Sunmi vira Mulher-Gato em “Tail”, revisita sua sonoridade na JYP Entertainment e entrega seu melhor single em anos

Manter um blog sem qualquer pretensão profissional na vida adulta, tendo que dividir o tempo entre trabalhos, estudos e Fall Guys (não necessariamente nessa ordem de importância), é bem mais difícil do que na adolescência, onde há menos o que fazer e se preocupar num geral. Nisso, uma porção de trecos muito bons que saíram ao longo do ano e certamente rankearão super alto no eventual topzão mês que vem acabaram ficando sem postagens próprias para ilustrar o quanto gostei deles.

Isso posto, desde que comecei o Miojo, tenho por hábito separar um tempinho ao fim de cada ano para retomar pautas relevantes que acabaram ficando perdidas por motivos desinteressantes. Começou, por exemplo, com a SOTY de 2019. Costuma ser no começo de dezembro, mas resolvi adiantar isso em um mês para dar tempo de ir fazendo sem pressa.

Introduções introduzidas, vamos rasgar uma seda para o melhor single da Sunmi em anos: Tail

Uma coisa que é interessante comentar é a impressão que tenho da carreira da Sunmi meio que ser dividida em duas. Isso tanto tematicamente quanto em relação à percepção do público com ela hoje em dia. Para quem não lembra da história, a Sunmi era uma das meninas originais do Wonder Girls, até que precisou sair do line up e da vida idol para se dedicar aos estudos. Sem aspas dessa vez mesmo, porque ela realmente tirou um recesso na JYP Entertainment para se formar.

Então, em 2013, ela retornou às atividades como uma solista e estourou novamente, chegando a lançar seu mini-álbum temático “Full Moon”, do qual falei no primeiro post lá do especial de halloween e nessa resenha completa aqui de 2018 do Esquadrão que eu nem lembrava que estava no ar aqui. Essa pode ser considerada uma “primeira parte” da carreira de solista da Sunmi, onde, justamente por ter sido limitada a um só álbum, que seguia uma só linha sonora narrativa, me dá uma impressão mais sombria da parte dela, onde a sensualidade e a dramaticidade caminham uma do lado da outra, usando elementos mais orgânicos em vez de eletrônicos como uma base (algo que o velhote produzia muito bem à época).

Corta para 2017, com o Wonder Girl morrendo antes da hora e a Sunmi indo para outra gravadora, se unindo ao Teddy Park e abraçando um outro lado, também muito bom, a partir da Gashina. Essa “segunda parte” solo da Sunmi traz ela como uma cantora mais genérica (não no mau sentido), soltando faixas diferentes entre si, mas que funcionam muito bem (na maioria das vezes, pois ainda detesto Noir), mas tendo no eletrônico o ponto de engate em comum.

“Tail”, então, me é como uma retomada daquela Sunmi do “Full Moon”, pois o que estava lá sonoramente é repetido aqui, também em alto nível. Nos meus ouvidos, ela soa como uma versão pop e modernizada de trilhas sonoras de filmes de espionagem. Essa melodia crescente mais “mecanizada” (como se fosse um Queens of the Stone Age mais leve), em que os sons vão aumentando gradativamente de intensidade casa demais com a proposta. A guitarra esquisita que, em partes, está mais em evidência, mas em outras, está lá no fundo distorcida enlouquecendo abafada pelo resto do instrumental, é gostosa demais.

E adoro também o refrão duplo, que já é fantástico de tão dramático, mas surge com ainda outra seção, ainda mais dramática e energética que a anterior. Na real, se pararem pra prestar atenção, o instrumental se mantém numa intensidade bem forte depois desse primeiro refrão, então é como se a segunda sequência de versos fosse como uma continuação dele. Aí, é só alegria até o final. Sério, que música fantástica!

E que MV fantástico também! Ele é inspirado no filme da Mulher-Gato lá de 2003, da Halle Berry, que foi considerado uma das piores adaptações de HQs da história do cinema por um bom tempo, mas calhou de, esse ano, ser redescoberto como “cult” pela galera mais nova, num movimento parecido com o que rolou com “Garota Infernal”, com a Megan Fox, naquilo de revisitarem filmes “pop” estrelados por atrizes que foram desproporcionalmente rechaçados pela crítica e público que não se importa tanto com problemas quando esses mesmos filmes são feitos por homens (eu ainda não reassisti “Mulher-Gato” depois de adulto, mas lembro que me diverti quando era criança).

Acho o vídeo lindíssimo. As partes referenciando diretamente ao filme, como a queda dela do prédio com a câmera girando, bem painel de quadrinho mesmo, e os gatos lambendo ela no chão com a imagem se afastando, são um luxo. E todo o resto tá no mesmo nível, com destaque especial para a coreografia. Sendo bem honesto, tem um tempão que não vejo uma coreografia tão criativa quanto essa no K-Pop. Aqueles momentos com as pernas das bailarinas fazendo o movimento de um rabo de gato atrás da Sunmi, nossa, enchem os olhos.

No fim, “Tail” é um puta jam que pega o que de melhor tinha da Sunmi na época da JYP Entertainment e traz para o que de melhor há nessa nova Sunmi pós-Wonder Girls. Pra mim, é de longe a melhor title dela em anos. Junto de Sunny, com certeza baterá ponto bem alto no top 100 de 2021.

Um comentário em “Sunmi vira Mulher-Gato em “Tail”, revisita sua sonoridade na JYP Entertainment e entrega seu melhor single em anos

  1. Não é que ficou bom mesmo? Tomara que essa música ajude a limpar a imagem da Sunmi depois da passagem desastrosa dela pelo GP999…

    Isso posto, ela dificilmente vai conseguir fazer uma apresentação como mulher-gato tão memorável como essa aqui:

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