TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2016 [85-71]

Seguindo com o listão rankeando quais foram os maiores bops de quatro anos atrás, é hora de descobrirmos quais pancadões serão desovados já na segunda parte junto com o Mamamoo. Mantendo a desproporção entre acts japoneses e sul-coreanos de 2016, 11 das 15 abaixo são representantes do J-Pop.

Pensem pelo lado positivo: será bem difícil alguma fave de vocês morrer aqui, já que nem aparecer aparecerá… :V

85. DAOKO – GAME

2016 foi um ano maravilhoso para a Daoko. Sanduichado entre burburinho gerado na cena alternativa com o devastador hino “ShibuyaK” em 2015 e a explosão nacional com “Uchiage Hanabi” em 2017, foi aqui que ela mostrou que tinha muito pra explorar dentro de sua sonoridade pop eletrônica cativante, servindo um triple-a-side sensacional que aparecerá todinho aqui. Ironicamente, a primeira faixa dele a morrer, provavelmente, é a favorita dos fãs nesse mini, hehe. “Game” é uma gracinha. É como se o Max Martin se juntasse com o Yasutaka Nakata para bolar um número bubblegum radiofônico, sendo exatamente o que resultaria entre um feature entre uma Katy Perry da vida com alguma Kyary Pamyu Pamyu. O refrão é pura magia fofinha que fica na cabeça, com os signos gamers na back track estabelecendo a cama estranha japonesa ideal que os releases da Daoko costumam perfurar. E ainda rola um clipe cheio de referências a joguinhos de plataforma. Como não amar?

84. KODA KUMI – SHHH!

Aleatoriedades da vida: em 2016, a Koda Kumi estava, huh, “sumida”. Digo, não lançando tanto material inédito quanto lhe é comum. O único troço relevante que tivemos dela foi “Shhh!”, um single exclusivo de merchandising para quem fosse em sua turnê. Inclusive, lembro que ficamos um tempão sem a delícia disponível em plataforma nenhuma, com a vida não sendo fácil pros kodafans à época. Isso em mesa, quem diria que, hoje em dia, sua imagem estaria tão desgastada após tantos álbuns inúteis e horrorosos (foram 5 de lá pra cá, oh céus) soltos sem qualquer cuidado ou pretensão de extrapolar os limites do que é Koda Kumi como uma marca sonora? Nhé. Enfim, legalzinho esse bop retrô, não?

83. GLIM SPANKY – GIVE ME RAGE

Quem já acompanha o blog (esse e o falecido) há algum tempo sabe a quedinha que eu tenho por números como “Give Me Rage”, já que me remetem à épocas otacas mais simples, onde boa parte dos trecos que eu ouvia primordialmente eram mais ou menos nessa linha. Então, ao darem play no vídeo abaixo, já tenham em mente o tipo de instrumental e interpretação rockish, mas redondamente Pop, comum à aberturas de shounens que irão encontrar. A voz de fumante dessa vocalista é maravilhosa, por sinal. Btw, a faixa foi usada como OST de algum filme de “One Piece” que eu nunca verei.

82. MORNING MUSUME – CONFRONT WITH BARE NAKEDNESS

ESSA MERDA MA-RA-VI-LHO-SA! Lembro de já ter ficado empolgado com isso quando os fãs soltaram a versão para as rádios no YouTube, pois carregava tudo o que de melhor o Morning Musume era capaz de nos proporcionar sonoramente: um EDM com o tempo altíssimo, carregado de sintetizadores que parecem tirados de algum jogo do Atari, uma letra absurdamente dramática e uma interpretação vocal tão teatral quanto. Entretanto, as coisas adquiriram um novo gás e se elevaram prum nível entorpecedor quando a escutei inteira com o acompanhamento visual do videoclipe. É claro que não é nada muito elaborado, afinal, estamos falando do Hello! Project, mas isso do caleidoscópio e das pinturas com neon é eficaz para o instrumental proposto. Pra mim, a melhor faixa delas desde “An Adolescent Boy Is Crying” – e também a segunda melhor do H!P em 2016 (falo da melhor ainda nessa parte, yay).

