Sunmi – Full Moon | Casa da Árvore dos Horrores #01

Leitores, eu não sou dessas pessoas que paga pau para comportamentos gringos. Principalmente vindos dos Estados Unidos. Rolo os olhos quando chega o Super Bowl e parte da minha timeline no Twitter (a ala “nerdola”) tenta me fazer acreditar que acompanha esse esporte chatíssimo; acho o conceito do dia de ação de graças uma baboseira; consigo ler legendas como um adulto; e tenho o hábito de me vacinar.

Mas há um costume estadunidense que eu genuinamente invejo e adoraria que pegasse por aqui: o dia das bruxas! Adoro toda a loucura de se fantasiar no dia 31 de outubro para comemorar e pegar doces por aí, adoro o modo como toda a mídia de lá compra isso e o fato de ocorrer toda uma produção cultural em cima disso, com episódios temáticos em programas de TV, filmes específicos e por aí vai.

E parece que a galera na Ásia também curte o dia, porque são vários os artistas do K-Pop e J-Pop que, frequentemente, utilizam a data direta ou indiretamente como tema em seus releases. Com isso em mente, decidi separar o mês de outubro para iniciar um novo quadro (que provavelmente morrerá nesse mês mesmo), o “Casa da Árvore dos Horrores” (quem aí pegou a referência?).

Nesse novo quadro, eu misturarei dois dois meus lados em evidência na internet: o de fã de pop asiático com o de fã de cinema. Ele funcionará assim: a cada post, eu trarei uma música do asian pop com temática de terror, junto dela, farei uma indicação de filme que tenha minimamente a ver com o conceito escolhido para tal release.

E a faixa que abre essa série é Full Moon, da Sunmi com uma mina que a JYP hoje parece fazer questão de esquecer que existiu…

Antes, um pouco de contexto, porque tem quase 10 anos isso aqui e uns de vocês nem eram nascidos, né.

Sabe a Sunmi, uma das grandes gostosas da atualidade, jurada do Produce 999, etc.? Ela fez parte do Wonder Girls, grupo que, junto do Girls’ Generation e do KARA, arou a terra para que existisse hoje em dia o K-Pop como ele é. Ela debutou no grupo em 2007, mas se afastou da carreira idol em 2010 para “se dedicar aos estudos”. Não, nem precisa de aspas aqui. Ela realmente tirou um tempo para se dedicar aos estudos, sendo substituída pela Lim Feia no line up.

Mas aqueles eram outros tempo no K-Pop. E a Sunmi continuou na JYP Entertainment que, em 2013, re-debutou ela solo na excelente 24 Hours, que foi um enorme sucesso. De modo que esse conceito mais “sexy e soturno” foi o que ditou suas promoções iniciais, rendendo, no ano seguinte, o mini-álbum “Full Moon”, cuja title é essa linkada mais acima.

“Full Moon” é uma música bem emblemática em minha opinião, pois remonta a algo que era bastante comum à minha geração de capopeiros. Nessa primeira metade da década passada, havia uma preocupação estilística nos lançamentos, aquilo de dar um “conceito” às músicas e clipes. Mas não num sentido muito sério (como ocorreu com o BTS e depois se tornou uma marca no K-Pop da SEGUNDA metade da década passada, sendo replicado com o Loona e etc.), sim prum lado mais farofeiro da coisa.

As gravadoras pensavam: “puxa, e se colocássemos essas gostosas fantasiadas de ladras para rebolar ao som de uma música sobre elas serem gatinhas, será que dá certo?” E DAVA! E foi isso que rolou com “Full Moon”. O Brave Sound (o compositor, não o comentarista da blogosfera) e o velhote do J. Y. Park escreveram uma música sobre transar numa noite de lua cheia, aí montaram um MV estilizado com tema de história de vampiro (provavelmente porque meter a Sunmi e a Lena, já chego nela, numa fantasia de lobisomem ficaria tosco demais) e *BOOOOM*, um enorme jam.

Eu sou APAIXONADO por essa música. Ela é uma das minhas midtempos-sensuais-brave-sound-drop-it prediletas em todos os tempos. O clima envolvente que o instrumental R&B misturando teclados com a guitarrinha safada lá e a bateria esquisita é impossível de não se deixar levar. O jeito como a Sunmi coloca a voz dela, mais frio, afastado, é hipnotizante. As melodias são todas muito grudentas. O refrão duplo é uma graça. Os eh eh eh eh eh ficam na cabeça para sempre.

Embora não esteja creditada no MV no YouTube, a faixa é uma parceria com a Lena. À essa altura, a Lena era uma trainee da JYP que, eventualmente, debutaria num grupo chamado 6MIX, com quatro gatinhas que hoje estão no Twice e mais uma aí que não venceu o reality e pediu demissão da gravadora. Por algum motivo que nunca achei a explicação, a Lena acabou saindo (ou sendo demitida) da empresa, matando o grupo que estaria para debutar e aí vocês já sabem o resto.

