Guarnições #05: Youha – Numb

E eu finalmente fiquei de férias. Estava dando uma olhada nos posts dos colegas para saber o que de legal tinha de lançamentos, aí descobri que, basicamente, nada que preste rolou recentemente, pois parece que todo mundo ficou com cagaço de disputar com o comeback do BLACKPINK.

Eu achei o álbum do BLACPINK uma merda, mas zero vontade de descascar ele nesse primeiro post de retorno pós-sofrimento universitário. E como não tinha nada de novo pra escrever sobre, resolvi ressuscitar e “rebootar” um quadro antigo aqui do blog: o Guarnições.

“Guarnições” é um termo almofadinha da gastronomia para os famigerados e adoráveis acompanhamentos dos pratos: não são o principal do consumo, não é por eles que o dinheiro é colocado, mas caso bem montados, acabam fazendo toda a diferença na degustação final. No mundo do asian pop, isso se reflete nas album tracks e b-sides de lançamentos.

Nessa coluna, a proposta é, sem muito critério além de “eu gostar”, panfletar algumas dessas faixas que não foram trabalhadas como single ou title, mas que seguem valendo a audição conforme os anos foram passando. Antes eu fazia isso com várias por post, mas acho melhor trazer uma de cada vez daqui em diante.

A escolhida da vez é uma das músicas que mais tenho escutado ao longo desse mês: Numb, da ex-futura-2NE1 Youha

Pra quem não lembra e não pegou a referência de futura 2NE1, a Youha é ainda outra gatinha que sofreu por anos no porão da YG Entertainment como trainee para um quarteto que a gravadora, literalmente, apelidava como o “Future 2NE1”. Contei mais dessa história nesse post aqui no ano passado, vão lá ler.

“Abittipsy” foi um dos highlights de 2021 e segue em minhas playlists até hoje. E embora a gostosa não tenha feito sucesso algum, ela seguiu com a carreira de solista, soltando em agosto um EP intitulado love you more,, que é bem bacana, bem completinho em si e com uma porção de faixas acima da média.

A mais mais dele, pra mim, calhou de ser a que fecha a tracklist. “Numb” é mais uma música a seguir a nova onda “pop punk” que vários acts, principalmente femininos, têm seguido no K-Pop. Bom para todos nós! Sempre tive a impressão de que essa era uma fatia musical que o nicho investia muito pouco. E cá estamos com (G)I-DLE, Billlie e várias outras se descabelando para a nossa alegria como se fossem Avril Lavigne ou pirralhas do J-Pop.

O que me atrai à “Numb” e tem feito dela uma das coisas mais viciantes dessa segunda metade de 2022 em meus fones de ouvido é a passionalidade em todos os pontos dela. O jeito como ela começa só com uns sintetizadores “ondulares” e a voz mais suspirada da Youha é bonito demais. Rola uma bateria ecoada no pré-refrão que também é envolvente demais. E quanto o refrão finalmente surge, tudo explode com as guitarras e a interpretação mais desesperada da Youha.

É interessante como isso tudo casa com o que é contado na letra. As estrofes dos versos têm a cabeça mais no lugar, com o eu lírico refletindo sobre o término de namoro que acabou de rolar, das partes tristes nele, mas meio que aceitando isso embora haja dor. Então o instrumental atrás é mais contido. Mas no refrão ela perde as estribeiras, começa a se contradizer dizendo que não quer se apaixonar de novo, mas se sente paralisada, então precisa queimar esse amor, e que ela ainda está apaixonada. E então, o instrumental explode junto com o jeito que ela canta.

Essa é uma tática manjada que o já mencionado 2NE1 usou mais de dez anos atrás, mas que é 100% efetiva em passar o sentimentalismo “adolescente” que aflora em todos nós quando passamos por um término. E talvez o fato de eu ter passado por uma decepção amorosa recentemente ajude muito a eu ter gostado dessa daqui mais do que a média, pois é como se eu tivesse tomado “Numb” como uma espécie de “hino catártico” pro amor que não vivi. Parte do motivo de existirem músicas é elas servirem como trilha sonora para momentos de nossas vidas mesmo, não?


Aproveitando a oportunidade, a title “Last Dance” também é excelente. Muita gente já usou desses instrumentais “de contos de fadas” no K-Pop, mas o jeito mais melancólico e “sexual” que a Youha interpreta essa proposta faz da faixa um ponto fora da curva e ainda outro grande destaque desse ano. Na real, o mini todo é ótimo, então escutem ele.

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