nos divertem com as melodias esquizofrênicas. O MV com elas imaginando que estão fervendo na boate enquanto rola uma aula chata é tocante. Melhor contribuição do T-ara em 2010 (que foi o ano mais fraco do grupo, mas o mais fraco do T-ara ainda é melhor que o mais forte de outras aí).

45. 2NE1 – CLAP YOUR HANDS

MELHOR COREOGRAFIA

Mais farofa meio ridícula e com vocal robotizado, mas agora vinda de outro rookie moster. Um de vocês comentou na parte anterior que o repertório de início de história do 2NE1 envelheceu bem mal e que, hoje, vale bem mais pelo fator nostalgia que pela qualidade das músicas num todo. E, ó, É VERDADE! O 2NE1 com o rosto da Bom em nível 2 de transformação é super datado mesmo, mas o K-Pop dessa época num todo acaba funcionando mais pelo throwback mesmo, então me divirto de qualquer maneira. E “Clap Your Hands” é uma das que mais proporciona entretenimento nesse estágio, com um refrão grudento onde elas fazem o passinho das palmas, CL e Minzy mostrando que são as minas mais fodonas no rap key change e Dara-voz-de-anjo entoando que quer rock your body e quer make some noise na bridge por 19 segundos inteiros. Já é mais que o BLACKPINK em sua totalidade de existência.

44. GAIN – GAIN

Eu amo a pachorra de a Gain soltar uma música que leva o seu próprio nome, numa viagem de ego encantadora guiada pela ideia de instrumental “tango” que rege todo seu primeiro álbum. A coisa toda fica num meandro entre o refinado, proporcionado pelos ícones argentinos utilizados, e o radiofônico, reforçado pelos “let me tell you, it’s my story” repetidos sempre que surge algum espaço na backtrack. Vai se tornar repetitivo, mas não tem como fugir muito de dizer que a Gain conseguiu aqui fazer algo que, ao mesmo tempo, é alternativo, inventivo e rompedor de limites, e sonoramente acessível para ouvidos menos “preparados”. Não é a toa que perdurou por anos como um dos grandes nomes solos da Coreia. Só estranho que a outra Brown Eyed Girl solista de 2010 não tenha conseguido o mesmo a longo prazo…

43. NARSHA – FANTASTIC

Já que ela também mandou bem no que se propôs. Lembram que eu disse que o álbum da Narsha não tinha uma ideia específica, mas acertava em cheio em suas várias viagens? Ouçam a “Radio Star” da parte anterior e, agora, essa “Fantastic”. São extremamente diferentes, mas igualmente devastadoras!! “Fantastic” mostra uma Narsha mais sensual, brincando com funk, disco e electropop num número suspirado que estariam em casa no LP mais recente da Uhm Jung Hwa. Sou apaixonado por esse teclado distorcido que acompanha a música do início ao fim. Podia ter sido usada como single também numa divulgação double-a-side, as coisas ficariam ainda melhores com o apoio visual de um MV caprichado no carão e na coreografia. A vida é triste em certos momentos.

42. PERFUME – NEE 🐈

O Nakata tinha a incrível habilidade nessa época de bolar uns arranjos amalucados que conseguiam tanto soar fofinhos, quanto ousados aos ouvidos. Isso é muito evidente em “Nee”, com elas repetindo o título da música e cantando os versos da maneira mais kawaii possível, mas tudo sendo levado para outro nível conforme o instrumental atrás vai ganhando mais e mais camadas eletrônicas, viajando de vez no ácido quando o refrão termina e a Terra parece invadida por uma porção de robôs alienígenas. Pontos extras para o videoclipe com elas desfilando com figurinos brechó chique de inverno pra lá e pra cá, sendo multiplicadas por algum efeito de edição que me dá até preguiça de imaginar o trabalho que deve ter sido filmar.

41. F(X) – NU ABO

Imagino que serei xingado por assassinar “Nu Abo” antes mesmo do top 40, já que vários de vocês fizeram questão de me lembrar que esse bop saiu em 2010. O que rola é que, dentro do impecável repertório do F(x) (deus o tenha, fazem uma falta…), esse acaba sendo um dos singles que menos escuto. É mais um defeito meu que do grupo mesmo, já que tudo o que caracterizava o F(x) como o grande nome alternê da SM está lá. “Nu Abo” é creepy ao extremo, com o jam urban sendo “interferido” por umas vozes de robô que surgiam na letra do nada e uma gritaria endiabrada abafada atrás que vem de sei lá onde. “Errado” e “industrial”, como o quinteto provava ser. De qualquer maneira, a minha favorita delas em 2010 foi outra aí, então abaixem essa tochas que tem coisa ainda melhor por vir.

E aí, concordam? Discordam?

Para a próxima, enfim chegamos ao top 40 da lista. Geralmente, digo que é deste ponto que as coisas começam a esquentar de verdade, comigo elencando cada uma considerando a competição ao redor, mas como esse ranking é menor, comecem a considerar isso só das 25 mais pra cima. Essa três primeiras partes, na real, são bem equivalentes em nível de excelência e nostalgia. Chutem aí o que virá mais pra frente. Vão errar, aposto.

13 comentários em “TOP 70 | As melhores músicas do asian pop em 2010 [55-41]

  1. You Drive me Crazy inferior a What’s Wrong

    Dangerous melhor b-side desse álbum da BoA

    Chutando em coisa óbvia, tem Mamma Mia, Copy & Paste, Run Devil Run, Bonamana, Lucifer, Genie, Bad Girl, Good Girl

    E… Vai falar sobre o Sawayama?

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    1. Genie é de 2009. Mamma Mia que eu conheço é a do KARA, de 2014, existe outra? lol

      E sim, vou falar sobre o álbum da Rina ainda essa semana. Só não sei se faço um review completo ou um post menor, vou ver como fico de tempo. =P

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  2. Considerando que tua preferida do f(x) em 2010 n deva ser Ice Cream (q eu amo mas amo até me+u de tão cadelinha do grupo) imagino o bop farofa Mr Boogie aparecendo, amei. Porém triste com o T-ara aparecendo pouco.

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