O mini é uma joia que vale ser redescoberta. Todas as faixas seguem esse clima sombrio sapecão. Além da Lena, ele conta com a participação da Yubin em “Who Am I?”, um pop de instrumental que parece retirado de um western soturno, do Jackson em “Frozen in Time”, um R&B Mariah Carey bem passional e da HA:TFELT em “If That Were You”, mas só na versão física como faixa bônus. Ou seja, é um grande mexidão de contratados da JYP daquela época. E ainda tem “Burn”, o grande pancadão eletrônicos do álbum que a Sunmi ainda hoje segue performando em seus shows:

Há uma IMENSIDÃO de filmes de vampiros por aí. Sério. SÉRIO! Algumas listas no Letterboxd contém até mais de 500 títulos diferentes para se aventurar no gênero. Mas como a Sunmi é um grande gostosa vestida de vampira nesse MV, me lembrei de outra grande gostosa vestida de vampira: a Salma Hayek em Um Drink No Inferno.

Esse é um filme de 1996 dirigido pelo Robert Rodriguez (de “Planeta Terror”, “Sin City”, “Pequenos Espiões”, dentre outros) e escrito pelo Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”, “Kill Bill”, “Era Um Vez… Em Hollywood”, por aí vai). Na história, acompanhamos uma dupla de ladrões, interpretados por George Clooney e pelo próprio Tarantino, que sequestram uma família num trailer para irem do Texas ao México fugindo da polícia.

As coisas parecem controladas e “normais” (dentro do que um sequestro pode ser), mas tudo se transforma numa loucura de terror quando, próximos à fronteira com o México, eles chegam numa cidade misteriosa. E aí, vocês precisam assistir para saber o que acontece.

“Um Drink No Inferno” é o meu filme favorito do Robert Rodriguez. Ele traz vários elementos do cinema “B” que o diretor parece gostar muito de explorar em seus longa-metragens, além de ser bem “tarantinesco”, com diálogos e situações divertidíssimas de acompanhar, tão inusitado tudo vai se tornando. Uma das minhas cenas favoritas nele é esse monólogo abaixo, com um recepcionista contando as variedades de bucetas que os clientes podem encontrar naquele bar:

Além disso, traz uma mistura de gêneros cinematográficos que, coincidentemente, eu tenho pesquisado atualmente para uns motivos aí: o terror com o western. Devo falar mais disso em outra ocasião, mas acho que é muito legal o quanto esse universos casam, já que os cenários de faroeste, com a lei distante em lugares de difícil acesso, são muito propícios para obras desse tipo.

“Um Drink No Interno”, infelizmente, não está disponível em nenhum serviço de streaming que eu tenha achado. Mas vale o esforço de catar uma cópia no cinetorrent em algum momento.

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12 comentários em “Sunmi – Full Moon | Casa da Árvore dos Horrores #01

  1. Aaaah eu amei, eu adoro post tematizados principalmente quando tem tematica de terror, espero que tenha um das satanistazinhas do kpop dreamcatcher XD Eu já tinha visto esse filme a muuuuuito tempo atras em algum canal perdido da tv acabo, mas agora fiquei com vontade de ver novamente.

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  2. Adorei o artigo e a iniciativa dessa série (ainda mais com o título dos especiais de Halloween dos Simpsons)!

    É incrível pensar que JYP e Brave Brothers já trabalharam juntos; não tinha como não sair algo espetacular dessa parceria. E o MV é fantástico, com a Sunmi mostrando duas versões vampirescas bastante diferentes do estereótipo: uma bem comportada e de cara limpa, mais próxima de um fantasma que de uma vampira, e a outra com vestido burlesco rebolando na neve, rebolando no telhado e onde mais pudesse. Uma pena essa Lena não ter vingado no k-pop, porque acho o rap dela nessa música muito bom.

    E gostei da referência ao Melô da Mulher-Gato do AOA enfiada no meio do texto!

    Curtido por 1 pessoa

  3. super concordo que o dias da bruxa deveria pegar , afinal doce de graça e fantasias seriam otimos juntos .
    Acho que so faria a correção sobre a saida da sumin ja que a gata so saiu em 2009 , em 2007 foi hyuna mesmo, e é essa que o JYP faz questão de querer esquecer que ja foi da sua empresa. A sunmi ele trata mais de boa

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    1. Bem observado; o JYP já até lançou dueto com a Sunmi anos depois que ela já tinha saído da agência.

      (sim, sei que hoje não é o JYP que toma as decisões na JYP, mas também não parece que o atual CEO tem qualquer intenção de apagar ela do histórico da agência)

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  4. Aaaaaaaaah, eu amei o quadro novo, especialmente como amante do Halloween e de filmes de terror. Meu sonho seria que Halloween realmente pegasse aqui no Brasil – eu faço aniversário bem no comecinho de novembro, e já tive um monte de festas de aniversário nesse tema, afinal, desde sempre fui uma criança das trevas, mas nunca tive a experiência de ir pedir doces na noite de Halloween e usar uma fantasia que é praticamente lingerie com orelhas de algum animal.

    Nada mais early 2010s para o Kpop que Brave Sound fazendo bops. Full Moon tem mais replay factor para mim do que 24 Hours, um baita musicão até hoje.

    Curtido por 2 pessoas

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