TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2016 [10-01]

E enfim chegamos ao fim do quarto top throwback do Miojo Pop, listando quais foram os 100 melhores lançamentos do asian pop durante o curioso ano de 2016 (um oferecimento COVID-19). Muitas foram as ótimas músicas que passaram por aqui nos últimos dias, mas só 10 conseguiram atingir o ápice em tal ranking.

Sem mais enrolações, qual bop se juntará ao glorioso pancadão da Anda, What ou Waiting For, ao baladão ultraemotivo da BoA, Fly, ao sex anthem Eclipse, da Kim Lip, e ao rockzão poético She Hates Me, da Anna Tsuchiya, no panteão de bests of aqui do blog? Confiram…

10. REOL – GIVE ME A BREAK STOP NOW!

“Give Me A Break Stop Now” foi, provavelmente, o primeiro contato que todos nós tivemos com o REOL. E preciso confessar que nem a tinha achado nada demais num primeiro momento, mas a faixa foi se entranhando pouco a pouco na minha cabeça, revelando-se um dos troços mais grudentos vindos do Japão nos últimos anos. Mesmo sendo a fórmula básica de uma farofa eletrônica, não há nada nela que esteja fora do lugar. Os versos são fortes, o pré-refrão é intenso, o refrão repetindo o título várias vezes enquanto tocam os sintetizadores-para-bater-cabelo, é tudo muito certeiro. E claro, o apoio visual com o videoclipe creepy pra caralho, emulando uma versão masoquista/trevosa da Kyary Pamyu Pamyu, ajudou muito nisso. GMABSN foi o auge da música-ruim-que-na-verdade-é-boa em 2016, ficando só melhor com o tempo. Não é a toa que surrupiou essa décima posição.

09. HEIZE, DEAN, DJ FRIZ – AND JULY

E quando eu jurava que a dobradinha da Heize com o Dean mostrada em “Shut Up & Groove” não poderia ficar melhor, os desgraçados vão e me chamam o DJ Friz e lançam mais um dueto de Hip Hop devastador. Aaargh, que música gostosa! É bem difícil encontrar uma rapper que consiga mandar bem nas rimas, com um flow bacana e, ainda assim, conseguir cantar bem. Aqui no ocidente, os nomes mais óbvios são a Negra Li, a Erykah Badu, a Janelle Monáe e a Lauryn Hill. No oriente, em uma menor proporção, talvez a CL e a Jessi. E agora, a Heize. O instrumental de “And July” grita a 90s por toda a construção mais orgânica, com as batidas contadas pela caixa e a inserção de um andamento de fundo mais lento feito pelo baixo, mas possuir uma adição de velocidade levada pelo piano. É claro que as palmas, batidas de pratos e backing vocals mais gritados ao final dão todo um sabor bem mais especial. A contraposição das rimas mais malemolentes, por vezes até cantadas, da Heize com o ótimo vocal do Dean, que acertou em cheio ao só seguir afinado a melodia em vez de rechear a performance com agudos e melismas desnecessários, faz dessa uma colaboração que permite aos dois brilharem tanto individualmente, quanto juntos. Já o MV, dirigido pelo Digi Pedi – duo responsável por algumas das melhores produções visuais do Orange Caramel, do Loona, do EXID, do Stellar e de mais um monte de gente -, mostra os dois como um casal birrento e teimoso, que implicam entre si durante todo o dia, vingando-se de maneiras bem toscas e aleatórias. Se vocês têm algum tipo de preconceito com o Hip Hop sul-coreano, talvez essa seja uma boa maneira de começar a se aventurar pelo nicho.

08. FREDERIC – ONLYWONDER

Essa aqui é uma graça. A impressão que tenho de “ONLYWONDER” é que conseguiram converter em áudio a sensação de comer uma barra de chocolate. Toda ela é divertidaça, energética, elétrica, como se ligada na tomada. E com aquele jeitinho kawaii que bandas japonesas conseguem imprimir em suas interpretações sem parecer forçado. Sou apaixonado por esse refrão sing-along (foi um dos primeiros que fui atrás para aprender quando comecei a ler em hiraganakatakana), com ele me vendendo uma vibe de anime colegial, com o personagem saindo atrasado para a aula com uma torrada na boca, até que cai num buraco e é transportado para um mundo medieval baseado num jogo online ou algo assim. “ONLYWONDER” é um dos jams mais cativantes vindo do Nihon nesses últimos anos, sendo gostosinho de ouvir em praticamente qualquer momento do dia, curando tristeza, aumentando felicidade e tudo mais.

