Com “Birthday”, Somi finalmente quebra a maldição de solistas cujas histórias pré-debut são mais interessantes que a execução em si

Há uma “onda” assolando debuts de solistas no K-Pop de uns tempos pra cá: o fato de as histórias que permeiam os períodos anteriores às suas estreias oficiais serem bem mais interessantes que as músicas efetivamente apresentadas nisso.

De cabeça assim, me lembro de 4 casos chamativos. Soyeon, hoje no (G)I-DLE, tentando a vida solo após chamar bastante atenção na Coreia do Sul ao participar da primeira temporada do Produce 101 e da terceira temporada do Unpretty Rapstar, mas decepcionando com uma canção inespecífica demais para render nesse meio. Katie Kim, retida por anos no porão da YG, assinando com outra gravadora, mas emulando Halsey em um debut não mais que bacaninha que ninguém se importou de verdade. SoHee, que conquistou algum buzz em seu run na temporada final do K-Pop Star, num “pré-debut” bem legal, sendo afundada no line-up do Elris e, enfim, conseguindo brilhar sozinha, mas num single que, embora divertido, não conseguiu se sobressair em cima de todo esse roteiro anterior. E o maior de todos, acredito, é o da Jennie, hoje no BLACKPINK, mas por anos funcionando como uma promessa da YG, aparecendo em features e tudo mais, até que saiu solo, com a melhor música desses exemplos citados, mas impossível de fazer jus a espera toda.

Somi também tem uma “história” dentro do K-Pop que coloca já de antemão uma pressão enorme em seu debut. A diferença pras outras, bom, já já falo. Recordemos tudo o que ocorreu, começando lá em 2014, com Sunmi sendo uma vampira gostosa que rebola a bunda pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá…

Após um retorno bem sucedido da Sunmi ao K-Pop em 2013, depois de anos afastada para cuidar de assuntos pessoais, a JYP, em 2014, entendeu que ela, como solista, era um grande chamariz. A ponto, inclusive, de atrair a atenção do público para outros acts da gravadora. Seu primeiro mini-álbum, por exemplo, tem colaborações com a Yubin e a Yenny, do Wonder Girls (que voltaria a vida no ano seguinte), com o Jackson, do GOT7, e com uma trainee da empresa, Lena.

Lena, junto de outras meninas, era nome certo para o girlgroup 6MIX, aposta da JYP prum futuro próximo. No entanto, por motivos quaisquer, Lena deixou a gravadora, desfalcando o que seria o line-up perfeito do, então, só 5MIX. E qual foi a ideia para remediar essa situação? Colocar alguma suplente? Mudar o nome do grupo e debutar as 5 restantes? Claro que não! A JYP bolou um survival show chamado SIXTEEN, com várias das trainees da empresa brigando entre si por uma vaguinha do eventual novo grupo da gravadora. O resultado disso vocês já sabem:

Twice ❤

Somi, parte do cast da JYP à época, concorreu no programa, indo até a final e conquistando bastante atenção do público e mídia por ser uma canadense mestiça de 14 anos bem desenvolta com as câmeras (ou coisa do tipo, não assisti essa merda), apenas para ser tombada pelo J. Y. Park na final, que quebrou as regras, transformando o Twice num grupo de 9 garotas, inserindo a ❤ Momo ❤ no line-up apenas porque sim.

Todo esse background de injustiçada foi o suficiente para que Somi, no final daquele ano, ao participar da primeira temporada do Produce 101, se tornasse uma das trainees mais populares da Coreia do Sul, liderando as votações de fan favourite ao longo de quase toda a competição e, ao fim…

VENCER A BOBAGEIRA COM CENTENAS DE MILHARES DE VOTOS A MAIS QUE A SEGUNDA COLOCADA!!1

E debutando com o I.O.I, vocês devem se lembrar de toda a escalada de sucesso que o grupo alçou. Ao termino de seu contrato com a MNET/YMC, Somi ainda bateu ponto em outros dois programas/grupos provisórios: Unnies, junto com Minzy e outras, e Girls Next Door, com integrantes do Mamamoo, Red Velvet, Lovelyz, Oh My Girl e Sonamoo. Ambos os trabalhos em 2017.

Em 2018, as expectativas eram de que, junto com a barraqueira lá do MIX9 e outras trainees mais famosinhas da gravadora, Somi debutasse num novo girlgroup. Dessa vez, em definitivo, por seu selo de origem e tudo o que tinha direito. No entanto, sem muitas explicações, ela resolveu sair da JYP Entertainment e assinar com… a YG Entertainment. E são várias as especulações em cima disso.

