Narsha – Bbi ri Bba Bba | Casa da Árvore dos Horrores #06

Parafraseando Inês Brasil: “Uuuuuuuuui, que deliciaaaaaa!”

Vou dar uma de velho saudosista aqui e dizer que eu sinto um pouco de pena de vocês, capopeiros mais novos, que não vivenciaram o auge do Brown Eyed Girls. As quatro gostosas serviam os sonhos molhados de todo fã de girlgroups pop ali na virada dos anos 2000 pra década passada, com um repertório que hoje é até curso em comparação com outros acts, mas envelheceu como vinho, irretocável.

Uma curiosidade nisso é que, por algum motivo, o grupo soltou uma porção de releases que utilizaram o horror como um conceito. E hoje temos, tanto com elas juntas, quanto nas atividades solo, várias gemas que podem ser destacadas como faixas capopeiras para o Halloween.

Isso posto, em 2010 a Narsha debutou como solista com um mini-álbum autointitulado que eu cheguei a colocar uma porção de faixas ao longo do top de tal ano aqui no blog. A que rankeou mais alto, claro, foi o single, Bbi ri Bba Bba, até hoje um dos meus trecos de solista prediletos.

Aos ouvidos, “Bbi ri Bba Bba” é tão encantadora quando sinistra. É difícil bolar um popão chiclete assim, assumidamente armado para nos cativar, mas utilizando elementos tão tensos no instrumental. Sempre que ouço “Bbi ri Bba Bba”, sinto que estou preso numa espécie de cantiga soturna, como se uma sereia estivesse tentando me atrair para o fundo do mar e eu mal tivesse forçar para lutar contra. Gosto muito de como os sintetizadores vão crescendo no refrão, pois ela vai acompanhando eles vocalmente, com uma interpretação mais suave, sussurrada, até que chega o fim e tudo explode, o teclado atrás, a percussão e a Narsha mesmo, gritando angustiada.

Falando assim, parece até algo meio alternativo e “antipop” de apresentar, mas, como eu disse, o que ela tem de sinistra, tem de encantadora. Pois, no fim, é um bubblegum pop bobão, com melodias cativantes, de fácil reprodução e toda uma cama sonora irresistível. Boa sorte para vocês tentando tirar os biri baba biri bebe baba bebe be be beeee repetitivos. Boa sorte também tentando não entrar numa espiral mental ao imaginar o que fariam caso estivessem no lugar do cara desse MV.

HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA, atuação!

A história começa quando o trabalhador de construção civil acima fura demais o chão enquanto usa sua britadeira. Só que uma luz começa a sair desse buraco. Seria uma passagem de esgoto iluminada? O teto de uma estação de metrô? Ou mesmo uma passagem secreta entre casas? Ele dá uma olhada e descobre que abriu uma passagem para o reino da Narsha, uma espécie de imperatriz demônio da sacanagem ou algo assim.

Ele não consegue resistir à figura perigosamente deslumbrante da gostosa de olhos castanhos e, por fim, ele se deixa levar e acaba absorvido por aquela realidade. Lá dentro, ele passa de “normal guy” para um bad boy sombrio após fazer amor com a Narsha pela primeira vez. E então, temos toda a visão de como é esse “inferno”, com uma porção de cenas da Narsha sendo uma capetona gostosa em cenários góticos luxuosos e de natureza mais fria. No fim, infelizmente (para ele), o cara acorda e percebe que tudo não passou de um sonho, precisando agora voltar a sua vidinha normal de trabalho excessivo e prazer limitado.

Esse vídeo é fantástico! Acho muito interessante como misturam uma porrada de referências para construir na Narsha uma figura que, de fato, poderia ser vista como uma rainha ou deusa de alguma dimensão ou planeta aterrorizante. Rola uma porrada de takes sensacionais.

Adoro a sequência em que ele olha no buraco, aí a câmera corta para o olho dele aparecendo atrás do buraco e depois para a Narsha olhando para cima. Adoro também a parte bizarra em que ele acorda sem roupa ao lado dela, no meio do mato, sem entender o que está acontecendo. Me parece retirado dum plot que poderia ser usado em algum filme europeu cult para maiores que faria barulho num Sundance da vida, mas jamais chegaria ao Oscar. 

O engraçado disso tudo é que isso aqui foi um hit à época, pegou #6 na Gaon e tudo, mas a Narsha meio que não continuou sua carreira solo daí em diante (enquanto a Gain, que também fez sucesso, recebeu mais uma porção de comebacks). Qual será a treta de bastidores que rolou pra que isso acontecesse? Adoraria saber.

Enfim, vocês não tenham escutado o “NARSHA” na época que eu panfletei ele aqui durante o top 2010, façam isso o quanto antes. Todas as músicas são muito legais e variadas entre si. “Queen” e “Fantastic” são as mais legais e também vão nessa onda de pop sensual soturno, enquanto “Radio Star”, por incrível e mais descolada dessa tracklist que pareça, é um ótimo k-pop meets bossa nova.

Eu sei que faria bem mais sentido trazer “A Hora do Pesadelo” (filmaço, inclusive), já que é a referência mais clara do MV com os bailarinos usando a roupa do Freddy Krueger. Contudo, igual rolou com “Psicose” posts atrás, acho que esse é um filme tão clássico e tão já dentro da cultura pop num todo que seria óbvio demais.

Então, minha indicação dessa vez será o recentinho Corrente do Mal (ou “It Follows”, no original). Lançado em 2015, ele se tornou uma febre da onda “pós-terror” (que é um nome hipster que cinéfilos mais pedantes inventaram para nomear filmes de terror mais “conceituais” e não admitirem para si mesmos que gostam de terror e pronto). Nele, há uma maldição sexualmente transmissível, onde uma criatura misteriosa, que toma a forma de qualquer um, irá andar lentamente e assassinar aquele que transou pela última vez com o que foi amaldiçoado.

Para se livrar da DST maldita, a pessoa contaminada precisa transar com outra pessoa e passar ela pra frente. Só que, caso essa pessoa morra, a maldição volta para o que passou ela. Ou seja, os contaminados precisam passar ela em diante ad infinitum, ou todos morrerão. Nessa, acompanhamos uma garota que recém foi pega nessa armadilha e, agora, precisa fugir do monstro, que a persegue andando, lentamente, mas sem desistir.

O filme é bizarro, a ideia de uma maldição assim é assustadora e o jeito como ele é filmado, com a gente não sabendo quem é o monstro na tela (tipo, pode ser qualquer pessoa no elenco, em qualquer ponto, ele virá andando lentamente do modo mais macabro possível) é perturbador. Tem uma cena em que ela está na sala de aula, olha da janela e, lá no fundo, está vindo alguém, beeeem devagar, que não para. Deus me livre!

E nós podemos traçar aqui um paralelo entre o MV da Narsha e o filme, já que ambos falam sobre se deixar “cair em tentação” para algo que é tão bom, mas sem saber que os custos futuros disso possivelmente serão fatais. Grande single, grande filme. Tá na Netflix.

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