07. TWICE – TT

MELHOR FAIXA DE GIRLGROUP

*BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMM* com o atual grupinho da nação rankeando em TERCEIRO SÉTIMO LUGAR enquanto suas favoritas nem na lista apareceram. Pode parecer estranho olhando de hoje, com o 2018 TERRÍVEL do Twice nas costas, mas anos atrás, antes de esgotarem sua criatividade para bubblegum pops aegyo divertidos com “Likey”, elas realmente soltavam músicas ótimas. E de todos os bops 2015~2017 que elas liberaram, “TT” segue como o meu favorito no repertório do grupo. Adoro ela ser um garage house cintilante, porém com uma escolha instrumental mais grave e “pra baixo”, fazendo um paralelo inverso interessante com a interpretação vocal mais aguda e “pra cima” das meninas. Adoro como todos os versos dela são extremamente cativantes e com um fator de grude altíssimo. Adoro o clipe de halloween caríssimo, com cada uma delas interpretando uma personagem numa casa assombrada. Ironicamente, eu tinha achado ela meio bosta à época do lançamento. Que bom que o tempo passa. “TT” é o ápice do Twice, de todos os artifícios que fazem da marca o que ela é hoje. E é também o ápice de um girlgroup coreano em 2016.

06. FEMM – COUNTDOWN

UM, DOIS, TRÊS, QUATRO, CINCO, SEIS, SETE, OITO! Amei tweerkar com o twisty em “PoW!”, adorei bater o cabelo ao redor da luz em “Neon Light” e me viciei na letra onírica de “L.C.S”, mas o meu troço favorito vindo do FEMM nesse ano foi “Countdown”. Esse mote do grupo de refazer as sonoridades norte-americanas que faziam sucesso no pop dos anos 2000, em full engrish, fingindo ser manequins em clipes satânicos se tornou uma fórmula mais que certeira, pois as opções de exploração são gigantescas e sempre terão aquele apelo ruim/bom para os que vivenciaram essa época (oie). No caso de “Countdown”, temos o electro/R&B transante a la Future/Sex Love/Songs que comumente era produzido pelo Timbaland antigamente e ajudou a hitar nomes como Justin Timberlake, Nelly Furtado e tantos outros. A letra disso é uma bobagem sexual maravilhosa, com elas explicando passos para o cara sobre o que ele deve fazer para conquistar uma noite de amor com elas, incluindo nisso sei lá quantas referências 2000s. Tudo pode parecer uma idiotice desmedida (a carreira do FEMM como um todo, num caso), mas o que fazer se daí saem boas faixas pop, que divertem e anseiam para ser repetidas incansavelmente?

05. UHM JUNG HWA – WATCH ME MOVE

“Watch Me Move” é a epítome da boilagem em termos musicais dentro do K-Pop. E antes que alguns de vocês venham com raios problematizadores, eu destaco em caixa alta que ISSO É UMA COISA ÓTIMA. A Uhm Jung Hwa pegou todos os ícones possíveis relacionáveis ao musiqueiro ballroom party noventista, casas de diversão e libertação para fatias discriminadas da época (gays, trans, latinos, negros, etc.), e atualizou aos dias de hoje. Funciona excelentemente aos ouvidos, com o deep house sujão servindo de cama para uma porção de melodias arrepiantes, catárticas. Funciona excelentemente aos olhos, com ela encarnando uma space disco diva enquanto o balé se joga no voguing. E, com quase 4 anos desde seu lançamento, ainda assim é muito difícil não se jogar junto com eles quando o refrão chega, hein. “Watch Me Move” é glitter, são luzes de neon iluminando ambientes esfumaçados, é o som de saltos batendo no chão, são drags dublando por suas vidas ansiando por um “Shantay, you stay!”. É a Vogue do K-Pop. Só não foi o maior lançamento sul-coreano de 2016 porque uma outra grande gostosa fez mais ou menos a mesma coisa, só que ainda melhor…

