Time Machine: T-ara, “Sexy Love” e o ápice do deboche (2012)

O T-ara retornou recentemente como um novo single que eu não curti tanto. Então, em vez de fazer um post negativo, vou aproveitar que estou preparando um top 20 com os meus capopes prediletos da vida para breve (assim que eu entrar de férias eu finalizo) e relembrar o que, em minha opinião, é a maior contribuição sul-coreana ao pop de 2012 e também a maior faixa do T-ara num todo: Sexy Love. Fãs de “Roly-Poly”, por favor, não tumultuar…

Os novinhos no K-Pop que tiverem o primeiro contato com o T-ara através de “Tiki Taka” estranharão o fato de estarem faltando três garotas na formação. Duas delas, Boram e Soyeon, não estão porque, aparentemente, só querem seguir a vida e não ter mais nada a ver com o grupo. Já a Ahreun acabou coincidentemente saindo após uma série de problemas envolvendo o grupo entre 2012 e 2013 (e outras duas aí também).

Dando uma breve (até demais) contextualizada: o T-ara foi um grupo “azarão” da era de ouro do K-Pop. Girls’ Generation, KARA e Wonder Girls eram a tríade de grandes nomes femininos que meio que ditaram como seria o nicho dali em diante a partir de 2007. Mais para frente, a YG Entertainment, trabalhou o 2NE1 como uma “resposta mina-fodona” aos conceitos mais delicados de grupos femininos dessa época, recebendo como um “doppelganger” direto o 4MINUTE, da Cube, numa rivalidade sonora não-oficial que fez muito bem para ambos os lados.

E muito tangencial a todo esse movimento rolava o T-ara, vindo da CCM (que depois virou a MBK), que calhou de conquistar BASTANTE atenção, mesmo sendo meio trash com comparação com o resto. E leiam esse “trash” com muitas aspas, por favor. O T-ara teve uma porção de contratempos em seus primeiros meses de promoção (eu falei mais sobre isso nesse post aqui), mas o resultado foi muito acima do esperado, fazendo com que elas se tornassem um dos grupos mais populares do K-Pop naquele momento, mesmo sem o poder de uma big3 por trás.

Porém, os olhos do dono da gravadora encheram em cima do grupo. A CCM já tinha em seu quadro de contratados uma porção de trainees femininas (o que deu origem a vários projetos que desandaram nesse mesmo período, mas falo disso numa outra oportunidade), de modo que, em vez de só seguir trabalhando o T-ara na formação atual, com seis garotas no line-up, ele provavelmente resolveu tentar replicar o sucesso do Girls’ Generation com 9 gatinhas e começou a adicionar integrantes paulatinamente. Isso DEPOIS do T-ara ter estourado, atenção para isso.

Começaria com uma menina chamada Hyo Young, mas, aparentemente, ela preferiu não entrar, pois já vinha trabalhando com outras trainees para a formação de um outro grupo (que viria a ser o Five Dolls, mas teve o Coed School nesse bolo também). Então, a vez foi para a irmã gêmea dela, Hwa Young.

Hwa Young debutou no grupo em 2010, que continuou com sete integrantes até 2012, quando incluíram no line-up a já mencionada Ahreun e a integrante de Schrödinger Dani, que estava lá, mas também não estava, fazia participações esporádicas em videoclipes e formações de unit apadrinhada pelo Chris Brown (?) e era prometida ao grupo quando ficasse mais velha.

Sigamos em 2012, com as promoções da “Day By Day” acima. Nessa época, a Hwa Young foi demitida do T-ara. Primeiramente, a declaração oficial alegava que a gravadora acreditava que ela tinha muito talento como cantora e rapper (confiram esse talento aqui) e poderia seguir como uma solista. Coisa de horas depois, falaram também que ela não era assim tão profissional – o que era um motivo bem mais aceitável para uma demissão.

Mas a Hwa Young ficou puta. E aproveitou o spotlight para vender pra imprensa e público uma história de que ela sofria bullying das integrantes. Essa história foi desmentida por um integrante da staff anos depois, que afirmou que a Hwa Young, na real, só era extremamente antiprofissional, prejudicava o T-ara num todo por conta disso e se irritava quando era cobrada pelas outras integrantes.

Hwa Young fingindo ter quebrado uma perna para não fazer um show completo no Japão…

Na época, contudo, isso foi o suficiente para enfiar o T-ara numa espiral de merda que prejudicou bastante a imagem delas. O grupo entrou num estado de ame ou odeie entre 2012 e 2013 (quando elas ainda vendiam MUITO) e, depois, de 2014, só caíram no ostracismo na Coreia do Sul e foram fazer dinheiro com turnês na China.

Então, galera no Twitter querendo pegar lados no atual feud Leia x Fatou, saibam que, geralmente, as coisas não são como parecem ser dentro dessa indústria e que nem sempre a pessoa que vai a publico falar primeiro é, de fato, a vítima.

