Go Won – One&Only | Casa da Árvore dos Horrores #09

Inicialmente, eu tinha pensado em só falar sobre músicas boas nessa série. Entretanto, resolvi abrir uma exceção para falar de One&Only, debut solo da Go Won na época que o Loona ainda revelava uma garota do mês a cada não sei quantos meses…

2018 já é tempo o suficiente para algo ser considerado “velho” pro público atual do K-Pop? De qualquer forma, é sempre bom rememorar.

Lá em 2016, a BlockBerryCreative, um braço da Polaris Entertainment, conseguiu chamar certa atenção dentro da fanbase internacional, ávida por teorias e subtexto dentro de releases capopeiros por conta de lançamentos recentes do BTS, anunciando que iria debutar um grupo chamado Loona dali um ano. E levando a sério o nome do grupo (que significa “garota do mês” em coreano, mas tem o significado de “lua” pro resto do globo), eles dariam um debut solo de pré-release para cada uma das 12 integrantes para criar um burburinho em cima.

O resultado vocês se lembram: nessa jogada, vieram também subunidades do grupo antes mesmo do prato principal estrear, com divulgação de MVs, álbuns físicos e até participações nos raul gils de lá. As coisas só começaram a esquentar de verdade comigo a partir da Kim Lip (“Eclipse” deve ser o meu segundo K-Pop predileto dessa década que passou, explico isso quando entrar de férias) e quando o ciclo final com o yyxy foi anunciado, a criatividade do Jaden, produtor por trás do projeto todo, estava no talo.

O 1/3 veio com o aegyo, o Odd Eye Circle com o sexy. Todos se perguntavam: o que o Loona apresentaria agora? E a resposta foi um… grupo de terror. Não tão nítido, como foi com o Dreamcatcher, nem tão despirocado, como o Red Velvet, o yyxy caminhou lançamento a lançamento a narrativa do Loona prum lado mais sombrio da coisa, naquilo delas serem o oposto do que as demais garotas representavam até então. Havia começado com Sweet Hino Love, mas se consagrou aqui.

Partiu da Yves jogando maçãs, seguiu com a Chuu morrendo na noite de natal, fechou com a Olivia sendo um anjo caído em Egoist e todas elas a rejeitando em Love4Eva. Todos esses videoclipes funcionam legal como narrativas de horror, mas o que mais se destacou nele e mais deixou claras as referências usadas foi o da filha do meio, Go Won, em “One&Only”.

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Antes de tudo, tiremos o elefante branco da sala: “One&Only” é UMA MERDA como música! Eu gosto? Sim! Eu me divirto ironicamente, tal como toda a galera que coloca a Go Won como a nova Eminem ou Nicki Minaj dessa geração? Claro! Mas a música é uma merda.

O instrumental é meio repetitivo e necessitaria de alguém com uma interpretação vocal mais interessante para tirar leite de pedra dele. Não é o caso aqui, já que a Go Won parece não ter qualquer técnica e passa três minutos inteiros RECITANDO a letra com sua voz de esquilo em vez de cantar e dar camadas e diferenciações a cada nova seção. Calha do resultado final ser maçante ao extremo.

Mas faz a volta, porque uma parcela raríssima dos orbits (que costumam se levar a sério demais num geral, mas aqui deixaram o pedantismo de lado e abraçaram a piada) resolveu brincar com o fato da Go Won não cantar nada e meteu uma porção de montagens com ela junto da Nicki Minaj, da Peppa Pig, ficou espamando comentários sobre a Go Won ser a reencarnação de 2PAC em vídeos no YouTube e por aí vai.

E aí, “One&Only” fez a volta e se tornou cult. Que bom! Pisou na outra única música ruim dos solos do Loona, que nem pra fazer piada serve, já que todo mundo dorme antes de chegar na metade dela.

k-gifs — ONE & ONLY; GOWON / LOONA

Mas voltando ao horror, “One&Only” faz muito bem ao abraçar o que, segundo eu mesmo, é a maior influência do cinema de terror de todos os tempos: o expressionismo alemão. O DigiPedi aqui, para dar segmento à historinha de a Yves “recrutando” gatinhas com suas maçãs numa parábola sobre a autoconfiança ou algo assim, joga a Go Won como uma princesa presa numa mansão de rotina esquisita.

