TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2020 [55-41]

Quarta parte da lista. Enfim, chegaremos na metade desse top 100. Tenho quase certeza que ao menos duas faixas aqui pegarão vocês de surpresa, pois devem figurar no top 10 de muita gente esse ano. Quais serão?

Bom, tenho quase certeza que não será essa abaixo, que só eu mesmo (e a Doja Cat) devo ter dado duas fodas nos últimos meses…

55. RAINYCH – SAY SO

Yup, estou mesmo colocando um cover japonês de “Say So” na lista, beirando o top 50 ainda, lidem com isso. “Say So” foi um grande jam desse ano, com a Doja Cat sendo uma das primeiras a se agarrar na onda disco setentista e fazendo isso muito bem. Mas quando isso foi refeito por uma mina do J-Pop, com essa voz fofinha e a guinada citypop que o instrumental ganhou em tal produção, as coisas ficaram ainda melhores. E eu meio que achava que não tinha o que melhorar em “Say So” até ouvir a Rainych arrancando a peruca da Doja Cat. Isso aqui fez tanto sucesso nas interwebs que a própria rapper ouviu numa live e disse que estava incrível, que o vocal da Rainych era uma delícia e que ela havia amado a versão. Quem amou também foi o Tofubeats, que tratou de chamar ela prum remix, também muito legal de ouvir. Espero que algum produtor legal aproveite essa projeção que ela ganhou e que a Rainych, em breve, desponte como uma nova cantora de J-Pop de repertório próprio.

54. KARD – RED MOON

O KARD já vinha há alguns anos tentando lançar um bop nessa estrutura tryhard, possivelmente visando deixar a aura praiana de lado, já que o tropical house de outrora já não está mais tão em alta. O problema é que era bomba atrás de bomba, quase matando o apelo que o grupo havia despertado nos primeiros anos de carreira. Mas milagres acontecem e, enfim, eles acertaram a mão com “Red Moon”, que, sim, é super NCTish e reflete o que grupos masculinos vêm fazendo hoje em dia, nessa de soarem agressivos, sombrios. Só que, de alguma maneira, dá certo, com o refrão requebrativo sendo o ponto alto da faixa (eu perco tudo chega o “switch it up” chamando os “oh run baby run, on and on and ooon”). Isso com os versos fortes, os visuais estonteantes e a soma de vocais femininos e masculinos que sempre dá bom, faz de “Red Moon” a melhor música do KARD em um bom tempo. Replay factor altíssimo.

53. DREAMCATCHER – BREAK THE WALL

Acho o KARD acima uma ótima ideia e, por incrível que pareça, ainda fresca dentro do cenário coreano, que não a replicou em outros acts parecidos. E essa mesma descrição serve também para o Dreamcatcher. Incrível como alguns anos desde o (re)debut se foram e nada do K-Pop trazer mais e mais gatinhas demoníacas soltando uma rockzões macabros. Melhor para elas, que seguem sem muita concorrência nesse nicho, se permitindo variar entre as múltiplas possibilidades que sua sonoridade assinatura dispõe. Das faixas delas em 2020, a que mais curti e que mais durou de modo incansável em meu celular foi o baladão gótico trevoso de “Break The Wall”, que bem que poderia ter sido trabalhado como title em vez de “Boca”, pois eu adoraria um MV caríssimo com elas sendo sacrificadas num ritual wicca enquanto destroem muros imaginários ou algo assim.

52. KODA KUMI – RUN

Eu serei crucificado por Dougie e pelos outros seis fãs de j-véias que ainda acompanham esse blog, mas adorei os dois EPs que Kodão soltou esse ano em comemoração aos seus 20 aninhos de debut. Yup, foi outra babozeira yinyang de “mostrar lados opostos” que resultou numa num mini revelando seu lado cachorra (cujo maior destaque aparecerá mais pra frente) e em outro refletindo seu lado mais fofinho. Desse aí, eu fui totalmente desarmado por “Run”, a famosa faixa roubada pelo aespa antes mesmo do lançamento. A Koda transmite nela uma vulnerabilidade vocal bem passional e bonita que há muito ela não explorava em suas baladas. É, basicamente, ela e o piano na maior parte do tempo e, céus, é tão lindo e envolvente, bem o tipo de coisa ideal para uma data comemorativa importante assim. Que venham mais duas décadas de muito empenho (porque sucesso mesmo eu duvido), Kodinha.

