Time Machine: a reestréia do 9MUSES em “Figaro” (2011)

Deixemos a atualidade pandêmica triste de lado um pouco para voltarmos 10 anos no passado, quando ocorria a era de ouro do K-Pop, para relembrarmos o “primeiro” comeback do 9MUSES em Figaro. Esse é um daqueles casos no Time Machine em que há MUITA informação para compilar, mas destaquemos esses primeiros parágrafos só para que eu deite para essa que uma das melhores músicas, de um dos melhores grupos, de um dos melhores anos do K-Pop em todos os tempos:

Então, no final do ano passado, um blog que eu acompanho já há algum tempo, o Jesus Usava Chanel, soltou a parte final do listão que eles fizeram com as 100 melhores músicas da década passada (leiam aqui). Além de colocarem “4 Walls” e “Eclipse” como os dois maiores capopes, o ranking trouxe também ainda outras maravilhas coreanas que muito fazem a minha cabeça, como “I Love You”, “Hush”, “Ice Cream Cake”, “I Feel You”. Contudo, dentre essas, a que calhou de chamar mais a minha atenção foi “Figaro”, do 9MUSES, que rapou um #21 lugar.

Segue a descrição dada no post, a qual eu endosso bastante e me poupará um bocado de esforço nesse post:

(…) “Figaro” pode ser considerada uma das melhores faixas do k-pop da década não só pelo seu refrão viciante com o coro de sete meninas cantando e nem pelo seu “gancho” repetitivo que cai como uma luva no ritmo uptempo da faixa, mas sim pela construção genial que o Sweetune – grupo de produção sul-coreano – teve a perspicácia de pôr junto em uma só faixa.

O instrumental mescla batidas fortes, instrumentos de sopro, guitarrinhas funky e uma bassline eletrônica de uma forma tão bem acomodada que às vezes você nem percebe que todos esses elementos estão lá. Esse marcou o primeiro de uma série de singles incríveis que o Sweetune produziu pras Nine Muses, e “Figaro” em si é uma faixa que conquista sem muitos esforços. Todos os saxofones, todas as vozes em coro e todos os backing vocals te transportam diretamente para um clube disco chiquérrimo e lotado de personalidades avant-garde com selo Andy Warhol de qualidade, tipo um Club 3054, onde o Nine Muses é o equivalente de uma girlband formada por sete Donna Summers.

Eu adoro essa música e, desde então, ela tem sido meu vício diário atual do 9MUSES. Isso porque eu frequentemente tenho vícios no repertório do grupo, que vão se alternando de tempos e tempos. Antes de me aliar com “Figaro”, estava alternando mensalmente entre “Hurt Locker”, de 2015, e “Gun”, de 2013. Ambas tão boas quanto dentro de suas respectivas propostas.

Além da descrição acima, coloco ainda que “Figaro” me desperta um tipo de comportamento “canastrão”, como se ela fosse uma trilha de filme paródia de espionagem, como um alá “Austin Powers”, coisa que o Wonder Girls e o J. Y. Park já haviam feito antes na também ótima 2 Different Tears e a Madonna com o William Orbit literalmente entregaram nos anos 90, com “Beautiful Strangers”, top 10 pessoal meu da velha aqui em casa:

Adoro tudo em “Figaro”. A introdução intensa, a bridge enlouquecedora, os vocais que as meninas colocam. O vídeo é simples, mas bastante efetivo na ideia passada. As 7 minas que estavam no line-up nessa época estavam estupidamente lindas. Enfim, um grande hino que meio que estabeleceu não só a personalidade musical do 9MUSES dali em diante (grande gostosas muito chiques), mas também a do Sweetune como produtores (tanto que, quatro anos depois, eles repetiriam essa fórmula com o Stellar, mas dessa, e da nota 10 que tirei na faculdade por causa desse MV, a gente conversa mais pra frente).

O lance é que “Figaro” acaba sendo ainda mais significante para a trajetória no 9MUSES que só uma ótima adição de catálogo que qualquer girlgroup iniciante gostaria de ter. A galera atual reclama de gerenciamento quando grupo X não recebe tantos comebacks quanto o esperado durante o ano, mas, aqui entre nós, a Star Empire deveria ser estudada como um caso bizarro de falta de controle (ou bom sendo). Desde o debut, muita coisa deu muito errado.

A Star Empire era uma empresa respeitada dentro do K-Pop dos anos 2000, conseguindo colocar na praça acts que tinham relevância nessa época, como o girlgroup Jewerly, que conseguiu um single #1 em 2008, a “One More Time” acima, além de outros sucessos em sua carreira. Mas desde essa época, as coisas já eram esquisitas no gerenciamento dos artistas, pois o próprio Jewerly, que debutou em 2000 com quatro integrantes, teve sua formação totalmente mudada com o passar do tempo, chegando ao fim em 2015 com já nenhuma das meninas originais presentes nele.

E já de início poderíamos prever que seria assim com o 9MUSES. Com tudo registrado num documentário bizarro e triste pra caralho intitulado “9 Muses of Star Empire”, de 2012, ficamos sabendo que já rolavam problemas de bastidores desde antes do debut. No papel, esse deveria ser um grupo visual, mas isso levou a gravadora a contratar várias trainees com mais talentos como modelos do que como cantoras e dançarinas. Com resultado, ainda que fossem todas bem lindas em vídeo, eram poucas as que realmente conseguiam… cantar.

