Purple Kiss evoca o K-Pop do começo da última década na boa “Can We Talk Again”

A RBW, empresa responsável pelo Mamamoo, debutará num futuro próximo um novo girlgroup, o Purple Kiss. Não me animo de verdade com essa notícia, pois tenho a impressão de que o Mamamoo foi um enorme golpe de sorte dessa companhia, já que praticamente todos os demais acts que eles desovaram dentro e fora da Coreia não aconteceram de verdade (ou simplesmente desapareceram depois do debut, caso do P.O.P).

Mas pode ser que dessa vez role algo legal, visto as integrantes terem sido promovidas por bastante tempo no YouTube mesmo enquanto trainees e um certo investimento em proporcionar algo sonora e esteticamente diferente do comum à girlgroups atuais estar rolando nesse single pré-debut (que frase enorme, credo), então deixarei um tico do preconceito de lado, já que Can We Talk Again está realmente boa de ouvir e assistir:

Já disse isso e repetirei enquanto achar conveniente: precisamos de acts que se diferenciem da manada atual no K-Pop, pois nos últimos anos os coreanos entraram numa maluquice pouco criativa de seguir tendências e todo mundo soar igual caso não prestemos muita atenção. Não vi tanto problema assim at all, já que a maioria das músicas de artistas que mais acompanho e falo aqui no blog não foi ruim, mas identifico quando começo a ficar de saco cheio de uma mesma nota repetida durante muito tempo.

Então, é ótimo que um eventual nome de alto escalão (imaginando que, um dia, elas consigam ficar tão famosas quando as irmãzonas do Mamamoo), já de início, se preocupe em não ser uma cópia exata do BLACKPINK ou do Twice. “Can We Talk Again” me transporta diretamente para a primeira metade da década passada, onde praticamente qualquer grupo feminino tinha como obrigação entregar uma midtempo sensual, com elementos mais melancólicos, sombrios, mas sempre bastante cativantes em suas construções melódicas. Sistar, EXID, miss A, 2NE1, Girl’s Day, Stellar, AOA, 4MINUTE, Red Velvet e segue a lista. Essa proposta acabou se diluindo com o tempo, pois sensualizar no K-Pop meio que se tornou um tabu (jamais entenderei isso) e só o (G)I-DLE entre os nomes de maior escalão me vem à cabeça fazendo isso depois do aegyo-gate.

O arranjo é bem interessante e, ainda que delicado, possui momentos de punch que dão ao produto final uma dinamicidade bacana. As integrantes cantam bem, não exageram nos vocais, seguem as melodias propostas com a intensidade necessária. Eu gostaria mais caso tivessem dado uma atenção maior ao refrão, construído ele com elementos que o diferenciasse ainda mais do resto da música, mas isso não chega a ser um defeito de verdade, sim eu procurando pelo em ovo.

O MV, diferente da porcaria abaixo, vende bem as integrantes, com elas servindo bons visuais em cenários até que bem detalhados para o pouco orçamento que parecem ter disponibilizado para ele (imagino que estejam guardando verba para quando o debut de verdade chegar, o que faz todo sentido). As cenas na banheira macabra lá são bem bonitas, as tomadas externas usando a luz do farol do carro na estrada também. Um trabalho bem melhor do que o que rolou com o outro single de pré-debut que elas soltaram no ano passado, “My Heart Skip a Beat”:

Rebolar num estacionamento não é o suficiente. Não depois do que acts como o Loona e o KARD fizeram em suas respectivas promoções antes de estrearem oficialmente. Mas isso de lado, a música foi bem legal, embora eu não tenha prestado muita atenção na época. Sei que virem com algo mais rockish num primeiro momento e com uma midtempo R&B em seguida pode confundir a cabeça dos mais desavisados, mas anos ouvindo Koda Kumi, Ayu e outras divas do J-Pop fazendo transições bruscas assim de sonoridade já me previnem de qualquer estranhamento. Por mim, na próxima, elas podem solar um dance eletrônico vibrante para as pistas que estará tudo ótimo!

Enfim, torçamos para que a RBW continue com fôlego para manter essa campanha com o Purple Kiss (imagino que continuarão, já que estão há bastante tempo tentando criar burburinho online para isso) e que o debut não demore tanto. Se continuarem nessa linha, essa será uma opção “mais idol” ao Mamamoo dentro do selo, o que talvez as livre de ser o “grupo B” da empresa em lançamentos e atenção do público.

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