51. FEMM – BURY ME (WITH ALL MY $$)

ESSA PORCARIA! Se vocês aí, capopeiros preguiçosos, ainda não tiverem clicado em nenhuma das faixas japonesas que não conhecem, comecem por essa palhaçada aqui onde o Jay-Z e o Kanye West têm suas carreiras invalidadas pelo FEMM, que esbanjam todo seu SxWxAxG num instrumental esquisitíssimo e “aterrorizante” numa letra inacreditável que deve servir de palavra divína para todo e qualquer rapper que esteja tentando emplacar uma carreira daqui em diante. Nicki Minaj? Kendrick Lamar? Gowon? Outro dia, declararam que não seriam nada sem a presença das manequins em suas vidas.

50. LOVELYZ – OBLIVIATE

E comecemos então a segunda metade dessa lista com o Lovelyz. Calhou de, por escolhas questionáveis ao longo do programa, o grupo se o único que não tirou bons louros da participação no Queendom. O que é uma pena, pois, no lineup de concorrentes, eram um dos com o melhor repertório até então. Demorou, mas a tal mudança de imagem que elas pareciam buscar (artificialmente) em sua trajetória por lá finalmente chegou (de modo mais orgânico) em “Obliviate”. A canção permanece na zona eletrônica que elas sempre exploraram com aegyo. A diferença é que, para encarnarem um sexy concept mais maduro, elas passaram das referências europeias dos anos 70 para um garage house da UK dos anos 90. Bom para elas, que fizeram valer essa transição em vocais mais sóbrios e que exploram regiões mais graves, e para nós, que babamos com seus novos visuais dentro do MV. A parte lá por 3:13, com elas arrastando coxa no chão pro último refrão, já está nos anais dos momentos de prece à Nossa Senhora da Vara Ereta no K-Pop.

49. CL – HWA

Quando a CL (finalmente) se desvencilhou da YG Entertainment no ano passado, meus sentimentos foram bem… agridoces. Achei massa que ela poderia se dedicar à carreira solo do modo que quisesse e sem os boicotes alheios que vinha sofrendo, mas os singles que ela foi desovando, antes presos pela gravadora, foram TÃO PÉSSIMOS que questionei gravemente seu bom gosto musical. Mas a reação morna aos lançamentos deve ter feito com que ela caísse na real, retornando em 2020 com “Hwa” e servindo na faixa tudo o que o público que acompanhava ela queria desde sempre. “Hwa” é a CL sendo a vesga mais má da nação, destruindo com seu rap afiado em bases dançantes mais pesadas que ficam na cabeça por muito tempo. E taca visual fashionista em tela, uma porrada de takes dela sendo intimidadora, coreografia e até uma drag queen de bailarina para garantir aquele pink money no fim do mês. Os “na na na na na na naaa” soturnos que parecem cantados por um coral de criancinhas mortas são tão sinistros. É essa a CL que eu quero daqui pra frente. Espero que o descarte e adiamento do primeiro álbum dela seja para que uma tracklist baseada nisso aqui seja montada no futuro.

48. NCT U – 90’S LOVE

Aaaarrrggghhh, esse jam inabalável! É bizarro como a SM consegue ir do inferno ao céu com os NCT em questão de repertório. Tem horas que eles separam umas porcarias exageradas demais e idênticas ao que todo e qualquer boygroup de empresa com coisa de 10% do orçamento faz semana sim, semana também. Aí, logo depois, eles vão lá e surgem com uma pepita como “90’s Love”, com referências bem claras e bem executadas, redondinha, sensacional e tão acima da média quanto qualquer act da SM tem a obrigação de ser (afinal, SM, porra). Sou apaixonado por essa aqui e ela só cresce mais em minha cabeça com o tempo. Capaz de, se tivesse saído mais cedo no ano, surgisse bem mais lá pro alto nessa lista, tão boa que é. Isso aqui sim é alto escalão do K-Pop masculino.