Mas o que isso tudo tem a ver com “Sexy Love”? Bom, a trama toda com a Hwa Young ocorreu entre o mini-álbum “Day By Day” e o repackage dele, o “Mirage”, que tinha como single, justamente, “Sexy Love”. E uma das coisas mais interessantes nisso é que, provavelmente pela agenda muito cheia do T-ara, ou talvez só como um shade safado em cima da Hwa Young, o grupo (aparentemente, porque não tem provas disso) NÃO REGRAVOU as linhas dela na bridge antes da parte da Ahreun, só meteram um vocoder bizarro pra que ela soasse como um robô, de modo que, no MV, a Ahreun simplesmente NEM SE ESFORÇA para esconder que essa parte não é dela, só mexendo a boca sem se importar em dublar corretamente.

Isso dá para “Sexy Love” um fator de DEBOCHE que funciona muito dentro do lore todo do T-ara. E a música em si já é sensacional, funcionando como uma “transição” entre o T-ara weird disco dos primeiros anos de carreira com o T-ara EDM-pras-boates que elas se converteriam já no ano seguinte, com a apocaliptica “Number 9”, que TAMBÉM pode ser lida como um socão da cara da Hwa Young, já que ela foi a nona integrante a passar pelo T-ara (que debutou com 6, mas começou os trabalhos de pré-debut com 5, aí duas delas saíram e resto é história).

Hino!

Em minha cabeça, o T-ara sempre será um dos maiores grupos da história do K-Pop. São as nugus que deram certo. E “Sexy Love” é o ápice musical e fofoqueiro de tudo o que elas fizeram. Tomara que as boas vendas que o single novo parece estar tendo motive elas a continuarem e, futuramente, venham mais banggers como rolavam na primeira metade da década passada.

9 comentários em “Time Machine: T-ara, “Sexy Love” e o ápice do deboche (2012)

  1. O triste é ver que o caso da Hwayoung não ensinou NADA pro público de k-pop. Ela já tinha sido desmascarada quando a Mina ex-AOA surgiu acusando a Jimin de bullying – e embora seja legal que as pessoas não tenham menosprezado a história dela, cometeram o extremo oposto (mas igualmente errado) e tomaram a palavra dela como verdade, cometendo um verdadeiro linchamento moral contra a Jimin (e depois contra outras integrantes do AOA) sem considerar a possibilidade de que a história pudesse ser mentira ou que não tivesse acontecido como a Mina disse que aconteceu… Um ano depois, sabemos que muito do que a Mina contou era mentira (o que não significa que o bullying propriamente dito também fosse mentira, mas mostra que essa possibilidade existe e não é improvável), mas é tarde demais, com o AOA destruído e danos graves causados pra Jimin e pra própria Mina, ambas com a saúde mental fragilizada e ambas sem qualquer chance de conseguir voltar pro mercado de cultura pop e entretenimento.

    O caso do April, embora um pouco mais sério (já que está na justiça), também é outro em que o melhor que os fãs poderiam fazer seria NÃO se meter e deixar os investigadores e a justiça resolverem tudo – mas claro que os kpoppers estão se metendo mesmo assim. Agora temos o caso da Leia e da Fatou no Blackswan, com o lado que defende cada uma usando até de racismo ou xenofobia pra atacar a outra… e por um problema que talvez as duas fossem capazes de resolver internamente.

    O T-ara já tinha implodido quando comecei a me interessar por k-pop, mal conheço as integrantes… e mesmo assim essa história me revolta demais. E quem mais me revolta nem é a Hwayoung (embora seja bem feito que a carreira dela foi impactada depois das mentiras serem descobertas), é o próprio público de k-pop com esse comportamento imbecil de linchamento e mentalidade de manada.

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      1. A opinião deles sobre a Jimin pode até ter mudado, mas a essa altura ela tá destruída… um vizinho dela já soltou pra um site de fofoca que ela tá assustadoramente magra, praticamente não sai do apartamento (tudo bem que na pandemia é o certo não sair mesmo, mas ela não sai pra quase nada), e quando sai está sempre olhando pro chão e evitando falar com os vizinhos (ela conversava com eles antes do escândalo).

        Agora, a Mina voltar pra esse meio, eu acho muito difícil JUSTAMENTE por causa da matéria do Dispatch; a imagem dela ficou completamente queimada, e acho difícil alguma agência querer contratar alguém que a qualquer momento pode querer jogar a imagem da agência na lama igual ela fez com a FNC…

        (a menos que a “outra bonitinha” a que você se refere seja a Seolhyun, mas essa nunca correu risco sério de perder a carreira em primeiro lugar apesar da perseguição pesada – tanto que os kpoppers tentaram exigir que ela fosse demitida de uma novela que ela tava gravando e os produtores da novela nem deram bola)

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    1. Toda geração tem a Hwayoung que merece, né? Fico triste demais com a história do AOA porque não só uma pessoa pode ter sido acusada em falso e ter tido a vida destruída por causa disso (a Jimin, que não sabemos se realmente é inocente ou não), pessoas verdadeiramente e comprovadamente inocentes saíram prejudicadas por conta disso. E apesar de tudo, até hoje a Mina continua insistindo na narrativa de que é vítima, mesmo quando o jogo já virou contra ela e temos provas de que ela mentiu em diversos momentos.