04. LUNA – FREE SOMEBODY

MELHOR K-POP

“Free Somebody” é, talvez, a melhor canção de debut não só para um ato da SM Entertainment, mas talvez a maior música de estreia de qualquer solista da história do K-Pop – competindo ombro a ombro com Ain’t Nobody, da HA:TFELT. Que delícia de electropop, absurdamente dançante, que não deixa o clima cair em momento nenhum. Do teclado no início aos sintetizadores que lembram cornetas que a encerram, a faixa percorre um caminho espetacular. Os versos iniciais cantados com um pouquinho de ar na voz, os “I know, I know, I know, I know” grudentos, o refrão… PORRA, ESSE REFRÃO, PUTA QUE PARIU ESSE REFRÃO, CARALHO! É só a gostosa gritando que quer libertar alguém, seguido de batidões, mas é tão gostoso que… sério, é inexplicável. “Free Somebody” entrega tudo o que é esperado de uma boa música pop e ainda vai além. E com o videoclipe genial, a experiência é ainda melhor. Eu to chocado com a SM realmente abrindo a carteira para mesclar cenas de estúdio com uma animação psicodélica apenas para dar sentido à metáfora de libertação de corpo e mente. Em 2016, a Luna foi o pacote completo e sua música conseguiu o que pouquíssimas outras atingiram durante o ano: ser memorável. Eu tenho certeza absoluta que, daqui uns 30 anos, se alguém me perguntar sobre como era o K-Pop na minha época, essa canção será uma das primeiras que lembrarei da melodia, enquanto tantas ficarão perdidas em minhas memórias como só mais outras parecidas entre si. Temos um novo clássico. Parabéns aos envolvidos.

03. TK FROM LING TOSITE SIGURE – SIGNAL

MELHOR ANIMESONG

Lembram aquilo que falei na parte passada, no parágrafo da Aimer, sobre a faixa dela ser uma montanha-russa de emoções? Pois bem, multipliquem isso por noventa e um dias de lei seca e, então, vocês entenderão o quão intensa “Signal” pode ser. Toda ela soa como uma cântico apocalíptico, com um instrumental capaz de levar ao êxtase conforme são tocados os compassos, batendo na cabeça como se fosse uma marreta gigante, mas, logo em seguida, curando como se fosse um anjo da guarda a postos. Uou, que poético, não? Mas é bem essa a sensação mesmo. O Toru Kitajima deve ser uma das figuras mais importantes dessa revitalização que a cena do J-Rock vem sofrendo ao longo dos últimos anos, produzindo para um monte de gente. Porém, esperto, ele guarda as melhores coisas para si. Porra, o desgraçado enfiou um solo de guitarra virtuoso pra caralho logo depois do primeiro refrão e, depois do segundo, colocou outro ainda mais agressivo, além de todo o auxílio de um grupo de cordas e, claro, de seu timbre único e ironicamente desconfortável de escutar. Envelheceu como vinho. Para mim, a melhor faixa masculina, a melhor faixa solo e a melhor animesong de 2016.

02. UTADA HIKARU, SHEENA RINGO – NIJIKAN DAKE NO VACANCE

A Utada Hikaru deu uma pausa de 6 anos em sua carreira para cuidar de uma série de atribulações pessoais. Nesse meio tempo, ela precisou lidar com um marido italiano encostado, o nascimento de sua primeira filha e o suicídio de sua mãe. O que poderia ser um fim de carreira justificável, na verdade, se transformou num surto de criatividade louvável, convertendo os diversos sentimentos que passaram em sua cabeça num álbum quase que inteiramente composto e produzido por ela, o “Fantôme”. Dentre todas as suas lindíssimas e perfeitas faixas, a que mais mexeu comigo foi “Nijikan Dake No Vacance”. Convidar a Sheena Ringo para um dueto e não permitir que os elementos habituais das produções dela, como jazz, bossa nova ou rock imperem, no começo, me soou como um desperdício e tanto. Só que a surpresa está, vejam só, no resultado final ser justamente algo que não tem absolutamente nada a ver com isso. “Uma Folga de Duas Horas” é liricamente e melodicamente agradável, sendo sumariamente Pop, mas com uma montagem que permite-a dar a oportunidade de apreciar cada mínimo ícone sonoro dentro dela. O final orquestrado deve ser o mais bem trabalhado do LP. A voz da Sheena, uma das mais facilmente identificáveis da asian music, torna o pacote único, individual. E claro que tudo ser sobre elas serem amantes que não podem se permitir curtir mais tempo que o previamente combinado, pois têm vidas para cuidar dentro do armário, torna tudo mais delicioso. Um novo clássico em minha vida.