81. BLACKPINK – WHISTLE

Mais BLACKPINK. Quem vê até se engana. Adoro “Whistle”. Ela vai por um outro caminho, totalmente diferente da “Boombayah” da parte anterior, sendo meio que uma b-side do debut. É muito bacana ver as quatro explorando uma sonoridade mais alternativa em sua construção, que não chega a explodir de verdade em momento nenhum, mas conquista, justamente, pela disposição de ideias e elementos esquisitos aos ouvidos. É a BAE BAE delas. E os ganchos chiclete ridículos que também são utilizados aqui (“make a whistle like a missil, bump bump, everytime a show ya, a blow up, huuh”, “rippparan, ripadanpadanpadan”) dão ao produto final o ar “K-Pop” necessário para durar por anos em minhas playlists. E durou mesmo. Até agora, o PRETOROSA não ficou melhor que isso não.

80. BED IN – VACANT HEART SYNDROME (V.H.S)

V.H.S ❤ Ouvir isso é ser instantaneamente transportado para um mar de purpurina shoujo noventista, com alguma adolescente colegial atrapalhada encontrando um bichinho de estimação falante e colorido que irá transformá-la numa heroína mágica enfrentando vilãs episódicas, apenas para, ao fim, aparecer um cara mascarado tomando os créditos por isso. As tias do Bed In pegam essas referências sonoras e as ampliam de uma maneira que poucos conseguem fazer com qualidade. Das faixas mais coloridas do “Rich” (que é um dos melhores LPs da década passada, e não estou sendo irônico), é a minha predileta. Uma pena não ter rolado um videoclipe, pois adoraria que tais signos fossem também ao âmbito visual.

79. NMB48 – AMAGAMI HIME

Eu tenho bastante implicância com os grupos idol 48. E não é só pela estética kawaii exagerada, beirando ao infantil, que insistem em aplicar neles, mas também por essa aura infantiloide acompanhar sonoramente praticamente tudo o que essas meninas lançam. Ironicamente, em 2016, isso começou a mudar, pelo menos um pouco. Não, não estou falando do AKB48, que continuou desovando várias bostas no mercado fonográfico, mas justamente de seus grupos “irmãos”, que resolveram amadurecer e se destacar da manada por isso. Mais pra frente, falarei das SNH48 na China. E no Japão, as NMB48 injetaram um pouco mais de Rock’n’Roll em seu som, soltando a excelente “Amagami Hime”. Uou, que troço legal. Todo o instrumental disso remete ao estilo que era muito utilizado antigamente em trilhas sonoras de animes, mesclando a sonoridade radiofônica ocidental dos anos 80 com instrumentos tradicionais nipônicos. Eu quase posso imaginar algum bootleg de Sailor Moon iniciando ao som disso, com a protagonista se transformando em magical girl através de uma caneta ou sei lá o que. O videoclipe com elas “doentes”, precisando se alimentar uma das outras, é um ótimo acompanhamento visual. É assim que se faz idol pop.

78. FEMM – POW!

Mais um top de melhores do ano, mais uma oportunidade de enfiar todas as músicas possíveis do FEMM em uma lista. Começando por “PoW!”, essa bobagem maravilhosa que mistura Twisty/Pop 50’s com o dance twerkeiro habitual do grupo. Adoro aqui a maneira como a faixa vai se construindo. Os versos vão crescendo, dando vontade de requebrar o popozão e, quando o refrão surge, tudo explode num Pop totalmente diferente. Por incrível que pareça, é algo bem teen vindo delas, quase como se fosse um single de disney girl um tico antes de começar sua transição para o sexy concept. O clipe também é maravilhoso, com aquilo de a história parecer ser contada de dentro de um gibi, sendo um dos melhores do duo até então, ainda que pareça feito com o orçamento de uma ida ao armarinho para comprar cartolina, cola quente e meio dúzia de coxinhas com guaravita pros bailarinos. PAU!