      Essa história da Leia e da Fatou também me cheira mal, viu. Eu sempre sou a favor de ouvir ambos os lados numa situação dessas, e até agora não ouvimos nem um lado nem outro direito: aquele pronunciamento meia boca da empresa fundo de quintal delas não fala coisa com coisa, a Leia por si mesma não disse nada diretamente, e a Fatou apagou o post em que fingia demência quando começou a feder pro lado dela.

      Para ser bem sincera, se houve bullying não sei, mas para a família da Leia ter colocado a boca no trombone, é porque ouviram alguma coisa dela, né. Acho que é bem possível que tenha acontecido algumas coisas ruins dos bastidores: a xenofobia impera na indústria, e para a Leia ter sido jogada de escanteio e ignorada pela empresa e outras integrantes por ser BR é um pulo (e apesar da Fatou não ser belga, ela cresceu lá e europeu acha que a bosta deles não fede quando é para falar de latinoamericanos). Sabendo do histórico da empresa e do grupo, bem, eu não descarto a possibilidade de que o bullying tenha sido real.

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      1. Eu prefiro não comentar o caso da Leia e da Fatou justamente pelos casos anteriores de denúncias de bullying no k-pop mostrarem que não dá pra arriscar qualquer palpite. O bullying pode ter sido real, pode ter sido mentira, pode ter sido uma briga normal que a Leia interpretou como bullying…

        Uma teoria bastante popular sobre o caso do AOA é que, ao contrário do T-ara (onde a Hwayoung claramente sabia que a história de bullying era mentira), pode ser que a Mina REALMENTE considere que sofreu bullying. Até porque é difícil definir a partir de que ponto um atrito entre duas partes pode ser considerado bullying – já vi leitor de quadrinhos dizer que a Mônica é vítima de bullying do Cebolinha e do Cascão, por exemplo (mesmo com ela frequentemente revidando as provocações com violência, e mesmo com boa parte das histórias da Turma da Mônica mostrando que tanto ela como eles no fundo não levam essas “brigas” a sério).

        Seja qual for o caso, esse é um problema entre as duas, onde só elas sabem o que aconteceu, então o melhor que o público pode fazer é NÃO se meter e deixar que as duas e a agência delas se resolvam.

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    2. Sobre o lance da Jimin; desde que saiu, por mim poderia ter sido resolvido só entre ela e a Mina. Mas infelizmente a galera tentou queimar o restante, e deu no que deu.
      Pra mim o grande erro aí foi da empresa, que vendo o negócio pegar fogo, a briga ou bullying aumentar e não fazerem nada pra impedir.

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      1. Pior que eu achava exatamente o mesmo, mas depois li argumentos defendendo a postura da FNC por considerarem que a Mina estava muito instável na época e que qualquer tentativa que a agência tomasse pra defender a Jimin ou as outras integrantes poderia levar a Mina a se matar e isso faria as pessoas culparem as AOA e a agência pela morte.

        Há quem acredite que o “vazamento” que expôs a conversa das AOA e as mensagens que a Mina estava mandando pra Jimin tenha partido da própria FNC, e que ela tenha esperado a mulher se queimar e perder credibilidade com as próprias contradições pra só então soltar o “vazamento” e ver se isso faria ela parar. Parece que deu parcialmente certo: ela tentou fazer uma live “revelando” que recebeu mensagens de outras ex-trainees que teriam sido vítimas de bullying da Jimin e deu a entender que uma dessas vítimas teria sido a EunB do Ladies’ Code (que morreu num acidente de carro em 2014), mas pelo que eu vi, ninguém deu muita bola e o negócio não foi pra frente.

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    3. Esqueci de falar do caso do April: o apice da bizarrice pra apontar falando mal das membros foi pegarem o vídeo de uma das mães das meninas, naqueles programas de reality do grupo e dizer que a mulher estava fazendo bullying e literalmente não tinha nada de mais no vídeo.

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  2. Sexy Love é também a minha favorita do grupo porque tenho uma memória nostálgica incrível com ela e foi nessa música que descobri o nome do grupo_ sim, comecei ouvindo kpop com as músicas delas, mas pensava que era jpop e naquela época só tinha acesso a Internet através do curso de informática capenga que tinha_
    A voizinha robótica dar uma cor a mais no conjunto da obra. Sem falar que a era e o conceito foram lindos, saudades viu.

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