Time Machine: quando o MADE do BIGBANG parecia ser legal em “BAE BAE” (2015)

Vem aí do top throwback de 2015 (e mais pra frente no ano o de 2011, se acalmem). Acho o ano de 2015 bastante significativo para o K-Pop como um todo, pois é nele que, em minha opinião, crava o fim da era de ouro e o começo dessa geração, com uma série de coisas que marcam isso ocorrendo ao longo dele. Além disso, acho ele o melhor da última década em lançamentos na Coreia do Sul (no Japão foi logo depois, em 2016), com uma porrada de jams fortíssimos saindo, álbuns de qualidade acima do normal e por aí vai.

Posto isso, como um “esquenta”, pretendo relembrar algumas entre as músicas mais comentáveis daquela época. E a primeira, por incrível que pareça, será do fucking BIGBANG. Voltemos à palhaçada que foi o projeto M.A.D.E. para exaltar a melhor (entre o mar de porcarias) dele: BAE BAE

Uou, disclaimer: esse aqui é um caso de “separar o artista da arte”, que muitos defendem ser impossível, mas eu até que consigo fazer de boa. De uma porção de acts canceláveis do K-Pop, chuto que o BIGBANG deve ser um dos maiores. Ali tem de quase tudo. Desde coisas que eu nem acho que deveriam ser condenáveis, como o uso de determinadas drogas, até infrações bizarras, como todo o caso lá das boates, o atropelamento e uma que me atinge particularmente: a vez que o fortinho lá colocou uma foto dum rapper negro e começou a fazer um barulho que parecia o de um macaco gritando.

Mas tal como ocorre com o AOA, o Red Velvet, o f(x), o GFRIEND e outros grupos que têm integrantes que já falaram e fizeram coisas que acho deploráveis, eu ainda consigo gostar do que já gostava musicalmente neles. O que pesa mais para mim em relação ao BIGBANG é que o repertório deles é tenebroso, com quase nada se salvando. “BAE BAE” é uma das poucas realmente legais de ouvir, mas ela foi uma exceção impressionante em 2015 para o grupo, que estava promovendo o que viria a ser seu terceiro álbum de estúdio, “MADE”.

Conceito!

Para esse lançamento, a YG usou um estilo de divulgação interessante. Como o álbum se chamava “MADE” e essa é uma palavra de quatro letras, antes do LP propriamente dito, o BIGBANG lançaria quatro singles double-a-side: “M”, “A”, “D” e “E”. Na teoria, todos teriam MVs para ambas as músicas, seriam trabalhados nos programas do Raul Gil e receberiam todo o tratamento que comebacks recebem normalmente. Aí, ao fim disso, sairia o álbum…

…só que não foi bem o que aconteceu, já que o álbum só foi lançado mesmo no final de 2016, mas os oito singles de 2015 rolaram todos. E esse estilo de divulgação parece ter agradado os velhotes da YG, já que ele foi mais ou menos usado no mesmo ano com o iKON, que soltou pares de singles até seu primeiro LP, e até tinha começado com o Winner em 2016, que soltaria um álbum chamado “EXIT” e começou suas divulgações só com um EP para a letra “E”. Ah, e teve o BLACKPINK soltando dois double-a-sides de quatro prometidos também, lembram?

Mas voltando ao BIGBANG, que foram os únicos que, de fato, lançaram as oito músicas/MVs, a grande maioria foi uma porcaria. Pelo amor de Uhm Jung Hwa, lembram do drop desgraçado de Bang Bang Bang? Credo. Mas duas se salvaram e aparecerão no top 2015: o pop/rock bonitinho de Sober e, claro, “Bae Bae”.

“Bae Bae” é um número de boygroup muito bem inspirado. É daqueles momentos onde todas as caixinhas que deveriam ser preenchidas são feitas com um cuidado bem legal. O Teddy produziu aqui algo onde o BIGBANG pode mostrar suas melhores armas. Fale o que quiser da YG nessa época, mas eles conseguiam reunir pessoas que soavam “diferentes” ao resto do K-Pop em seus lineups. E nem tô falando da aparência, mas dos vocais mesmo. No 2NE1, nós conseguíamos entender só com o áudio quem cantava o que, as músicas inclusive eram montadas aproveitando essas habilidades. Lee Hi e AKMU também tinham timbres identificáveis de imediato. E era assim com o BIGBANG.