77. AIMER – INSANE DREAM

É bem nítido que há na discografia da Aimer uma referência no Pop/Rock que estourou internacionalmente no início dos anos 2000, com Linkin Park, Evanescence e acompanhantes. Pop/Rock esse que, por si só, é derivado do que outros grupos já faziam nos anos 90. E essa sonoridade pode ser comprovada na faixa “Insane Dream”, que estaria em casa na trilha sonora de Jovens Bruxas ou da série Buffy – A Caça Vampiros, tamanha é a lembrança trazida pelo arranjo e mesmo pela melodia bastante pesada, mas ainda soando Pop. Foi produzida pelo vocalista do One Ok Rock, que aparece como backing vocal em alguns trechos. Um hininho pra ouvir e se sentir gótico suave, hein.

76. AWESOME CITY CLUB – KONNYADAKE MACHIGAIJANAIKONI SHITEAGERU

Essa daqui também é tão boa, tão divertida de ouvir. É como se toda aquela magia de luzes noturnas em anúncios de Tóquio se convertessem em quase 5 minutos de música. E eu vivo por números assim no J-Pop, cintilantes, escapistas, que nos transportam para um ambiente colorido de amor e dança onde não existem preocupações reais. Há muito funk, groove, com versos kawaii que nos guiam prum refrão sing-along implacável. Nesse momento, gostaria de estar como o elenco nesse videoclipe, fazendo dancinhas engraçadas em algum bar de karaokê vestido com todo tipo de figurino nihon couture eleganza extravaganza. Coisas que só o pop japa pode nos proporcionar.

75. JIMIN PARK – ANSWER

Os anos se passaram e sigo não tendo entendido o porquê de a JYP colocar aquela aquela coisa estéril como lead single do primeiro EP da Jimin Park (hoje Jamie, mas jamais me acostumarei com esse nome) se no mesmo havia uma porção de pérolas urban eletrônicas que parecem ser a pegada dela num geral. “Answer”, por exemplo, aposta num trap super viajado e melancólico, adquirindo alguns elementos do deep house que a aceleram levemente no refrão, soando como algo que algum grupo britânico lançaria e hitaria, como o Disclosure ou o AlunaGeorge. O interessante é que ela funciona tanto na versão coreana linkada acima como na demo original em inglês, denotando que a Jimin poderia seguir carreira em diferentes partes do globo, caso não fosse o descaso da JYP nessa época.

74. NICOLE – LUNAR

O álbum que a Nicole lançou no Japão foi uma bosta horrível, com poucas coisas que se salvam em meio a uma tracklist que pareceu ter sido montada para o debut de uma adolescente de 15 anos e não para uma das maiores ex-celebridades da onda hallyu. Ainda assim, pudemos pescar coisas boas/ótimas no “Bliss” sem precisar recorrer ao fator biased e baixar o nível de exigência. A coisa boa foi “Something Special” (que agora tá com o clipe no YouTube, yupi!), lançada como single em 2015. A ótima, no entanto, foi deixada apenas como album track. “Lunar” é um future dance TÃO BOM, mas TÃO BOM, que me dá até uma dor no fígado ao perceber que não filmaram um videoclipe épico com Nicolão servindo de Barbarella e desbravando o espaço enquanto conquista todos os aliens ao redor com sua dança sensual. É esse tipo de coisa que esperávamos de uma ex-KARA, poxa vida.

73. MAMAMOO – DÉCALCOMANIE

Se não me foge à memória, “Décalcomanie” foi a primeira title do Mamamoo pós-estourar com as quatro mostrando a que vieram, esbanjando seus vocais privilegiados num número dramático que contou com todos os artifícios possíveis para acontecer (no caso, um instrumental forte, um MV criativo e tudo mais). Não é a toa que se tornou a faixa assinatura do quarteto dali em diante, merecidamente. Adoro tudo aqui. Hwasa, Wheein e Solar gritam gostoso quando precisam gritar gostoso, a Moonbyul manda muito nas partes de rap, as viradas de chave da banda atrás são bastante provocativas e o vídeo é o puro suco da sensualidade. Um dos atuais grupinhos da nação já fazendo bonitos quando ainda se esforçavam para escalar à parede inquebrável do cenário.

