Perfume – Spending All My Time | Casa da Árvore dos Horrores #05

Mudando de ilha dessa vez, é hora de aproveitar um dos lançamentos mais icônicos do Perfume para falar sobre um dos subgêneros que mais gosto do horror. Coloquem seus uniformes colegiais evangélicos e façam seus exercícios telepáticos enquanto toca um pancadão eletrônico, pois finalmente chegamos em Spending all my time

Hoje nós jotapopeiros velhos da causa vibramos quando o Yasutaka Nakata deixa os maneirismos ocidentais datados de lado e nos serve grandes bops eletrônicos tipicamente “orientais” na loucura, coisa que ele vem conseguindo fazer esse ano, mas passou quase meia década sem nos agraciar com tal bom senso. Mas no começo da década passada a genialidade de produtor dele vinha mais aflorada do que nunca e sempre podíamos contar com bons releases das novinhas ou titias que ele assinava os trabalhos.

Caso do Perfume, que vinha de clássico atrás de clássico com o “Game”, o “Triangle” e o “JPN” e, em 2012, já preparava terreno para o implacável e farofento “Level 3”, que seria lançado no ano seguinte. O segundo single em preparação para o álbum foi “Spending all my time”, que é um paradoxo sonoro em minha cabeça.

Essa música consegue ser, ao mesmo tempo, alternativa e popzona para as massas. A ideia é meio louca: colocar as três repetindo ad infinitum o título da faixa e mais umas palavras como se tudo fosse um tipo de reza robótica, estranha, ligeiramente desalmada. Porém, ao mesmo tempo, rolam uns sintetizadores eletrônicos MUITO farofas por trás, como se tudo fosse uma grande rave e o Perfume só quisesse nos colocar para rebolar enquanto suga nossas almas. E isso é sensacional!

“Spending all my time” não chega a ser a minha predileta do grupo (bate ponto num top 10), mas deve ser o lançamento que mais compila o que é o Perfume num todo (ou seja, é a ideal para panfletar para novos ouvintes). E boa parte disso se dá também pelo videoclipe BIZARRO.

Nele, as mocreias aparecem trancafiadas num lugar mofado enquanto exercitam suas habilidades paranormais adivinhando cartas, quebrando coisas, entornando colheres, flutuando e por aí vai. Parece até algo meio “simples” para ser tratado num post sobre lançamentos de terror, mas o estilo me lembrou um dos meus filmes favoritos de um dos “movimentos não oficiais” mais legais do cinema clássico:

Durante o período da Guerra Fria, o cinema ocidental soltou uma porção de “filmes propaganda anticomunistas”. Claro, eles não eram descarados nessa pauta, mas disfarçavam esses ideais antissoviéticos em suas tramas, onde havia sempre algum mal inexplicável e muito difícil de ser batido, geralmente não-humano, que dependeria da inteligência “capitalista” para ser abatido.

E uma das maneiras de melhor fazer isso era através de história de ficção-científica misturadas com terror. Nessa, uma porção de clássicos do gênero nasceram, como “Invasion of the Body Snatchers” (um dos meus filmes favoritos DA VIDA), “The Quatermass Xperiment”, “The Day of the Triffids”, “Them!” (o sensacional filme das formigas gigantes) e, dentre outros, o escolhido desse post, “Village of the Damned”.

Aqui, após um evento inexplicável onde uma cidade inteira adormece, mulheres em idade fértil nela descobrem que estão grávidas. 9 meses depois, nascem bebês loiros de olhos claros com poderes telepáticos que, conforme vão crescendo, operam como uma mente única que quer controlar todos por ali. O paralelo “pivetes malditos de aparência soviética que querem controlar nossas mentes como se estivéssemos no comunismo” é hilário visto hoje em dia, mas o filme segue espetacular de qualquer maneira.

Pelo que olhei aqui, a única maneira de assistir oficialmente é alugando ou comprando pela Apple, então façam a festa nos meios desoficiais assim que puderem.

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