47. 3YE – QUEEN

Ainda no pacote de boas ideias iniciado lá em cima, é bastante interessante que, no K-Pop atual onde parece obrigatório colocar o máximo de integrantes possíveis num grupo, a empresa do 3YE tenha tido a coragem de investir num trio. Claro, eles darão com os burros n’água caso uma das minas decida sair e o nome não fazer mais sentido, mas, ahn, é bem destacável tempos de linhas mais espaçosos e tempos de tela melhor aproveitados individualmente. Curti muito o grupo durante o debut no ano passado e sigo curtindo o trabalho delas, que me agradaram em tudinho que lançaram até então. A melhor de todas, claro, foi o pancadão “Queen”, que me parece vindo numa máquina do tempo direto de 2012~2013, quando a moda ainda era dar para girlgroups esses EDMs-bate-cabelo que o Shinsadong Tiger produzia tão bem. A virada de chave do refrão, indo pra baixo em vez de pra cima no tempo, é impressionante.

46. APRIL – LALALILALA

Confesso que eu mesmo me surpreendi por ter gostado tanto disso aqui, tamanha era a minha indiferença perante o April. Culpa da DSP Entertainment, que só fez cagada com o grupo desde seu debut e resolveu sumir com ele da Coreia do Sul após seu primeiro single realmente bom (“Oh! My Mistake” hino atemporal). Mas a espera valeu quando “Lalalilala” viu a luz do dia e nos jogou nessa fantasia dançante purpurinada maravilhosa de viver que é tal música. Eu a escuto e sinto como se uma porção de fadas intergalácticas invadissem o ambiente e despertassem cores em lugares que nem imaginávamos que poderiam ser coloridos. Esse refrão duplo é como um rojão de fogos de artifício quando aceso, só subindo e subindo, até que explode numa maravilha deslumbrante que cobre os céus de vida. Um grande aegyo num ano em que quase nada desse nichinho saiu (que bom, evoluímos).

45. TOKYO INCIDENTS – AKA NO DOUMEI

O melhor dos vários lançamentos do Tokyo Incidents nesse ano e também o melhor da Sheena Ringo num geral em 2020. “Aka no Doumei” (Aliança de Sangue, ui) traz um lado mais despojado do grupo, com um instrumental bonitinho (embora super pesado) que parece retirado de algum desenho animado antigo, o que é ainda ampliado pelo vocal da Sheena, suspirado como o de uma adolescente em alguns momentos, irritado como o de uma velha que fumou dois maços de Malboro antes do café da manhã em outros. O pacote todo é uma graça, uma belezinha kawaii, mas do tipo que vai ter arrastando pruma vala de vício quase purpurinada. Por mim, tudo bem me afundar nela.

44. MIREI – LONELY IN TOKYO

Vários de vocês me indicaram isso aqui pelo Twitter ao longo do ano, até mesmo o YouTube queria que eu escutasse, socando o vídeo na home da minha conta sempre que podia. E me sinto um idiota por ter demorado meses até dar play, pois “Lonely in Tokyo” matadora! Sou apaixonado por essas “músicas armadilha”, que passam uma sensação de felicidade pelo instrumental, mas trazem uma mensagem super para baixo quando prestamos atenção. O clipe com a mina sonhadora tentando a vida idol, mas precisando se prostituir pra sobreviver, é assustador. E o refrão com os batidões house ficará na cabeça de vocês por muito tempo.

43. FROMIS_9 – FEEL GOOD (SECRET CODE)

O título de “Feel Good” resume bem a experiência que é escutá-la. Todos os elementos nela, do instrumental disco dançante aos vocais fofinhos das integrantes, despertam aquele sentimento de escapismo que esse tipo de canção busca acordar no ouvinte. Sempre que “Feel Good” começa, já nos primeiros acordes, minha cabeça consegue se deslocar prum mundo onde não existem boletos para pagar, não existem problemas pra resolver e nem metas para cumprir. Engraçado como o fromis_9 deve ter sido o grupo mais perspicaz nesse ideal disco setentista mesmo sendo um dos que mesclou no instrumental elementos mais contemporâneos junto de tais referências. Tem vezes que o melhor resultado é aliado à menor pretensão.