72. MAKE SOME NOISE – 24 HOURS

A minha avó foi uma mulher muito sábia. Dentre os inúmeros ensinamentos que ela me passou desde que me entendo por gente, um dos mais complexos é o de que uma farofa boa é muito difícil de se fazer. Obviamente ela estava se referindo ao acompanhamento colunário, mas isso pode ser adequado a tudo. Precisa escolher a farinha certa para o tipo certo de gordura, cuidar da temperatura e balancear bem os temperos para que não fique enjoativa, fácil de digerir e se destaque dentre os demais pratos presentes. No caso das farofas musicais, é basicamente a mesma coisa. Ela tem que ser divertida, cativante, grudenta, apresentar elementos diferentes para que se torne chamativa e atraia a atenção em meio a tantas outras produções fonográficas de ~mais gabarito~. Uia, “24 Hours” tem tudo isso aí! O instrumental, além dos sintetizadores EDM de praxe, conta com a presença de um conjunto de cordas que lhe dá todo um ar clássico/erudito, como se fosse um daqueles remixes de ópera que faziam sucesso quando a internet começou a se espalhar aqui no Brasil. O mais legal é que, quando o refrão termina, as coisas enlouquecem ainda mais com um batidão clubber explosivo que daria inveja ao T-ara. Eu totalmente viciei na coreografia dos pulinhos do vídeo abaixo, reproduzindo-a como um retardado toda vez que “24 Hours” começava a tocar na hora da faxina aqui em casa. Pra mim, esse foi o ápice do “Produce 101”.

71. KOBUSHI FACTORY – SAMBA! KOBUSHI JANEIRO

MELHOR APROPRIAÇÃO CULTURAL

Não sei o que que é mais ridículo nessa história: esse grupo do baixo escalão do Hello! Project ter lançado uma música sobre o Rio de Janeiro por conta das olimpíadas, terem acrescentado sei lá quantos esteriótipos-brasileiros-para-gringo-ver que não têm absolutamente nenhuma ligação com o nosso dia a dia no videoclipe, tudo soar como uma marchinha de carnaval desafinada ou eu realmente ter gostado MUITO disso, a ponto de o videoclipe ter aparecido quase todos os dias na minha barra de “assista novamente” no YouTube em 2016 – e eu sempre re-as-sis-tir!!!!11!! “Samba! Kobushi Janeiro” é uma das maiores e mais divertidas chacotas boladas por um grupo idol nos últimos anos, sendo necessária uma certa dose de bom humor e despretensão para apreciá-la de verdade. Podiam ter convidado a Sabrina Sato (ou sua sósia japonesa) pra fazer um cameo, elevaria a experiência toda para outro nível.

E é isso por hoje. Alguma surpresa? Alguma descoberta icônica? Nos vemos em breve com o terceiro corte. ^^

9 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2016 [85-71]

  1. Adorei a marchinha de carnaval made in Japan!

    Também gosto pra caramba dessa música do FEMM (é uma das minhas favoritas delas, junto com Dead Wrong), e essa das Bed.In é surpreendentemente fofinha (no bom sentido) e comportada pros padrões delas (nunca esquecer daquela foto delas fazendo show de biquíni fio-dental, com uma enfiando um picolé inteiro na boca).

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  2. Ver a Aimer nessa listinha me lembrou de como eu ouvia Insane Dream a doidado em 2016… E de repente esqueci da música, por alguma razão. O Daydream tem que ser o melhor álbum dela até hoje, porque além de Insane Dream, ainda tem Ninelie (com a chelly do Egoist e produzida pelo Hiroyuki Sawano!), além da OST de Koutetsujou no Kabaneri e duas faixas com o TK do LTS.

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