Raspa no tacho (10/10): Lisa, Key, Jo Yuri e mais

De tempos em tempos, uma porção de trecos saem e, por algum motivo, como falta de relevância para encher um post inteiro, ou falta de tempo deste que vos escreve, acabam não dando às caras aqui quando deveriam. Juntem isso tudo num lugar só e, plim, temos a raspa no tacho.

Key – Bad Love

Já tinha incluído essa aqui no playlist do mês passado, mas acabei não comentando. “Bad Love” é muito legal, sendo ainda outro número oitentista retrô para agraciar minhas audições diárias. Pra mim, um dos números de solistas masculinos mais legais desse ano até agora.

CL – Lover Like Me

Outra inclusa na última playlist, mas que não dei meus pitacos sobre. “Lover Like Me” não é a coisa explosiva que eu esperava da CL nesse momento, mas ainda é uma faixa muito acima das que ela soltou no tenebroso ano de 2019, quando enfim saiu da YG. O instrumental é bem essas tentativas eletrônicas mais viajadas que um monte de djs encarou na segunda metade da década passada, o que conversa bem com a persona que a CL parece querer passar. E eu gosto muito da análise do Wendell Gosto Meu sobre essa letra ser uma indireta ao velhote lá.

Lisa – Money

Também é uma sobra do mês passado. Contudo, diferente do Key e da CL, a Lisa mandou bem mal aqui. Os “dollar bills” do pré-refrão são MUITO desafinados, é até desconfortável de ouvir. E o resto da música, incluindo instrumental, letra e interpretação da própria Lisa, são muito fracos. Incluí nessa lista aqui pela indignação dessa faixa estar sendo “abraçada” pelos fãs, que dizem que deveria ter sido trabalhada como a-side do debut, aí estão fazendo mutirões de audições em serviços de streaming por aí. Ao mesmo tempo, eles reclamam da gerência da YG com esse solo da Lisa, dizendo que um vídeo de performance não seria o suficiente. Mas, cá entre nós, de que adianta reclamar se vocês vão lá e consomem do mesmo jeito? Não faz sentido.

Jo Yuri – Glassy

Essa é mais uma mina ex-IZ*ONE (uma das mais populares, já que ficou em #3 no ranking final do Produce 48) que a empresa, em vez de diluir o hype metendo num novo girlgroup com mais 12 garotas, resolvei debutar como solista. Que bom que os coreanos tiraram uma boa lição da maldição pós-I.O.I. “Glassy” é bem simpática, o vocal mais suspirado dela me lembra o da HeeJin e casa bem com esse tipo de sonoridade. Curti. Tomara que continuem investindo nela. E pensar que ela só tem DEZENOVE anos e já passou por um grupo de sucesso com força o bastante para que ela vire uma cantora solo no K-Pop. Dinheiro bem gasto o da empresa dela na MNET.

Luna – Madonna

Amo a Luna, amo a Madonna, mas detestei a Luna cantando sobre ser a Madonna. O início parece alguma música ruim do Glee, a mistura entre o instrumental mais pesado, clubber e dramático dos versos com o refrão oitentista fofinho e a pós-refrão urban ficou esquisita demais, e ela ainda acaba rápido demais. Bleh.

PIXY – Addicted

É aquele papo que eu já mandei algumas vezes aqui: tem tantos girlgrops apostando nessa mesma pegada sonora e visual que fica difícil encontrar diferenças ou mesmo despertar interesse quando já me entregaram esse mesmo produto, só que melhor, dias atrás. Talvez ano que vem eu revisite e curta.

CRAXY – GAIA

Mesma coisa aqui.

Bobagem ocidental da semana que na verdade gerou mais parágrafos do que todo o resto desse post: Jesy Nelson – Boyz (feat. Nicki Antivax Minaj)

Muito legal o debut solo da Jesy, que recentemente deixou o Little Mix. “Boyz” é uma versão para Bad Boy 4 Life, do P. Diddy (que aparece aqui), inclusive replicando o videoclipe icônico lá dos anos 90. Enquanto o P. Diddy bola uma história sobre ele chegando numa vizinhança de branquelos ricos, a Jesy aqui faz uma versão feminina pra isso, onde ela chega nesse mesmo bairro de ricaços conservadores, mas com suas amigas grandes gostosas e dando uns pegas nuns caras descamisados. Pra mim, uma ótima influência, bem executada e que certamente apresentará o que foi feito pelo P. Diddy quase trinta anos atrás para a geração de fãs mais novos da Jesy. Musicão, clipão. E ótima participação da Nicki-que-não-quer-se-vacinar.

Quando ela anunciou que partiria em carreira solo, não fiquei tão animado assim, pois, tal como rola com a Camila Cabello, sempre achei que a voz da Jesy, por ser a mais diferente do line up do Little Mix, só funcionasse mesmo em contraponto com as outras, mais “normais”. Mas mordi a língua e não só estou viciadíssimo nisso aqui desde o lançamento, como não vejo a hora dela soltar um álbum inteirinho nessa pegada em algum momento.

