As 10 melhores músicas ocidentais… da década!

Dias atrás, a Rita Ora estava para fazer um show (HORRÍVEL, fiquei abismado) no Rock In Rio, aí um fã dela compartilhou no Twitter que a plateia ia se emocionar (não se emocionou, porque o show foi HORRÍVEL) ouvindo a excelente “Anywhere”. Nisso, me lembrei que “Anywhere” é uma das minhas músicas pop ocidentais prediletas da década passada e que ela aparecia bem alto no rascunho de lista que eu estava fazendo em 2020 elencando as 100 melhores lançadas no ocidente entre 2010 e 2019.

Calhou de a lista não ir pra frente por motivos que nem lembro mais, mas decidi resgatar essas minhas favoritas desse lado do globo e montar um top 10 de respeito porque… sim. Duas anotações antes de começarmos a lista. A primeira é que, pra efeito de funil, eu só considerei mesmo faixas que estão nesse espectro “pop”. Minha música favorita da última década DE VERDADE é I Sat By The Ocean, um rockzão-vapor-de-virilha do Queens of the Stone Age. Mas quem diabos se importa com rock nesse blog?

A segunda é que, ao fechar a lista, eu me dei conta de que a minha faixa brasileira preferida desse período não estava no top 10. E eu meio que prefiro as do top 10 (e umas outras três ou quatro internacionais) antes dela, então não tiraria vaga de nenhuma para incluir como cota nacional. Isso posto, ela vale uma menção honrosa gostosona…

Menção honrosa: Mahmundi – Calor do Amor

Não sei se alguém aqui conhece o trabalho da Mahmundi, mas ela é uma cantora aqui do Rio de Janeiro que soltou dois EPs oitentistas bem legais no começo da década passada, depois retrabalhou as músicas e relançou tudo em seu primeiro álbum de estúdio, autointitulado, que se tornou um dos meus discos nacionais favoritos dos últimos anos. A melhor música dela e, em minha humilde opinião, melhor música nacional da década, é “Calor do Amor”, que entrega os sintetizadores do Wonder Girls no “Reboot”, mas numa interpretação extremamente calorosa. Uma faixa linda, contagiante, divertida e emocionantemente melancólica na mesma medida. Agora, vamos ao top 10…

10. Janelle Monáe – PYNK

Janelle Monáe atingiu seu ápice como artista, em sonoridade e estética, no álbum “Dirty Computer”. Sempre que o escuto, me sinto transportado para o universo afrofuturista distópico cyberpunk que ela planejou construir. E o ponto mais alto dessa experiência é “PYNK”. O instrumental é esquisito demais, como se fosse montado a partir de uma falha de um computador. Mas o melhor é que ele vai crescendo nos versos até explodir no refrão. E o vocal vai acompanhando isso, levando tudo prum êxtase ao final que é impagável. Uma incrível música sobre uma das melhores coisas do mundo.

09. Solange – Losing You

Um tempão atrás, tentavam vender a Solange como a irmã “mais soul” da Beyoncé, o que resultou num álbum bem fraquinho que absolutamente ninguém se lembra. Melhor pra nós que, depois do flop, a rainha dos elevadores se entregou prum lado mais alternativo e serviu no “True” um EP que meio que ditou sua imagem e sonoridade dali em diante. “Losing You” deve ter ficado como toque do meu celular por uns bons cinco ou seis anos (depois disso, ninguém mais liga de verdade em celulares, então não faz sentido ter um toque). Essa é uma daquelas faixas que envolve o ouvinte numa atmosfera própria, em que os problemas da vida ficam de lado ao longo de mais de quatro minutos de pura fantasia “chill“. Pensem naqueles lo-fi de estudar do YouTube, só que voltados para as pistas de dança.