Dizem que não tinha interesse da JYP em inseri-la num novo grupo, pois sua popularidade era alta demais e, tal como rolava com o miss A e a Suzy, as demais integrantes acabariam eclipsadas por sua presença. Dizem que essa ideia de ser famosa demais para precisar dividir os holofotes partiu da própria Somi, junto de seu pai, que é seu empresário (?), então preferiu sair, pois não via muito futuro como solista ali. Por mim, tanto faz. A única coisa que contesto mesmo é o porquê dela ir para a YG/BLACKLABEL, empresa bem conhecida por não promover seus acts, ainda mais solistas. Por que não ir para uma gravadora menor, mas que lhe daria o total investimento que ela tanto quis? Vai entender.

A ironia da coisa é que o debut dela demorou tanto, foi tão enrolado e tão deixado de lado que, vejam só, o girlgroup novo da JYP, do qual ela provavelmente faria parte, ganhou vida antes mesmo dela. E com muito sucesso em vendas, relevância, NAMONGA DALLA DALLA YEEEEAAAH e por aí vai.

Sua estreia na casa nova supostamente ocorreria no ano passado, mas não rolou. Aí viria em março desse ano, mas foi adiado para maio, pois a BLACKLABEL optou por dar à Anda a song of the year. Chegou maio, mas Lee Hi entrou na frente para abafar escândalos da YG, então usaram esse tempo para “melhorar” o single album da Somi (que conta só com a title e uma b-side), deixando agora para junho.

E que tal “Birthday”?

A grande diferença de Birthday para as canções usada como debut singles por essas outras solistas que citei no começo do texto é que, vejam só que loucura, ela consegue ser ótima o suficiente para se sobressair perante toda a jornada da Somi antes de se lançar. Yup, é isso mesmo. Não é uma música muito boa levando em conta toda essa espera e empecilhos para acontecer, sim uma música muito boa mesma quando tudo isso é desconsiderado.

Na real, “Birthday” é um dos debuts mais divertidos que ouvi nos últimos anos, sendo fácil a melhor música composta pelo Teddy desde “Gashina”, da Sunmi. E pegando todos os maneirismos dele como compositor. A mania atual dele de inserir refrães pautados num break eletrônico está lá, aquilo de rolar uma bridge mais forte e exagerada quase ao fim também. “Birthday” é totalmente Teddy, mas com todos os artifícios sendo muito bem executados pelo envolvidos.

Por exemplo, esse instrumental “Disney” 50s rockish poderia ficar uma bosta caso interpretado por algum girlgroup white aegyo de vocal agudo muito adocicado. Mas a Somi coloca sua voz numa região mais grave, bem marcada, quase debochada em dados momentos, o que eleva de nível todo o pacote. Mesmo o drop do refrão, que poderia soar avulso, acaba casando corretamente pelas inserções vocais dela. Os “oops… you’re not invited” são grudentos ao extremo, ditos como se ela tivesse tirando sarro de todos.

A ideia de misturar o pop orgânico com “estouros” eletrônicos é bem utilizada. Me lembra Too Cool To Dance, da Eden Xo, Cool For The Summer, da Demi Lovato, e outras execuções parecidas. Com o plus de a Somi ser boa em câmera e a YG ter bastante verba para investir em trocentos cenários que parecem caríssimos. Sério, aquele bolo gigante deve ter custado uma fortuna.

E tem também um outro plus, desse ser um K-Pop sobre uma menina falando que não precisa de cara nenhum para se divertir, pois ela sabe se masturbar. Ou vocês acharam mesmo que a letra era sobre uma festa de aniversário?

A única reclamação é só ter rolado mais uma música nisso tudo além da titleE essa “Out Of My Head” nem é nada de uou, muito pouco inventiva, parece que já ouvi um monte de gente lançando a mesma coisa. Tomara que no comeback dela em 2021 role, ao menos, um minizinho com umas 4 ou 5 inéditas.

Fora isso, só me resta esperar até o final do ano pra ver o quão longe “Birthday” chega em minha favoritas. Tão HyunA em começo de carreira, poppy, divertida. Que debut legal…

6 comentários em “Com “Birthday”, Somi finalmente quebra a maldição de solistas cujas histórias pré-debut são mais interessantes que a execução em si

  1. O single tá bem divertidinho, e eu curti o timbre dela na música (nao curtia muito no I.O.I). O único problema disso tudo (excluindo o fato dela estar na YG, maior erro da vida dessa garota) é só terem 2 músicas pra ouvir mesmo, vai ser igual o PretoRosa quando debutou, debut com 2 músicas, comeback 10 anos depois com mais duas e assim vai… Foi triste.

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  2. Eu comentei em um post que estava decepcionada com esse debut e ainda estou mas a musica, ja está melhorando cmg, agora o que eu nao gostei foi exatamente esse oops u not invited

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