Garçonetes safadas do FEMM servem o videoclipe japonês do ano em “Peach”, que coroa sua melhor fase em tempos

Olha, só falta uma maldita prova na faculdade, na próxima segunda-feira, para qual eu já nem vou estudar mais. Então, bora atualizar isso aqui com algumas das melhores coisas que não comentei em 2020 antes do topzão de fim de ano começar…

Vocês já estão familiarizados com o FEMM, né? Não? Não viram as várias aparições delas nas listas throwback de melhores dos anos passados que fui postando? Tomem vergonha na cara! Mas o tio Lunei aqui servirá como educador para toda essa juventude capopeira que fica com preguiça de dar uma chance para os trecos tão deliciosamente bocós quanto desovados pela ilha vizinha.

FEMM é um duo das cantoras/produtoras Honey-B e W-Trouble, que veio ao mundo lá por 2014 com uma proposta bem… esquisita. Nela, as meninas encarnavam “manequins com emoções”. É uma estupidez bem viajada, mas que diverte: nos videoclipes, elas, literalmente, se portam como bonecas, robôs, tanto faz, se esforçando para não expressar qualquer emoção facial, se movimentando como se fossem construídas a partir de partes mecânicas. Com um conceitinho tão pedante assim, à de se imaginar que elas apostassem numa sonoridade mais “artística”, só entendível e apreciável por parcelas de público específicas demais para que esse blog se importasse. Contudo…

O que foi apresentado durante todo o primeiro cour de lançamentos da dupla, formado por uma porção de singles digitais que mais tarde se juntariam no primeiro LP delas, o excelente “Femm-Isation”, foi bastante… acessível. Eram músicas cantadas em inglês, em sua maioria emulando aquele electropop descompromissado radiofônico do final da década de 2000. Ouçam a “Astroboy” acima, pois ela resume bem esse primeiro FEMM em áudio e vídeo. O clipe, até então, era o meu predileto delas (agora as coisas mudaram, mas já chego nisso).

FEMM era uma novidade nipônica quente ao nicho internacional online de fãs de asian pop (porque o ouvinte japonês médio mesmo cagou pra elas). Era esquisito, estranho, esperto e, acima de tudo, com músicas divertidas que davam vontade de ouvir e repetir infinitamente. Isso se manteve mais pra frente, com elas trabalhando com a gravadora Avex (quando eles ainda tinham dinheiro pra apostar em palhaçadas fundo de quintal assim) em 2016 e servindo o espetacular par de singles double-a-side PoW!/LCS e Neonlight/Countdown (essa última faixa, rapando um top 10 aqui do blog no listão do ano).

Infelizmente, foi daí pra baixo, com o duo enfrentando tempos difíceis em que a traquitana conceitual se tornou mais importante que as músicas servidas ao público. Teve de álbum horrível com covers tenebrosos de sucessos do J-Pop e supergrupo de péssimo gosto com outros acts de ainda menor alcance à EP grotesco com instrumentais ainda em demo que serviriam como coro de fundo pruma instalação artística contemporânea.

HUAHUAHUAHUAHUHAUHUAHUA, credo

Por muito tempo, eu imaginei o FEMM como aquele nome que me foi bem útil durante um curto espaço de tempo, que valeu sua existência e que já não mais funcionaria pro que gosto de consumir musicalmente. Entretanto, 2020 foi um ano bem esquisito e, vejam que loucura, as duas resolveram dar uma “ajeitada na casa”, retornando com vários trabalhos seguidos muito legais de ouvir, utilizando as demos mal resolvidas daquele EP lá que citei, outras inéditas, literalmente “atualizando o sistema” prum FEMM diferente, em outro nível de sonoridade e imagem:

Morre o FEMM 1.0 para…

Dar lugar ao FEMM 2.0!!!

O novo FEMM me parece elevar o conceito das manequins para algo mais futurista, cibernético, como se elas fossem idols virtuais construídas numa realidade cyberpunk sinistra e bolorenta em que a maior diversão de um salary man ao chegar em casa é conectar seu cérebro na matrix e ser entretido. Por mim, nenhuma objeção! Na real, achei que até demorou pra isso rolar.

O que nos leva a Peach, do vídeo linkado lá no começo do post. Provavelmente, a música mais SAFADA de 2020 (basicamente, a letra fala delas oferecendo o “pêssego” suculento delas do início ao fim). Pra mim, o melhor clipe desse ano e, agora, de toda a videografia do FEMM. É esquisito ao extremo, mas impossível de passar despercebido. A figura perturbadora delas como garçonetes endemoniadas no ciberespaço, renderizadas como se fossem npcs de algum jogo de PS1, certamente não sairá da cabeça de vocês por um bom tempo.

E o legal é que essa alucinação é acompanhada musicalmente. Elas apostam num desses “hyperpops” Charli XCXish destrambelhadamente legais de escutar. Não é o tipo de coisa que funciona com todo mundo, é necessária uma boa vontade inicial, mas vale muito a pena embarcar.

O EP “404 Not Found” também está uma delícia. Todas as faixas são muito bacanas, ligeiramente diferentes entre si, mas carregando essa esquisitice que parece marcar o FEMM 2.0 num geral. “Sit Down” é super grudenta, “Bury Me” é um Hip Hop sombrio HILÁRIO, “Play By The Rules” é uma palhaçada energética merdavilhosa que descamba pruma barulheira trance inesperada, “Boss” é bem bonitinha e envolvente em sua atmosfera e a parceria com um tal de Duke of Harajuku em “Level Up” é bem mais agradável e durável que esses números trap “atuais” costumam ser.

Sendo bem honesto, calhou desse ser um ano MUITO BOM pro FEMM. A narrativa toda por trás do grupo ganhou uma nova camada, mais profissional e menos datada, que talvez até dê para ser levada a sério e abraçada pelo público geral. E as músicas, o principal dessa equação, funcionam muito bem. Digo isso não só pelo mini acima, mas também pelas também muito boas Chewing Gum CleanerDead of the Night que saíram mais cedo e não entraram na tracklist, ambas desde o lançamento no meu celular e angariando audições diárias em minhas playlists.

Sejam welcomidas de volta ao jogo, bonecas. O J-Pop é mais divertido com vocês por perto. Vai chover FEMM no top 100 de fim de ano como se estivéssemos novamente em 2014, caras…

Um comentário em “Garçonetes safadas do FEMM servem o videoclipe japonês do ano em “Peach”, que coroa sua melhor fase em tempos

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