Ah, e está rolando um bafafá sobre a Jesy supostamente estar fazendo “blackfishing”, que é um termo para quando não-negros tentam assumir a aparência negra como uma “estética”, mas sem sofrerem o racismo que isso acarreta. Particularmente, do meu lugar de fala de moreninho do rio, não sei se esse é o caso aqui. Os comentários que vi são apontando o bronzeamento dela, os cachos, as roupas e a sonoridade. Mas sei, pelo tanto de realities podreiras que assisti da MTV na vida, que é comum que a galera no UK faça esses bronzeamentos artificiais. Sei também que usar cachos não é uma apropriação cultural. E se for pelas roupas e pela sonoridade, o próprio Little Mix, sem ela, fez o mesmo recentemente com “Confetti”, uma das minhas faixas favoritas desse ano:

Pra mim, que acompanho o Little Mix desde o The X-Factor, tenho a teoria de que essas meninas já não aguentam mais trabalhar juntas (todas elas entre si, não só as três com a Jesy). Aí a Jesy, que frequentemente sofria ataques dos fãs do próprio grupo e da imprensa por ser “gorda”, jogou a toalha e foi tocar o barco sozinha quando elas enfim se desvencilharam das garras do Simon Cowell. As outras provavelmente ficaram putas, pois ela era uma produtora e compositora importante do grupo, além de ser a com a melhor voz, e resolveram partir pro barraco. E a imprensa, que já não gostava da Jesy, pois “gorda”, foi no barco (pelo amor de deus o tuíte tosco lá da jornalista dizendo que achava que a Jesy era negra, vocês realmente acreditaram nisso?).

Outras artistas que estão mais no padrão magro da indústria também fazem bronzeamento e também apostam em sonoridades e estéticas urban para seus lançamentos (a Ariana Grande, por exemplo) e não são tão problematizadas quanto tem rolado na internet com a Jesy atualmente. A Jesy declarou recentemente que sabe que não é negra (olha onde chegamos, puta merda) e que cresceu e ama ouvindo música negra, além de ter sido apoiada pelo P. Diddy e pela Nicki Minaj, um artista old school e a maior rapper da atualidade. É bem diferente, por exemplo, da Halsey, que diz que “se sente negra” e da Billie Eilish, que diz que a Halsey pode se declarar negra se quiser, com ambas não sofrendo nenhum backlash por isso.

De minha parte, sugiro que vocês desenvolvam um pensamento crítico em cima desse tema antes de jogarem textões no Twitter ou algo assim, pois tudo me parece mais uma treta de bastidores do que uma preocupação genuína dos envolvidos. Existem problemas reais de representação racial e racismo no mundo (que eu mesmo sofro na pele, talvez por isso não perco tempo quando rolam esses surtos coletivos de Twitter). Até porque, se for pra falar de apropriação da cultura negra, vocês sabem então que quase todo o K-Pop seria cancelado, né? :V

6 comentários em “Raspa no tacho (10/10): Lisa, Key, Jo Yuri e mais

  1. Eu queria muito que a Jesy continuasse no little mix, mas tava na cara que ela seria a primeira a sair. Tava torcendo pras meninas copiarem alguns grupos de kpop: o modelo de seguir carreira solo e continuar no grupo lançando música pelo menos uma vez no ano. Mas parece que Mammamoo não influenciou as meninas.
    Triste.

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  2. Essa da Luna realmente me decepcionou. Eu tinha criado todo um hype na minha cabeça, pensando no pancadão que ela ia entregar (Free Somebody 2.0, vem aí) e… Nada. Beleza, a interpretação vocal está digna de aplausos como sempre, mas ao mesmo tempo que a faixa é too much (mistura muitas coisas, muitos instrumentos e estilos, sem ter muita coesão), falta “algo”: o instrumental é entulhado, mas também é vazio demais, parece inacabado; a transição entre as partes também não é sutil, nem agradável aos ouvidos, e em momento algum a faixa deslancha, e quando parece que vai… Acaba. Tenho ódio mortal dessas faixas de menos de 3min feitas para aumentar o número de streams. Vou só fingir que esse delírio aqui não corrigiu e continuar na vibe #StanLuna.

    Relato de caso: a falta dos melhores produtores que o dinheiro da SM pode comprar, e suas consequências na title-track de uma das grandes vocalistas da sua geração

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  3. Está difícil apoiar minha bias Luna com esses trastes que ela tem lançado depois de sair da SM, infelizmente ela é aquele caso de talentos que só funcionam com uma empresa grande gerenciando carreira. A CL pelo menos já tinha uma marca registrada depois que saiu da YG.
    E sobre a Jesy, eu só descobri ano passado que ela é branca hfjajkaks nesse caso acho que a problematização é válida, pq diferente da Ariana, ela realmente se passa por uma mulher negra, mas né, eu não sou muito articulada sobre esses assuntos então só vou esperar qual a reação do fandom do LM vai ser pq parece que ela se queimou (heh) com eles 😛
    Agora sobre a música, isso parece single rejeitado do Little Mix, acho que até o Blackpink poderia ter lançado isso, no fim das contas ela fez papel de palhaça pq parece que ela tá cantando um cover

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  4. O lance dessa menina do Little Mix me lembrou de pessoas que achavam que as Kardashian eram negras_ inclusive uma participante de um reality show lá de Londres.
    Olha, é bem problemático e acho os debates validos, mas na maioria das vezes no terceiro álbum o povo esquece e nem tocam mais no assunto. Então é só fogo de palha, a mesma galera que gostam de problematizar, deixam de segundos planos quando ganham um “cala boca” mesmo.

    E amei o verso que tu falou de Money sobre os fãs ficaram cobrando a yg, estava de saco cheio na minha timeline o povo procurando pelo em ovo pra falar de gerenciamento e blá-blá-blá, mas aceitaram desde os primórdios essas patacoadas e gastam rios de dinheiro com as coisas do grupo. E claro, a música é horrorosa.
    PS. Me julgue, mas gostei dessa música da Luna justamente por ser a Luna cantando, é uma farofinha boa até. E só de não ser balada já ganha pontos comigo.

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