08. Tinie Tempah, Zara Larsson – Girls Like

O cenário musical do UK é bastante curioso. Enquanto toda variedade de rapper nos EUA dessa época estavam mais empenhados em pagar de fodões enquanto balbuciavam uns troços que ninguém conseguia entender (sim, Fetty Wap, estou falando de você), o Tinie Tempah preferia colocar toda a Europa pra rebolar com um housezão requebrativo ao lado da icônica aposta-que-não-vingou Zara Larsson. “Girls Like” é uma dessas gemas que funcionam para trazer energia em, basicamente, qualquer situação da vida. Uma vez coloquei ela no velório de uma vizinha e a defunta levantou do caixão e começou a dançar. E tenho certeza absoluta que isso de misturar rap com house noventista nem teria passado pela cabeça dele se essa outra aqui não tivesse feito um barulhão no começo da década…

07. Azealia Banks, Lazy Jay – 212

A Azealia Banks é a minha cancelada de estimação. Eu sei que ela já atacou TODO MUNDO, mas a gostosa lança uns bops delícias demais, então quem liga? Ela parece ser fascinada por esse house dos anos 90 e pela estética ballroom, tanto que é nisso que se baseia a grande maioria do seu repertório. E a maior das maiores foi mesmo a que fez mais sucesso, que vendeu ela pro mundo, colocou em uma porrada de festivais e atraiu a atenção de um monte de gente da indústria (aí depois ela se queimou e Kanye, Beyoncé, Gaga, Disclosure, Pharrell e etc. fingiram que nem conheciam). Vocês já ouviram “212”, todo mundo já ouviu “212”. Até hoje segue como minha trilha sonora para quando quero ofender branquelos babacas igual ela ofende a Iggy Azalea na letra.

06. The XX – On Hold

Provavelmente, essa será a escolha mais curiosa da lista. Afinal, o The XX não é bem a primeira opção de ninguém quando comentam sobre esses grupos de electropop hipsters do UK (imagino que o já mencionado Disclosure seja o mais lembrado). Só que “On Hold” é uma daquelas músicas que têm algo, sabe? A junção do instrumental minimalista com a letra bonita (triste pra caralho, mas linda) e os vocais melancólicos deles é de matar. Ela me passa uma mistura de sensações que é catártica. Recentemente, eu me apaixonei pesado e não fui correspondido. É algo horrível e difícil de superar. Imaginem esse sentimento em forma de música. Isso é “On Hold”.

05. Tinashe, Schoolboy Q – 2 on

Tristeza de lado, hora de piranhar!!!1! Na década passada, um número exato de duzentas e trinta e sete gostosas (eu contei) surgiram investindo nesse R&B eletrônico cachorrão pra rebolar gostoso. Quase nenhuma da nova leva sobreviveu de verdade (acho que só a Ariana mesmo), mas a Tinashe, certamente, foi a melhor em todas. “2 on” faz com que eu me sinta como uma dançarina de bordel que está seduzindo um velhote rico fedendo a cigarro, que me pagará um drinque e eu o chantagearei para que ele me banque por uns meses, pois ele não irá querer que eu mostre as gravações que fiz para a esposa dele. Um hino. E a parte do rap é incrivelmente ótima, coisa rara nesse tipo de lançamento.

04. Marina and the Diamonds – Froot

Difícil escolher uma música só como a melhor da Marina. Poderia ser Radioactive, pois tem toda a história de eu ficar dançando ela na fila para o alistamento militar. Ou Hollywood, que foi a primeira dela na qual fiquei obcecado. Mas não tem jeito, “Froot” é imbatível! Ela cantando como se fosse uma sereia por cima desse instrumental de Atari é irresistível. Fora que a letra é cheia de ganchos que ficam na cabeça para sempre. “I’ve been saving all my summers for you” é um verso que eu, de fato, usei durante um tempão (funcionou duas vezes, recomendo). Quem aí quer chupar minha fruta?

03. Rita Ora – Anywhere

Abrindo o pódio com a música que motivou esse post. Aqui entre nós, a Rita Ora é tipo a Claudia Leitte do UK. Maior arroz de festa, pega um monte de emprego, feat., e de alguma forma deu certo, mesmo sem quase nada no catálogo. Contudo, “Anywhere” é um daqueles raios mágicos na garrafa que só capturam vez ou outra na vida. Poucas músicas conseguem esse efeito sinestésico de soar como “brilho”, “glitter”, “luzes” no ar (referência aqui). “Anywhere” é um dos pontos que provam que estar apaixonado e viver grandes amores é muito bom, que mesmo com percalços no caminho (pra eles, tem a do XX mais acima e a próxima da lista), quando a gente encontra aquela pessoa especial, realmente dá vontade de ir pra qualquer lugar com ela.

