Uma pausa no capope para comentar umas apresentações do VMA 2020

Eu sei, eu sei. Tem Lovelyz, A.C.E, CLC, Sori e mais um monte de lançamento importante no K-Pop pra fazer post, mas antes disso, quero dar uma pausa na temática principal do blogzinho para dar meus pitacos a respeito do VMA desse ano.

Pra ser sincero, eu meio que cago para premiações musicais hoje em dia. Todas elas, de alguma forma, foram perdendo minha atenção nos últimos anos por servirem baixo entretenimento televisivo e pouca justiça em quem leva ou não seus troféus. Provavelmente não assistirei mais o Grammy daqui em diante, tendo em vista a quantidade de gramofones dourados que a Billie Eilish levou injustamente no começo do ano enquanto uma porrada de artistas tentavam pagar de conceituais em apresentações morosas por quase quatro horas seguidas. AMA, Billboard Music Awards, EMA, MAMA, dentre outros, eu nem me presto a sentar a raba na frente da TV para bizolhar ao vivo. E o último VMA que eu lembro de ter assistido do início ao fim foi o de 2015, com a Miley fumada pra caralho tirando sarro de TODO MUNDO:

Posto isso, não me dei ao trabalho sequer de olhar quais foram os indicados a Video of the Year dessa vez, tampouco gravei qual seria o dia que ocorreria a exibição.

Mas deveria, já que esse é um ano atípico para a indústria pop. Com a pandemia, a MTV precisou se virar para produzir algo diferente do habitual de “artistas dublando pro público ao vivo”, de modo que os convidados que toparam participar necessitaram caprichar um pouco mais para impressionar, quase que literalmente gravando videoclipes em suas performances.

O resultado foi um punhado de apresentações realmente ótimas, que encheram meus olhos quando fui buscar no YouTube mais pra frente e até me deram um certo arrependimento de não ter acompanhado ao vivo e feito escândalo no Twitter junto com minha timeline. Meus dois centavos sobre as mais legais:

É bem gostoso ver a Lady Gaga de volta ao pop farofão-com-qualidade de seus anos de ouro. Adorei a seleção de músicas. “911” é uma das mais divertidas do “Chromatica”, ficando muito legal de ouvir ao vivo, com a coreografia e tudo mais (a parte que ela vai até o chão é icônica). “Rain On Me”, uma das minhas faixas prediletas de 2020, também fica especial ao vivo, com ela e Ariana gritando gostoso por vários minutos como se não houvesse amanhã. Não tinha pensado nela antes como um jam de estádio, mas funcionaria legal nessa linha e não só para as pistas disco. Só achei meio bocó ela ainda pensar que a galera quer ver ela no piano, mas dá para pular essa introdução de “Stupid Love” e passar pro bate-cabelo cafona dos sintetizadores sem problema nenhum. Bom demais.

Essa aqui também foi tão boa. Acho que “Midnight Sky” deve ser o melhor single da Miley desde a era “Bangers”, servindo corretamente essa bobageira oitentista que tanto adoro, que fica ainda melhor num vocal super característico como o dela. A apresentação ficou espetacular, com seus vários momentos coloridos arrepiantes de assistir. E quando ela vai subindo a escada gigante e sobe na globo de espelhos? Melhor momento da noite. Pau no cu da Pitchfork dizendo que essa foi a apresentação mais fraca da premiação. Aqueles redatores não devem transar, por isso são tão chatos.

Ainda outra das minhas músicas preferidas desse ano. “Blinding Lights” é um dos trecos oitentistas-da-moda mais legais desde que os artistas do pop ocidental descobriram que essa nostalgia de algo que não vivemos vende pra caramba. É bastante impressionante observar a câmera se afastando e a cidade abaixo se revelando. Deve ter custado uma fortuna. E valeu cada centavo.