01. WEDNESDAY CAMPANELLA – ALADDIN

MELHOR J-POP

Tem… algo em “Aladdin” que eu não sei explicar bem. É como se uma aura rodeasse toda a produção, de modo que sua execução, logo ao início, já converte a atmosfera ao meu redor em algo mágico. É como se, nela, as cores fossem mais fortes, as luzes mais radiantes, os cheiros mais acentuados. Seu instrumental é desnorteante, criando em mim uma vontade louca de sair dançando pela casa como se não existissem problemas na vida. “Aladdin” é o auge do Wednesday Campanella. O auge de sua sonoridade, o auge do gimick de brincar com marcas (eles citam várias aqui apenas pelo lulz), além de a visão da KOM_I performando no boliche ter rendido um dos videoclipes mais hipnóticos da última década. Se com apenas um mês de lançamento eles já haviam conseguido o sétimo lugar em minha lista, com quatro anos passados, nada menor que o topo é justo. Na real, isso aqui acabou se tornando uma das minhas músicas favoritas no J-Pop em todos os tempos. E aposto que, quando derem o play no vídeo acima, isso também deve acontecer com vocês. É quase gospel. Senhora, você gostaria de aceitar a palavra de Wednesday Campanella em sua vida?

E, Brasil… foi isso aí que rolou de melhor em termos asianpopeiros no ano de 2016. 3 a 2 entre J-Pop e K-Pop até então. Concordam? Discordam? Digam nos comentários. Compartilhem também as suas favoritas de tal ano, assim poderei rir de seus respectivos péssimos gostos musicais, tal como vocês fazem comigo.

E caso vocês tenham chegado aqui por meio de algum link divulgado em grupos de Facebook ou Twitter e gostem de descobrir sobre canções mais antigas dentro desse nicho, saibam que vários outros posts especiais relembrando lançamentos de outros anos já rolaram nesse blog. Vocês podem conferir eles em formato de tops para 20192018, 2017 e 2010, ou em formato de playlist para 200020012002 e 2003.

7 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2016 [10-01]

  1. Contextualizando: a maioria desses parágrafos foram recuperados de um ranking já pronto, de 2018, do outro blog falecido lá. Nessa época, Twice ainda não tinha virado a chave com “Fancy”, “Feel Special” e outros pancadões e eu vivia tacando pedra no grupo, sendo ~chocante~ elas aparecerem em terceiro lugar num top meu (originalmente, eu dividia entre K-Pop e J-Pop).

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  2. top maravilhoso
    Nijikan Dake No Vacance é uma daquelas músicas que a gente escuta de madrugada e para no meio da canção pra pensar “caramba, que coisa simplesmente perfeita, preciso voltar no começo e ouvir de novo”

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  3. Cantei desde o início que Free Somebody estaria no top 10. Seria meu primeiro lugar? Sim, mas melhor kpop também serve kkkkk.

    Fiquei surpresa com Signal do TK na lista e ao mesmo tempo não, se dá para entender. Na época que saiu, Signal foi de longe a melhor op da temporada mesmo sendo de um anime super underrated (91 Days acabou não sendo tão popular como deveria porque o otaco médio só assiste hentai/ecchi e esses lixos moe)… Lembro de ter curtido muito, especialmente o solo de guitarra que vem no final da música, e como ele parece “sujo” e “desorganizado” mesmo sendo EXTREMAMENTE COMPLEXO E MILIMETRICAMENTE CALCULADO (dificílimo de tocar, falo por experiência própria). Só que 2016 foi há quatro anos e eu nem lembrava mais que 91 Days tinha saído em 2016, achava que era de 2017????

    Que ódio do wordpress por ter apagado meu comentário no outro post, aaaaaaaaaaaaaah. Eu tinha acertado os quatro atos do kpop que estariam no top 10, ainda citei que a última solista, que não era a Luna, podia ser a Uhm Jung Hwa ou a Solar do Mamamoo (sendo a última menos provável).

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  4. Caramba, do jeito que você já tinha colocado um monte de tracks do Fantôme eu não imaginava que 2 hours vacance fosse aparecer, fiquei muito feliz pois essa música é incrível!!!

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  5. Caramba, Alladin e essa da Heize estão até hoje na minha playlist. Alladin tem mesmo essa aura, não sei, tem algo ali que me leva para Paprika (de Satoshi Kon), ou da vontade de reunir um monte de gente em um cenário psicodélico e dançar sozinha (no meio de um monte de gente).

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