42. HA:TFELT – LA LUNA

MELHOR SAFADEZA FURRY

HUAHUAHUA com a Yenny deixando o pedantismo de lado, apelando pro latin pop e ainda metendo um cara vestido de coelho pra se esfregar com ela no MV. Dona do meu cu! ❤ “La Luna” tem tudo pra eu odiar, sendo ainda outra demo emulando Becky G que eu já não aguentava mais ser obrigado a aturar no K-Pop. Mas o simples fato dela ser executada pela HA:TFELT faz com que um giro de 180º ocorra em minha percepção, tão inesperado que isso é. E a letra sobre se pegar enquanto fica chapado também ajuda. E aí, alguma fã de furry acordada para pegar minha cenoura enquanto eu uso uma cabeça de coelho?

41. SUNMI – PPORAPPIPPAM

“Pporappippam” é uma graça. Minha parte preferida é a bridge, com a guitarra esquisita e o teclado maluco formando o que parece ser alguma trilha de fundo para qualquer videogame 16 bits que marcou a infância de toda uma geração. E finalmente essa estética retrô, já explorada por ela em outros lançamentos solo, foi estendida para vídeo, uma belezinha de assistir. Com o apoio em tela do que é referenciado em áudio, tudo fica tão melhor. O MV oitentista, com a imagem que parece ter sido retirada de um VHS mofado, cheio de neon e iluminação de boate, é lindíssimo de assistir. Propositalmente ridículo e cafonão, casando perfeitamente com a proposta (o velho do J. Y. Park deve estar orgulhoso). E aquela cena com ela correndo com o oppa no topo do prédio, com o vídeo sendo projetado no telão, é estupenda, uma das mais legais e impressionantes desse ano. Sunmi rainha das noites púrpuras (seja lá o que isso significar na cultura sul-coreana)!

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Na próxima parte, que cobrirá as rankeadas entre #40 e #26, as coisas começam a esquentar de verdade. A partir dela, as faixas passam a ser analisadas com ainda mais afinco e cada posição individual conta. Será que suas favoritas baterão ponto?

Um spoiler maroto para quem gosta de arriscar: 10 capopes (6 de girlgroups, sendo que 3 são debuts e um deles é o melhor debut do ano, 1 de boygroup e 4 de solistas, com um dos grandes virais coreanos do ano) e 5 jotapopes (incluindo a melhor animesong, uma de girlgroup coreano no Japão e 3 de divas pop).

12 comentários em “TOP 100 | As melhores músicas do asian pop em 2020 [55-41]

  1. Lalalilala foi um grande acerto da DSP, depois de passar um ano em hiatus mesmo após o hit OMM eu tava morrendo de medo de darem algum comeback porcaria para elas ( nível essa bomba do fromis9) felizmente reviraram a gaveta de descartadas do KARA e entregaram o hit Lalalilala e o ótimo álbum Da capo, que foi recorde na carreira das lendas e fez elas acertarem números antes nunca visto na carreira de 5 anos, e então teve o hello summer q passou os números do Da capo e até fez elas ganharem um prêmio de estrelas em ascensão e mais um monte de atividade solo pra Naeun fez com que 2020 ser o ano das patroas

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  2. “Eu serei crucificado por Dougie e pelos outros seis fãs de j-véias que ainda acompanham esse blog, mas adorei os dois EPs que Kodão soltou esse ano em comemoração aos seus 20 aninhos de debut”

    Comentando com UM ANO DE ATRASO, mas devo dizer que concordo com você. Os dois EPs ficaram bem redondinhos, sem uma repetição morosa de sonoridade (como aconteceu nos dois álbuns do W Face) ou mudanças bruscas (como aconteceu… bom, em quase todos os álbuns da carreira dela).

    O mal da Kumiko costuma ser a mania de tentar enfiar todos os estilos possíveis de música dentro do mesmo álbum, e no angeL e no monsteR ela conseguiu evitar esse erro – mas ainda garantindo que cada EP tivesse uma certa diversidade (o que ela não fez no W Face Inside e Outside, onde depois das primeiras faixas parece que a gente está ouvindo a mesma música em loop). Talvez seja um sinal de que a solução pra carreira dela seja investir em tracklists mais enxutas… às vezes, menos é mais – e no caso da Kumiko, menos DEFINITIVAMENTE É MAIS.

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