Mais ou menos no oposto em verba, essa apresentação das protegidas da Beyoncé não deve ter custado tão caro, mas conseguiu ser tão interessante quanto. A presença de palco delas é hipnótica, como se fossem duas sereias intergaláticas atraindo o ouvinte para a morte com seus vocais e visuais deslumbrantes. Uma maravilha.

Mais outra entre os meus singles mais ouvidos desse ano. “Say So” é uma das grandes pérolas de 2020, incansável, com replay-factor super alto. Só acho que a Doja Cat poderia ter caprichado mais no vocal, que pareceu cansado demais depois da dança. De qualquer forma, todo o resto foi espetacular, do look ao palco vaporwave.

Pra encerrar, a apresentação do BTS na frente do telão verde super natural. As partes onde eles dublam são okays, mas quando uns se metem a colocar a voz por cima do playback fica… engraçado. Mas não tá ruim não, a música é tão boa que dá para fingir.

E de apresentações legais foram essas aí. Uma pena que Dua Lipa e Harry Styles se recusaram a participar ao não terem seus vídeos indicados nas categorias principais, pois teriam sido duas adições legais à noite como outros grandes nomes do pop nesse ano. Burrice, pois esse eventualmente deve ser um VMA que entrará para a história levando o contexto da pandemia.

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10 comentários em “Uma pausa no capope para comentar umas apresentações do VMA 2020

  1. Concordo; surpreendentemente a pandemia foi positiva pro VMA; os músicos tiveram que pensar em formas criativas de se apresentar sem aglomerações, e essa criatividade era algo que fazia falta há muito tempo na premiação (as pessoas antes pareciam mais preocupadas em escandalizar ou fazer coisas grandiosas do que realmente sair da caixinha).

    Miley foi a minha favorita (sério que disseram que foi a performance mais chata? Esses críticos estão loucos). E mesmo eu não achando graça no BTS e no Maluma, devo admitir que eles fizeram ótimas performances. E mantendo seus respectivos estilos, mesmo com o BTS cantando (dublando) em inglês – Anitta, quando você vai entender que não precisa mudar de estilo pra tentar carreira internacional??

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    1. (aliás, Anitta e Pabllo, porque os singles em inglês e em espanhol da Pabllo também jogam contra toda a brasilidade que ela sempre trouxe no repertório dela e que sempre foram um grande diferencial)

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  2. Acho que outra coisa que contribuiu para um ano acima da média no Ocidente, além de precisarem se esforçar mais pela covid, foi a moda de ressuscitar décadas passadas, principalmente os anos 80, que tinha de música boa o que tinha de penteado ruim.

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    1. Ainda aguardo pra ver qual vai ser a diva pop que vai fazer comeback inspirado na sonoridade e nos visuais da Xuxa na fase Xou da Xuxa.

      Katy Perry teria sido uma excelente escolha para esse conceito, diga-se de passagem. E teve um ano no EMA que a performance da Taylor Swift tava puro Xou da Xuxa (acho que foi 2012).

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        1. Sim, mas é que a fase Xou da Xuxa é aquela com toda a iconicidade das duas décadas mais marcantes da cultura pop, a década de 80 e a de 90. E as músicas dela nessa fase, apesar de serem pra crianças, também faziam sucesso entre adultos (vide as trocentas vezes que ela foi no programa Globo de Ouro, que mostrava as dez músicas mais tocadas no Brasil a cada semana).

          Naquela época, aliás, as apresentadoras infantis em geral costumavam emplacar sucessos com o grande público, e muitas vezes faziam músicas que NÃO eram pra crianças, vide Vou de Táxi e Blue Jeans da Angélica, ou Liga Pra Mim e Não Faz Mal da Mara Maravilha (esta última inclusive chegou a gravar um clipe pra música infantil Curumim fazendo redface e de topless… coisas normais nos anos 90).

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  3. eu jurava que a taylor ia aparecer pra performar cardigan ou o próximo single, mas ela realmente não ta afim de divulgar o álbum mesmo D:

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