Utada Hikaru está chata como nunca em “Pink Blood”

Eu estou assistindo esse anime aí sobre um ser imortal que assume a forma de quem morre perto dele. Parecia conceitual demais pra mim, mas a execução é bem mais delicada e interessante do que o imaginado. Ele usa como abertura a faixa Pink Blood, novo single da Utada Hikaru.

Diferente da animação, que sabe contrabalancear o conceitinho com artifícios narrativos “pop” suficientes para prender a minha atenção, a Utada deu uma derrapada nesse sentido aqui…

Todo mundo sabe que sou fã da Utada Hikaru, que acompanho o trabalho dela desde que comecei a navegar pela internet em busca de trecos japoneses nos anos 2000, que algumas das minhas músicas prediletas da vida são dela, que acho o “Fantôme” um dos discos mais belos em todos os tempos, que tudo o que ela coloca a voz, no mínimo, me desperta atenção para ouvir algumas vezes a fim de entender do que se trata e por aí vai. Só que ela tem dado umas desandadas meio difíceis de engolir depois da era “Hatsukoi”.

Sempre achei a Utada uma artista que soube entregar boas músicas onde a impressão mais alternativa dela nos era vendida com uma acabamento pop radiofônico bem bacana. O mais recente exemplo dela nessa foi a ótima “One last Kiss”, tema pro filme de “Evangelion” que saiu esse ano. Nela, temos toda uma atmosfera mais “artística”, intimista, quase espiritual expressa na letra e no modo como ela canta, mas o pacote todo é auxiliado por um instrumental tropical dançante popzinho que nos envolve na magia proposta, ao mesmo tempo que nos dá vontade de repetir.

Hino

Mas “Pink Blood” falha nisso, sendo, na falta de uma explicação melhor, “alternativa” demais. Ela me soa muito experimental em seu instrumental minimalista, na interpretação vocal teatral demais da Utada, nas repetições esquisitas do título, nas distorções que ela vai ganhando mais pro final. Ela é quase maçante aos ouvidos, me exigindo um tiquinho de esforço para chegar ao final sem me irritar. E a vontade de repetir é bem baixa. É Björk demais pra mim, sendo que eu nunca vi a menor graça na Björk.

E é uma pena que justamente para esse treco a Utada tenha se dado ao trabalho de sair de casa e gravar um videoclipe com gente despida na água, cavalos e cenários diferentes. Talvez o contraponto pop esteja no clipe bem feito? Sei lá. Comigo, não funcionou, porque não vejo sentido em acompanhar uma música chata só pelo visual bacana. Meh.

Tomara que ela esteja preparando coisas melhores para seu eventual novo LP. Torço para que a tracklist vá mais para o lado de “One Last Kiss” do que de “Pink Blood”, Darenimo Iwanai e Time.

2 comentários em “Utada Hikaru está chata como nunca em “Pink Blood”

  1. Eu gostei da música e do videoclipe (apesar do gatilho que é ver esse povo todo aglomerado no meio da pandemia), achei bem artísticos. Mas realmente, não é o trabalho mais memorável que a Utada já entregou. É agradável de ver e ouvir, mas não necessariamente faz você ter vontade de rever e ouvir de novo logo em seguida.

    Enquanto isso, dona Ayu mandou muito bem com o single rockzão dela (Ayu roqueira é SEMPRE a melhor Ayu), mas tá enrolando até agora pra lançar o clipe do single… espero que seja O CLIPE pra justificar a demora (mas considerando que a avex está por trás, melhor nem colocar muita expectativa).

    Curtido por 1 pessoa

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