ALBUM REVIEW | Rina Sawayama – SAWAYAMA (2020)

Artistas buscam diferentes reações quando montam seus álbuns. Falo isso levando em conta tudo nele: arte de capa, título, modo como as canções são dispostas na tracklist, instrumentais das músicas, letras, tudo.

Em um de meus discos favoritos da vida, “Stripped”, da Christina Aguilera, é possível identificar, a partir dos elementos que citei, que ela, lá em 2002, fitava fugir da imagem de “disney girl” trabalhada anteriormente, explorando temáticas sexuais, adultas e mais vulneráveis, esbanjando também todo um conhecimento em questão de afinações e estéticas retrôs que, sabe-se lá como, casaram perfeitamente na mistura.

Ouço o “Confessions on a Dancefloor”, da Madonna, e penso em como todo ele soa como um set dance para uma balada de sei lá quantos anos atrás. Ouço o “Purpose”, do Justin Bieber, e quase consigo imaginar ele e seus produtores numa sala comemorando o quão “antenados” com sonoridades que viriam estourar tempos mais tarde eles eram. Ouço o “Lemonade”, da Beyoncé, e a primeira coisa que me surge é um “porra, Jay Z…”

Com isso em mente, não consigo pensar em um intuito melhor que “despertar tristeza” para descrever o SAWAYAMA, primeiro álbum de estúdio da Rina Sawayama – e forte concorrente a AOTY de 2020…

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ALBUM REVIEW | IZ*ONE – BLOOM*IZ (2020)

Sabem aquela sensação avulsa de que todos em seu delimitado nicho conhecem, compactuam, curtem, entendem, se importam, etc., com determinado treco, enquanto você fica totalmente alheio a ele? Lembro que lá por 2011 ou 2012, todos do meu bocó mundinho nerd online estavam aficionados por Game of Thrones, cuja primeira temporada havia acabado de passar. Não só comentavam os episódios, como pirateavam os livros e diziam quase morrer em êxtase com os textos do velhote lá (ainda que fossem traduzidos de maneira não oficial para o português… adolescentes na internet se esforçam tanto para parecerem mais cools e cultos do que são, bleh). Mas eu mesmo só fui começar a assistir o novelão em 2014, quando a quarta temporada estava em andamento.

Tenho a impressão de que isso se repetiu recentemente com o IZ*ONE. Diferente do que rolou com o I.O.I, em 2016, onde eu acompanhei todo o desempenho das integrantes dentro do Produce 101, a ponto de me importar minimamente com o line up e com os rumos que a tão interessante ideia de grupo temporário tomaria, e com o Wanna One, no ano seguinte, que não assisti na segunda temporada do reality, mas acompanhei atentamente através de resumos no blog do Sowon Xiita, eu caguei totalmente para o run do Produce 48, de modo que mal conheço as integrantes do grupo vitorioso.

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ALBUM REVIEW | Ailee – butterFLY (2019)

A cena pop vive de ondas. O K-Pop não se safa disso. Se até, vá lá, dois anos atrás, todos reclamávamos que o cenário feminino era lotado de girlgroups inflados e daquela estética white aegyo bocó muito pouco aproveitável, em 2019, podemos celebrar que o público, aparentemente, envelheceu e está optando por jogar mais luz em releases girlcrush bem mais satisfatórios e propensos a melhores aproveitamentos. O que também vem se estendendo ao nicho de cantoras pop em tal fatia, com várias delas retornando ou se lançando nos últimos tempos. E enquanto gatas como Chung Ha, Lee Hi, Somi e Hwasa têm conquistado bastante sucesso living that pop diva dream

Uma veterana como a Ailee não teve a mesma sorte. O que é uma pena, pois o butterFLY é fácil o seu melhor registro em todos esses anos de vida idol

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MINI-ALBUM REVIEW | Gugudan – Act. 5 New Action (2018)

Tem algo de muito interessante, mas ao mesmo tempo triste, em acompanhar os efeitos colaterais deixados pela explosão que foi a primeira temporada do “Produce 101”. Vocês que estavam lá lembram. A ideia foi ótima: juntar 101 trainees e flopadas avulsas de diferentes companhias fonográficas coreanas num survival show para formar o novo girlgroup da nação. E embora parecesse um processo especialmente megalomaníaco, deu certo ao ser abraçado por uma quantidade considerável de gravadoras, que enviaram suas candidatas a futuras estrelas em massa para conquistarem o quanto de atenção e mídia conseguissem antes do debut.

Ao fim, rolou o I.O.I, um caso estudável de sucesso comercial e cultural, reunindo as 11 participantes mais populares da atração. Infladas pelo spotlight de uma gravadora enorme (JYP, da Somi, ou você acham que “Very Very Very” iria para o colo delas sem a queridinha do velho no line up?) e pela vontade de um canal enorme de TV, as demais gatinhas teriam, nisso, a oportunidade de, após os meses de promoção com o time temporário, iniciarem suas jornadas por suas empresas já com um boost de popularidade. Seriam celebridades já formadas, com um caminho de sucesso à vista.

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