50% de 2022: As 10 melhores músicas do primeiro semestre!

E lá se foi mais um semestre inteiro. Fui dar uma olhada nos outros dois posts que tenho compilando as melhores músicas que saíram nas primeiras metades dos últimos dois anos e é interessante o quanto eles funcionam como um relatório desses tempos de pandemia e isolamento social. No de 2020, ainda sem qualquer notícia sobre vacinas, eu reclamo sobre o ano ser impedido de começar “de verdade” e explico que sinto ainda estar de férias, já que a minha faculdade tinha sido fechada e eu trabalhava remotamente. No de 2021, conto que já havia uma vacina, mas a imunização ainda era escassa por aqui (depois descobriríamos o motivo), e ainda tínhamos que aturar o bostão do presidente dizendo que havia se curado da COVID-19 tomando remédio de piolho.

Agora, em 2022, em certa medida, as coisas parecem voltar ao normal. Eu já estou com 3 dozes da vacinação, em breve tomarei a quarta. A COVID-19 já não é mais um monstro invisível e misterioso, e consegue ser domada por aqueles que tomam os cuidados necessários. Minha faculdade (que atrasou um semestre inteiro e passou outros três rolando apenas online) já retornou às atividades presenciais, já podemos encontrar nossos amigos com uma maior frequência, ir ao cinema, a restaurantes, usar os apps sem medo de morrer e por aí vai. De certa maneira, é como se esse primeiro semestre de 2022 fosse o último desse período bizarro que ficará para a história. Mas isso nós só descobriremos no ano que vem.

Enfim, uma coisa que se manteve nesses posts de 50% é a minha sensação de que, se todo o resto do mundo está uma merda, a música pop asiática ainda segue como um ponto de luz na escuridão. Nesses três primeiros semestres, foi nela onde pudemos encontrar o escapismo descerebrado ideal para deixar o que há de pior de fora para nos divertirmos sem restrições em nossas cabeças através dos nossos fones de ouvido.

Provavelmente esse top 10 mudará bastante até dezembro, já que foi assim nos dois últimos, mas aqui vão as minhas faixas prediletas do pop asiático lançadas em 2020 até então. Dessa vez, nenhum MandoPop, sendo 5 representantes do J-Pop e 5 do K-Pop. Listas são sempre divertidas, então convido vocês a elencarem também suas prediletas nesse último semestre. Será que sua favorita entrará? Bom, não se for uma do Red Velvet, já que achei os singles delas tanto na Coreia quanto no Japão uma bosta… :V

10. Utada Hikaru – Bad Mode

Fiquei em dúvida se colocava essa ou “Somewhere Near Marseilles” entre as dez mais, pois são as duas faixas desse álbum de Utada que mais tenho escutado nos últimos meses. Mas calha de “Bad Mode” ter uma vibração mais catártica que a torna irresistível. Há algo sobre Utada me dizendo que, mesmo quando tudo estiver uma merda imensa e quando eu me sentir que nem lixo, estará lá por mim, isso tudo enquanto toca um sambão por trás, que é impossível de não se sentir cativado. Depois de uma safra bem mais fraca delu nessa era, “Bad Mode” é aquela title que me lembra o porquê de eu curtir tanto o som de Utada Hikaru.

09. Official Hige Dism – Mixed Nuts

Entra ano e sai ano e sempre venho com o mesmo papinho em listas desse tipo: eu adoro quando artistas e bandas entendem perfeitamente a assinatura que as animesongs precisam ter para representarem os animes em que elas são utilizadas. Em “SPY x FAMILY”, o anime mais legal dessa última temporada japonesa, uma das protagonistas, a Anya, adora assistir e ler sobre histórias de espionagem. E aqui o Official Hige Dandism serve um ska/rock que exprime muito bem a sensação de perigo, porém ligeiramente canastrona, que trilhas sonoras de obras desse tipo costumam ter. “Mixed Nuts” é uma nova pérola dentro do universo das animesongs. Será que algum anime trará algo melhor que isso ainda esse ano?