Para ilustrar a esquisitice desse lugar (e do que parece ser a cabeça da Go Won na história), são colocados cenários grandes, meio distorcidos, sombras, partes que se completam com a imagem da Go Won e coisas assim. Isso é uma herança fortíssima do cinema alemão pós-primeira guerra, em que a situação social era tão devastadora que os cineastas bolavam filmes de terror e ficção científica sombrios que, em tela, davam conta de expressar o pesadelo que era a vida naquele momento.

Sou apaixonado pelo expressionismo alemão, mas sei que é algo MUITO para nerds de cinema hoje em dia, para pessoas que realmente gostam de estudar o assunto. Os filmes são bem densos de assistir, exigem atenção. E são mudos e em preto e branco, coisa que a geração da maioria de vocês que acessam esse blog parece abominar hoje em dia.

De qualquer forma, caso queiram começar a se aventurar por esse universo (que influenciou MUITA COISA da cultura pop além do Loona aqui), sugiro irem logo no melhor: O Gabinete do Doutor Caligari. É sobre um médico psicopata que usa um sonâmbulo para espalhar terror numa pequena cidade. Foi feito em MIL NOVECENTOS E VINTE e é bem mais impressionante que boa parte das produções atuais.

Tá inteiro e de graça no YouTube.

7 comentários em “Go Won – One&Only | Casa da Árvore dos Horrores #09

    1. Pior que se a BBC tivesse investido na Go Won como rapper (ou outra integrante com voz diferente, tipo a YeoJin dos Sapos), ela poderia ter hoje uma nova Jimin em suas mãos. E considerando como a Jimin original foi gigante antes dos escândalos, ter uma rapper com voz diferenciada poderia ser um apelo comercial pro LOONA…

      Em vez disso, jogaram os raps pra HeeJin, porque não era suficiente ela ser main vocal e face do grupo, tinha que ser também a main rapper.

      (pior que eu nem culpo eles, já que a HeeJin consegue ser boa em TODAS as áreas)

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  1. “Pisou na outra única música ruim dos solos do Loona, que nem pra fazer piada serve, já que todo mundo dorme antes de chegar na metade dela”

    Na verdade “Around You” meio que ganhou uma piada muito boa com o remix em versão reggaeton feito por um fã (e que acabou ficando muito melhor que a versão original da música):

    Sobre a seriedade quase tóxica de boa parte dos orbits, acho ela uma pena. Sempre me identifiquei mais com a parte (que talvez seja pequena, não sei dizer) do fandom que gosta de fazer vídeos debochados e memes com elas. A história do loonaverso pode ser “séria” e tal, mas quando a gente vê as garotas em vídeos de bastidores ou dando entrevistas, é impossível não perceber que a característica mais forte delas é o HUMOR…

    (inclusive acho que a BBC demorou muito pra lançar elas no Japão; o perfil caótico das garotas do LOONA parece perfeito pro j-pop – enquanto que no k-pop, que prioriza idols super comportados, talvez seja até bom elas não serem muito conhecidas porque haveria boa chance de se tornarem odiadas pelos deboches, tipo a “traição” da HyunJin no MixNine ou a vez que a Olivia Hye foi num programa de pesca e ficava jogando na cara do apresentador que não queria estar ali)

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  2. A música é ruim? Sim. Mas ironicamente Gowon se tornou uma das minhas favoritas do grupo, porque primeiro: sacrificaram o cabelo da garota em pra pintar só pra as fotos. E segundo: o mv dela é um dos que mais me chamou a atenção, no sentido de focar na história mesmo e esperar o que iria acontecer. Eu particularmente acho o ápice de mvs do Loona, tinha até fanarts na época que infelizmente perdi.
    PS. Olha, nunca pensei na vida que fosse me interessar por cinema alemão, mas fiquei curiosa pelo trechinho escrito.

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