02. Robyn – Dancing On My Own

Mas, ei, a proporção de corações partidos em comparação aos amores que dão certo sempre é bem maior, então é necessário ter um heartbreak anthem sempre à mão! “Dancing On My Own” deve ser uma das músicas mais catárticas da história das músicas catárticas em todos os tempos e eras e gêneros e países. E conforme o tempo passa, a idade chega e as experiências de vida aumentam, ela ganha ainda. Mais. Significado. O que faz de “Dancing On My Own” uma faixa tão especial é que ela é toda poética, triste e recheada de sentimento, mas tudo por cima de um fucking dance oitentista com melodias chicletes demais. Aqui, a Robyn entregou um pop heaven, certamente um dos mais impressionantes da década passada. Uma pena para ela que eu tenho um fraco por músicas ligeiramente mais idiotas que isso. Logo, a minha predileta da década é…

01. Selena Gomez & The Scene – Love You Like a Love Song

Ooh, a Hollywood Records! Uma máquina de pegar atrizes de séries bombadas da Disney Channel e transformar em estrelas pop. Miley ainda demorou um pouco até revelar suas próprias cores em 2013, quando cortou o cabelo e passou a esticar a língua. A Demi meio que só está fazendo isso de verdade agora. Contudo, a Selena foi uma das que, mais cedo, conseguiu construir uma sonoridade e persona que fazia sentido com a imagem dela e colava atemporalmente. Tá que meio que tentavam vender ela como uma “garota da banda” (onde foi parar o The Scene?), mas o repertório dela no começo da década ainda funciona hoje. Principalmente “Love You Like a Love Song”, que soa como uma produção do Nakata e traz o refrão mais chiclete dos últimos anos. Não sei se “Love You Like a Love Song” é uma música que o Lunei de hoje, com quase trinta, ouviria pela primeira vez e curtiria, mas ela foi incrível para o Lunei de 2011 e segue em sua playlist até hoje. Pra mim, o pop ocidental da década de 2010 não ficou melhor que isso.

Quase lá: Sweet Nothing, Pienso En Tu Mirá, Happy, Dangerous Woman e Faz.

8 comentários em “As 10 melhores músicas ocidentais… da década!

  1. Revoltada que você escolheu Froot para ser a música da Marina quando existe How to Be a Heartbreaker???????????? Hino muito superior, vai. Mas Froot é ótima também.

    Primeiro lugar merecido. Eu curtia muito o trabalho da Selena, porque tinha uma vibe bem “real”, como LLLS e Hit The Lights – que é minha favorita dela – têm: eu realmente sentia que ela estava fazendo músicas com as quais se identificava mesmo, e que tinham alma, por assim dizer, não era só mais uma produção radiofônica robotizada. Curto mais hoje não só por ser objetivamente bom e atemporal, mas por nostalgia e porque tinha uma amiga da época, com quem perdi o contato, que era super fã dela. Sempre que ouço, me lembro dela, saudades. 😦

    Das outras ex-Disneys, gostava da fase rockeira da Demi Lovato (tipo Remember December) e nunca liguei muito para a Miley.

    Como rockeirah eu incluiria These Days do Foo Fighters, que banda que eu adoro e que marcou um período tão distinto da minha vida que nem dá para explicar. Outra que faltou para mim é Judas da Gaga, simplesmente o ÁPICE da época em que ela era afrontadora dos valores da família tradicional.

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  2. eu acho fascinante como o mundo funciona… da pra saber q não é um gay escrevendo esse post porque não tem 3 paragrafos falando sobre como run away with me é a música mais incompreendida da década ou algo assim (eu sou assim

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  3. Dancing on My Own ao mesmo tempo que é uma das melhores músicas da história foi uma das responsáveis pelo cover mais pau mole que eu ouvi na minha vida com a versão daquele Calum Scott.

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