08. (G)I-DLE – Tomboy

O (G)I-DLE passou por um momento esquisito em sua trajetória após a Cube, que tem um péssimo histórico em lidar com problemas do tipo, chutar uma das integrantes por acusações de bullying, numa história nebulosa onde as pessoas preferem se inflamar demais em vez de lidar com seriedade. Nessa, eu jurei que Soyeon e as outras morreriam na praia para que investissem no LIGHTSUM. O que ninguém contava é que Soyeon é uma puta compositora e produtora, e deu ao, agora, novo grupo seu provável maior sucesso e música assinatura daqui em diante. “Tomboy” é o arquétipo da menina má do K-Pop in a nutshell. Bebe direto da estética de grupos como 2NE1 e, óbvio, 4MINUTE, e mostra que pop/rock feito por garotas sempre pode chegar a um novo nível. Chega a parte lá dos “It’s neither man nor woma-a-a-a-an, man no woma-a-an” e dá mó vontade de subir num carro e começar a bater o cabelo enquanto um prédio pega fogo atrás de mim ou algo assim.

07. Mondo Grosso – In This World

O Mondo Grosso tem uma porção de músicas que estão entre as minhas prediletas do J-Pop. Eu acho impressionante o quão eficaz ele é em conseguir retratar em áudio o que, no corpo, é aquela sensação de frio na barriga quando algo muito emocionante acontece. E esse ano ele trouxe ainda outro jam nesse estilo, numa mescla de música clássica com dance que é como um socão no estômago. No primeiro drop do refrão é como se transbordassem vários sentimentos e fossemos levados em êxtase para um outro plano. É assim que se junta música clássica com pop, Red Velvet. E falando em surrar o conceito de “Feel My Rhythm”, acreditam que fizeram isso na própria SM?

06. Taeyeon – Some Nights

Pra quem não sabe, “Some Nights”, que foi trabalhada como b-side no álbum que a Taeyeon lançou esse ano, é uma reimaginação da suite “Solveig’s Song”, de Edvard Grieg and Henrik Ibsen, presente em uma ópera dos anos 90 feita para celebrar alguma coisa que não entendi bem dos reis da Noruega. O produtor sueco Simon Petrén retrabalhou a ideia e as melodias num baladão meio R&B, meio roqueiro, onde a Taeyeon entrega uma interpretação vocal passional ao extremo. É impossível não ser levado pela bridge e pelos momentos finais da faixa. Pra mim, de longe, a melhor album track desse ano até então.

05. Daoko – Mad

Isso aqui é o puro suco da doença mental. A Daoko é completamente surtada e eu acho sensacional o quão criativa ela é em nos expressar essa falta de parafusos. A maluquice da vez é colocar um idoso pra fritar de bala numa festa em um muquifo podre onde todos os convidados seguram copos vazios apenas porque sim. E nessa, ela serviu ainda outro grande pancadão para bater ponto em tops aqui do blog. “Mad” é exatamente o que diz no título: uma doideira sonora feita para nos jogarmos como se estivéssemos sob efeitos de drogas. Por mim, tudo ótimo! Só não foi o melhor J-Pop desse semestre porque um outro nome figurinha repetida do Miojo também voltou fazendo o que faz de melhor…

04. Wednesday Campanella – Edison

Pois “Edison” é o Wednesday Campanella entregando o que eu mais curti do Wednesday Campanella entre 2015 e 2017, agora com uma outra vocalista. É o mesmo house envolvente e com momentos de puro bliss de trecos como “Aladdin”, “Medusa” e “Ra”, que tanto fazem a minha cabeça. A parte mais pro final, onde entram os sintetizadores “chineses”, é desses momentos em músicas onde o cérebro manda doses altas de serotonina pro resto do corpo e sentimos como se estivéssemos nas nuvens. Eu sei, eu sei, parece deja vu eu exaltar esses três em ainda outro top 10, mas vocês sabem que house é minha criptonita (uma fatia de pudim para quem adivinhar qual o estilo da faixa que ficou em top 1).