Dessa forma, é bem legal ouvir “Bae Bae” em suas divisões. Começa com o G-Dragon mandando uns papapuns toscões nos versos, aí o babaca lá vai com o primeiro refrão botando o vocal bem melodicamente, então isso se repete com o T.O.P voltando com o rap, pra que o Maionese chegue miando no segundo refrão, aí entra o mafioso com os sussurros da bridge e todos se juntam pro finalzão. É muito divertido de ouvir e repetir. O Teddy não deixa as coisas enlouquecerem do jeito errado, não coloca breaks perturbadores nem nada. Os integrantes se limitam a cantar suas partes seguindo a melodia bobinha e é isso.

“Bae Bae” ainda me diverte demais pelo quão simples, mas ligeiramente torta ela é. O clima viajado do instrumental e das interpretações vocais deles fica ainda melhor com o MV moído no ácido e cheio de piadas sexuais (TIPO UMA CERINGA DE PORRA). É até impressionante pensar que, anos atrás, tinham grupos como eles, o Brown Eyed Girls, o EXID e outros que usavam putaria como concept e isso colava sem que o público enlouquecesse (tanto). É quase inconcebível imaginar um Treasure (só para ficar na mesma empresa) soltando algo assim hoje.

Enfim, sugiro que vocês escutem a música, assistam ao MV e também olhem algumas das apresentações que eles fizeram ao vivo. Essa do Sketchbook acima ainda me arranca risadas com as interações com os velhotes na plateia. Como teria sido legal se o resto do projeto seguisse nessa linha.

Curioso pensar no quão significativo foi 2015 pro K-Pop num geral e constatar que isso se refletiu também no próprio BIGBANG e na YG Entertainment. Houve todo esse plano para trabalhar o “MADE”, mas calhou de debutarem o iKON mais ou menos nessa mesma época e os esforços irem para Bobby, B.I. e os demais rookies, que conseguiram lançar seu álbum em dezembro, enquanto o BIGBANG não. Do outro lado tinha Red Velvet crescendo enquanto f(x) definharia, Twice com miss A e Wonder Girls e por aí vai. Um dia esse livro sobre o fim da era de ouro ainda sai…

6 comentários em “Time Machine: quando o MADE do BIGBANG parecia ser legal em “BAE BAE” (2015)

  1. Big Bang deve ser top 3 boybands do kpop musicalmente falando pra mim, mas faz uns meses que eu não consigo escutar nada deles direito, tenho um pouco de dificuldade de fazer essa separação entre obra e artista. Mas nossa, não sabia que o E foi lançado dia 5 e agora meu toc tá apitando HORRORES @_@

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  2. Tam´bém considero 2015 um ano icônico pro kpop. Maioria dos grupos da época de ouro lançou seus últimos grandes lançamentos nesse ano (alguns até ainda duraram mais, mas lançando coisas de menos qualidade)

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  3. nunca fui fã do big bang,mas gostava deles,existia aquele brilho idol neles juntos e também o fato de não serem bons em tudo; top não sabe dançar,seungri era literalmente apenas bonitinho pro padrões do grupo,e daesung tem uma voz linda e uma coisa engraçada pensar em como a yg ainda mantém esse padrões de idols que só servem pra uma coisa,ninguém além dos fãs chamaria as meninas de pessoas coringa no kpop e eu fiz esse rodeio todo pra dizer que acabei de perceber graças a seu post que o intuito da yg é fabricar personalidades né,eles sempre tentam fazer os integrantes (ou apenas 2 integrantes se o grupo for grande) serem icônicos mesmo se forem controversos,como se eles fossem um brilho de verdade numa cena meio robótica

    mas eu posso tá viajando também

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  4. A única deles que consigo separar um pouco a obra do artista é essa e Sober também_ eles nunca foram meu grupo favorito, só tinha mimamente uma quedinha pelo T.O.P e menor pelo Seungri, que morreu pra minha pessoa, mas já passou e nem ligo muito pra eles agora_
    Mas o que mais gosto de Bae Bae é a melodia, não acho ela tão relaxante, mas também não é tão dançante, esse tipo de sensação eu só sinto com atos aqui do ocidente. São poucos os grupos que sinto isso, e claro, não nego que o mv é divertido.
    Também acho que o ápice foi em 2015. Escuto até hoje um mashupzão maroto na Internet com todos os lançamentos possíveis.

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