MINI-ALBUM REVIEW | IU – Chat-Shire (2015)

Uma coisa bem comum à música pop é o conceito de coming of age ceremony. Geralmente, esse é um termo usado para algum “evento” onde ocorre a transição da vida infantil/adolescente para a vida adulta. No mundo real, isso pode ocorrer de uma porção de jeitos: primeiro amor mais intenso, primeira relação sexual, primeiro chifre. Em suma, é a perda da inocência. O que é muito utilizado dentro da indústria fonográfica pop. Geralmente, como uma virada de chave na carreira de cantores ou grupos que já eram atuantes bem jovens e querem ou acompanhar o crescimento etário do público que tinham antes, ou conquistar um maior.

No ocidente, são vários os exemplos. Se eu focar só em ex-atores de canais infantis, dá pra montar um parágrafo enorme. Britney, Christina e Justin, que eram do Clube do Mickey e começaram suas carreiras musicais no teen pop tiveram suas grandes viradas falando sacanagens em I’m Slave 4 U e nos álbuns Stripped e FutureSex / LoveSounds. Demi, Selena e Miley, também filhotes da Disney, assumidamente se inspiraram em Britney e Christina quando vieram com seus lançamentos nesse estilo: Demi fria pro verão, Selena boa para você e Miley não podendo parar. E, da concorrência, Ariana fez todo o caminho de princesinha com músicas fofas até vestir uma fantasia de coelha e se mostrar uma mulher fatal.

No oriente isso também é comum. No K-Pop, em especial, é quase institucionalizado. Tem literalmente uma música chamada Coming of Age Ceremony, onde a Park Ji Yoon mancha a roupa branca de sangue para mostrar que agora é adulta. Sunmi, Suzy, Girls’ Generation, GFRIEND, Girl’s Day, TXT, Mamamoo, Loona… a seus jeitos, o que não faltam são acts entregando essa transição como parte da história que querem contar conceitualmente. E aí chegamos na IU em 2015, ano onde ela completou 23 anos (naquilo de “idade coreana”) e se apoiou nisso para mandar todo mundo tomar no cu, quase ser escorraçada midiaticamente, mas conseguir se safar sem dano algum. Afinal, ela é a IU.

Chegou o dia que esse blog falará do Chat-Shire!

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ALBUM REVIEW | Wonder Girls – Reboot (2015)

Vivemos no pop de hoje um momento onde os artistas mais relevantes de seus cenários musicais têm buscado influências em sonoridades do passado. Nos EUA, o The Weeknd se tornou um dos cantores mais bem sucedidos dos últimos tempos rememorando o synthpop mais pesado dos anos 80 em seu último álbum. Paralelo a isso, lá no Reino Unido, a Dua Lipa fez o mesmo do lado feminino, mas indo prum lado ainda mais pop, puxando também referências dos anos 70. Na esteira, outros acts entregaram suas próprias versões de throwbacks, cada um apertando onde lhe era mais interessante: Miley Cyrus, Jessie Ware, Doja Cat e segue lista.

Enquanto isso, da Ásia, um monte de gente na internet era impactado pelo vídeo com o áudio de “Plastic Love”, que aparecia aleatoriamente no YouTube para praticamente todos que pesquisavam qualquer coisa relacionada ao mundo pop oriental. Esse viral não só ressuscitou a carreira da Mariya Takeuchi, como (somado ao sucesso de artistas desse lado do globo) ateou uma chama retrô em um monte de gente do Japão, China, Coreia e etc. O antigo se tornou algo no asian pop e todo mundo quis um jam 70s~80s para chamar de seu.

Mas vocês sabiam que o Wonder Girls já apostava nisso muito antes de ser moda? Pois venham comigo relembrar um dos melhores álbuns da última década…

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ALBUM REVIEW | Red Velvet – The Red (2015)

Dando continuidade ao trabalho de rememoração (sempre quis usar essa palavra, ela é tão adulta) a respeito do asian pop de 2015 como um esquenta para o topzão que virá no final do mês que vem, resolvi também trazer meus dois centavos sobre alguns dos melhores álbuns que saíram naquele ano. 2015 foi um ano bem forte para LPs e alguns dos meus prediletos do J-Pop e do K-Pop dessa década saíram ali. Não é a toa que uma boa parte do ranking está ocupado por album tracks deles.

Sem mais introduções, fiquem ai com a minha resenha completinha do The Red, primeiro LP de estúdio do Red Velvet – e um dos melhores troços lançados na história recente da música oriental…

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MINI-ALBUM REVIEW | Loona – [12:00] (2020)

O Loona deve ser um dos projetos mais interessantes do K-Pop na última década. Os produtores da BBC conseguiram reunir aqui todo aquele clichê que vinha sendo buscado pela fanbase em relação a “conceito” por trás dos releases, não limitando a criatividade em momentos desconexos de videoclipes (coisa que rolava, por exemplo, com o BTS e que até o KARD tentou replicar depois), mas construindo uma narrativa realmente engajante por trás das músicas, vídeos, na ordem em que as integrantes e subunits eram reveladas durante a campanha de pré-debut e por aí vai. A história contada dava margem para diferentes interpretações, despertando o interesse de uma galera online ao redor do mundo.

Mas, convenhamos, de nada adianta o conceitinho se o que vem junto não for realmente legal de ouvir. Já disse antes: o principal do K-Pop é a música. Ponto. Se a música for ruim, não tem pretensão de fanfic que salve o act. E esse aí foi o ponto mais forte do Loona durante um bom tempo. Dos singles usados nos solos ás album tracks de minis de units, elas sempre acertavam e entregavam um material acima da média aos ouvidos. E foi assim também nos dois primeiros EPs delas como um grupo completo, [+ +] e [x x], ambos recheados com delicinhas que, ou fugiam do óbvio feito por girlgroups às épocas (exemplo aqui), ou faziam esse óbvios, mas de maneira bem competente (exemplo aqui).

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