03. LE SSERAFIM – Fearless

Eu gosto muito quando uma música faz com que eu me sinta piranhona. Bem periguete, cachorra e perigosa, como se eu fosse uma profissional rodando bolsinha no calçadão de Copacabana pra dopar uns gringos e fazer a limpa nas contas bancárias deles. Aí, ainda faço uns vídeos deles em situações comprometedoras e ameaço divulgar pras famílias caso eles vão na polícia! E é desse jeito que me sinto quando começam os primeiros “pum pum pum pum pum puuuum” de “Fearless”. Acho que desde miss A uma empresa de renome não debuta um girlgroup com um sexy concept tão sapecão assim. Sakura sabe que venceu. Pau a pau com “Eleven” entre os melhores debuts dos últimos anos. E falando nelas…

02. IVE – Love Dive

Eu estava em dúvida se colocava “Fearless” ou essa aqui em segundo, pois ambas são fortíssimas em minhas audições diárias e é dificílimo decidir qual a melhor, mas ocorre de o estilo explosivo de “Love Dive” se sobressair em minha cabeça à sutileza das serafinas, então aqui estamos. Tem muito tempo que eu não ficava tão caidinho por um girlgroup quanto eu fico com o IVE. O line-up inteiro é cativante ao extremo e vende perfeitamente essa fantasia idol de jovens gostosas que irão arrancar o nosso dinheiro em produtos licenciados. Tem uma porrada de partes em “Love Dive” que me quebram: o batidão “mecânico” dos versos, a transição-bate-cabelo pro refrão, aquela paradinha pro “uuh uuh uuuuh uuuuuuuh” no segundo refrão, a bridge putona, o final mais catártico. Qual a predileta de vocês?

01. Kwon Eunbi – Glitch

O que faz de “Glitch”, pra mim, o grande jam a ser batido desse ano é ela ser uma junção de duas ideias musicais que me dão vida: o já mencionado house noventista de ballrooms e o synthpop “retrofuturista” nipônico que associamos ao Yasutaka Nakata. Se os dois conceitos separados já são destrutíveis, juntos… bom, não tem pra ninguém. E ainda melhor é a Eunbi entender exatamente as referências e servir um MV cheio de vogue, feminilidade, carões, looks, bucetinha e piração sci-fi para o nosso entretenimento. Do segundo refrão em diante, “Glitch” engata outra marcha e vai subindo ao paraíso da música pop. Aquele final com as explosões que parecem retiradas de um álbum do Perfume, puta merda, bicho! SOTY até então. E que f(x) seja louvado daqui até a eternidade!

Quase lá: The Weekend, que não incluí por ser da rabeira do ano passado e me dar um pouco de TOC colocar num top 10; INVU, pois no momento prefiro “Some Nights”; MVSK, que perdeu a batalha dos ballrooms pra “Glitch” (e por eu não simpatizar com o Kep1er, mas vida que segue); Overlap 1/1, do Billlie, porque é muito difícil escrever com três Ls em vez de dois; e Eye On You, porque eu parei de malhar.

4 comentários em “50% de 2022: As 10 melhores músicas do primeiro semestre!

  1. Eu tava me achando muito rabugendo por não estar gostando de nenhuma música nova, mas descobri que meu mau humor tinha nome e depois de devidamente medicado tenho que tirar o chapéu: talvez por tudo que aconteceu (e algo chamado TIKTOK), eu cansei de alguns singles de 2022, vide fearless e love dive, mas glitch sobreviveu comigo de um jeito que eu não consigo explicar – isso que eu não tinha gostado e achei bem sem graça quando saiu. Mas hoje não cansa em momento NENHUM. Não sei o que os produtores fizeram, mas parabéns aos envolvidos.

    Se eu fosse fazer top hoje: talvez ‘No Problem’ da Nayeon estaria no top3, porque eu to ouvindo de maneira anormal essa música esses dias; ‘Pity Party’ da Jamie (perfeita); ‘Hurdle’ do Suho – alguém lembra que ele fez comeback?; ‘Love in Space’ do Cherry Bullet; e ‘Glitch’. E o álbum inteiro do TXT, um grande salve para os meus tidinhos.

    (Sem ordem específica)

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      1. Todo ano Ghosting e Magic Island batem ponto no topo do meu lastfm. Esse ano, se não fosse por No Problem da Nayeon, eles teriam meu top3 do last só pra eles (Thursday’s Child Has Far to Go perdeu por pouco o posto de melhor música de 2022)

        Não tem como não adorar esses caras.. foi um acerto enorme da bighit. Meu grupo favorito em uns bons anos.

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