Isso parecia se refletir na intensidade com que a staff tratava as integrantes nos ensaios (o que todos sabemos que é bem normal no tipo de treinamento que idols coreanos recebem, mas ainda assim é desconfortável de assistir, não me levem a mal). No filme, há algumas passagens onde elas são colocadas para baixo enquanto dançam, nas gravações das músicas e tudo mais. Até que, enfim, em 2010, elas debutaram oficialmente com “No Playboy”:

HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA, EU AMO ESSE VÍDEO

“No Playboy”, hoje em dia, não seria considerada um flop muito grande. Pegou um top 60 na Gaon, o single físico vendeu moderadamente, mas naquela época, onde girlgroups eram escassos e a Star Empire ainda conseguia chamar atenção na indústria fonográfica, o desempenho foi considerado um fracasso. E com a apresentação hilária acima, o grupo foi arrastado para lama em comentários fazendo chacota com as meninas.

Então, no meio das promoções, uma das integrantes, a Jaekyung (ex-líder do grupo, deposta por acharem que ela era uma incompetente), pulou fora do barco e resolveu seguir carreira de modelo, deixando o 9MUSES de lado. Para substitui-la, os caras da equipe responsável por elas na empresa forem catar a Hyuna num catálogo de modelos, achando ela muito bonita e que seria uma ótima adição ao grupo. E aí, na reunião de contratação dela, meu segmento predileto do documentário, um deles diz pra ela que já a conhecia, mas que ela não sabia cantar, ainda assim efetivando ela como uma nova integrante. Com um novo line-up, elas voltaram às promoções, reaproveitando uma das faixas do single, “Ladies” (que um monte de gente ama, diz que deveria ter sido o debut single desde o começo, mas eu acho bem qualquer coisa) num “redebut”.

“Ladies” sequer chegou a rankear nas paradas (segundo o wikipédia, huh) e as coisas ainda piorariam para o grupo, pois mais três integrantes deixariam o barco: Bini e Rana, que resolveram ser só modelos dali em diante e não modelos que “atacam como idols“, e a Euaerin, que acabou voltando logo depois (devem ter percebido que ela era uma das poucas que realmente tinha talento ali). Nessa altura, eram 7 em vez de 9 musas, o nome já nem faria mais sentido e a Star Empire estava com um dos maiores fiascos do K-Pop até então em mãos.

Mas as coisas começariam a mudar no ano seguinte (que é quando as filmagens do documentário terminam, o que me leva a crer que tudo foi uma grande maldição cinematográfica), com a gravadora contratando o Sweetune para arrumar a casa. E o primeiro single deles com elas foi, como já dito, “Figaro”.

Vendido como um comeback “entre safras” do grupo (pois eles ainda adicionariam mais duas integrantes mais tarde e esse “7MUSES” foi tratado como uma subunit), “Figaro” foi a primeira boa impressão do público com elas, sendo considerado, por muitos, como o debut de fato do 9MUSES at all. O single vendeu quase 300 mil cópias e, de fato, criou atenção para elas que, no ano seguinte, adicionariam a Kyungri no lineup e teriam seu maior sucesso em todos os tempo com News.

No fim, o 9MUSES nunca chegou a estourar de verdade, sempre ficaram num escalão mediano do K-Pop, descendo cada vez mais conforme os anos passaram e novos nomes de sucesso foram surgindo. Mas seu repertório sempre será acima da média e histórias como essa envolvendo o período de debut delas sempre valerão a visita.

10 comentários em “Time Machine: a reestréia do 9MUSES em “Figaro” (2011)

  1. Eu amo as músicas do 9Muses! Minha favorita é Gun, mas tipo, eu amo No Playboy também, é tão toscamente icônica!
    Sobre o debut stage delas, eu não achei tão horrível assim ?????? acho que já vi piores de outros grupos…

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    1. A grande coisa com o debut stage delas é a época. Em 2010, eram poucos os novos acts no K-Pop, as atenções eram maiores dentro do nicho caseiro lá na Coreia do Sul. Então, elas mandando mal daquele jeito ao vivo inevitavelmente chamaria bastante atenção.

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  2. Eu lembro do vídeo que vi da Sera reagindo a todas as músicas do grupo e, sobre Figaro ela disse: “tudo tá perfeito, né? A gente tava desesperada, demos 110% que tínhamos para que ficasse maravilhoso e ficou LINDO” (a própria é fã das músicas do Sweetune, então nem tem como criticar)

    A propósito, minha preferida é Glue… Até hoje a robótica “I just don’t know what to do” depois do 1 refrão da música está GRUDADA na minha cabeça

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    1. Ah, então foi isso que ela disse no vídeo? Eu fui dar uma olhada enquanto escrevia esse post, mas não peguei direito, pois a parte de Figaro ela fala bastante em coreano. Na hora, só tinha achado que ela se emocionou um pouco quando acabou o MV.

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  3. Figaro é TU-DO!
    Gente, eu sempre ouço essa música com fones de ouvido enquanto caminho e eu me sinto a Beyoncé caminhando em Crazy in Love. Ela é tão contagiante, na playlist de lavar a louça então, performo loucamente.
    É uma das minhas favoritas até hoje, envelhecendo super bem comigo junto com algumas do Miss A e quase todo o repertório do KARA.

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  4. 9Muses envelheceu bem demais, até hj me pego ouvindo os singles e viciando de novo e de novo, minha faixa favorita é remember mas até as mais fracas são GENUINAMENTE BOAS!!!

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  5. minha faixa favorita delas é sleepless nigth ❤️

    <i,
    gente eu não sei vocês, mas no começo eu tinha ranço enorme com elas por causa que para mim, um grupo de 9 integrantes era somente o girls’ generation. bobagem né? mas por sorte eu me rendi a elas com maravilhosa wild, amém. hoje eu amo todas as músicas, só não tanto as do ot4, pois nessa fase o grupo já estava respirando por aparelhos e somente um milagre as salvariam, o que infelizmente não aconteceu…

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