ALBUM REVIEW | BLACKPINK – Born Pink (2022)

Recentemente, o BLACKPINK lançou seu segundo álbum de estúdio coreano, o Born Pink. As reações foram mistas: o desempenho em vendas foi excelente, com o disco figurando, atualmente, no topo da parada de álbuns da Circle Charts (antiga Gaon) e da Billboard 200 nos Estados Unidos. Parte da crítica internacional (e aqui do Brasil), no entanto, não compartilhou da empolgação dos fãs, classificando o trabalho com adjetivos que não agradaram à galera mais enfurecida do Twitter.

Eu perdi todo o hype desse lançamento por estar ocupado com a faculdade, mas vou aproveitar as atualizações semanais dessas listas para trazer meus dois centavos sobre esse LP e tentar dar uma resumida no que acho do “fenômeno BLACKPINK” at all. Bom, vamos lá…

Antes de tudo, eu preciso destacar que enxergo dois problemas bem grandes em relação ao BLACKPINK. E nenhum deles é o fato de eu não saber diferenciar qual é a Jisoo e qual é a Rosé, ou a Jennie ser uma pangaré que não sabe dançar, ou a Lisa ficar muito esquisita sem franja.

O primeiro é a impressão de que o grupo, a YG Entertainment e o Teddy Park como produtor levaram a sério demais aquela máxima de “em time que tá ganhando não se mexe”. É inegável que o BLACKPINK é um sucesso em vendas. E é inegável também que elas foram as responsáveis por setar uma estética “mina fodona” que dominou o cenário feminino no K-Pop depois de anos de tortura com o white aegyo sendo a merda mais quente da nação.

Mas as faixas delas depois da explosão com “DDU-DU DDU-DU”, salvas raras exceções, meio que seguiram os mesmos maneirismos sonoros apresentados ali, o que fez do quarteto um grupo de, basicamente, uma só nota por anos a fio. Paralelo a isso, outros girlgroups, que seguiram na onda girlcrush que se formou pós-2017, como (G)I-DLE, ITZY, e mesmo o aespa, souberam variar o suficiente na fórmula para demonstrar suas cores próprias em tal nicho.

Já o segundo é ainda menos palpável: o puxa-saquismo de veículos de imprensa que, comumente, não cobrem K-Pop, mas viram no sucesso do BLACKPINK e na legião de fãs delas uma oportunidade de crescer em tal público (rolou o mesmo com o BTS). A total ausência de conhecimento dessa gente burra quanto ao nicho taxou por tempo demais BLACKPINK e K-Pop como sinônimos, de modo que não atribuíram o rigor crítico adequado, que são pagos para atribuir, em lançamentos delas, o que alimentou ainda mais o que falei acima de “o time tá ganhando, não tem porquê mexer, Teddy”.

E aí, o resultado é o “Born Pink”, um dos piores álbuns de K-Pop dos últimos tempos. A grande maioria da tracklist é formada ou por músicas chatas, ou por troços realmente ruins. E a que considero uma exceção, provavelmente, vai surpreender vocês…

Pink Venom é uma música bem interessante. Gosto das voltas que o instrumental dá, apontando pruns lados étnicos e alguns momentos, jogando mais pro hip hop clássico em outros. A letra é bacana, o jeito mais debochado como o refrão é cantado me diverte, os cânticos infantis demoníacos do começo retornarem no drop do final dá uma impressão legal de ciclo se fechando.

Não é a música mais transgressora já feita. Na real, ela repete trocentas fórmulas já apresentadas pelo Teddy Park com elas antes. Mas funciona em uma audição despretensiosa. Cola como uma música que morreria numa primeira parte de topzão de fim de ano. O problema disso tudo é que ela é a melhor do álbum. Daí pra baixo é… daí pra baixo. Okay, com duas exceções sanduichadas entre crimes contra a humanidade, mas já chego nisso…

Shut Down é um desses exemplares de músicas que são ofensivamente ruins. Eu entendo a proposta de samplear num hip hop/pop os acordes de uma música clássica. Poderia ser uma novidade bacana dentro do catálogo de singles do grupo, caso bem executada. Mas o resultado é desnecessariamente chato.

Pois “Shut Down” é uma dessas músicas que sai de lugar nenhum e chega em parte alguma. Os versos são todos derivativos demais, não consigo enxergar uma diferenciação forte o suficiente nos vocais para destacar quem tá cantando o que, e no fim das contas o instrumental extremamente repetitivo se torna irritante. Mil vezes o Cherry Bullet fazendo o mesmo com menos de um quinto do orçamento.

Isso de músicas que não vão pra lugar algum rola mais uma vez na faixa seguinte, Typa Girl, produzida pela mesma compositora da também horrível Ice Cream, que novamente investe numa melodia de poucas variações que mais parece uma vinheta esticada.

Yeah Yeah Yeah, produzida pelo R.Tee e com letra das gêmeas Jisoo e Rosé, é um ponto de respiro depois de duas atrocidades tão cataclísmicas na tracklist, levando o clima prum pop/rock oitentista de sintetizadores mais vibrantes que quase nunca vemos o quarteto investir. Funciona, mas agora já não sei se por ser legal de verdade ou pela comparação com o que veio antes. Elas seguem nessa em Hard To Love, quem também é simpática e também mostra um front mais delicado que elas pouco se interessam em investir e o grosso do público pouco se interessa em consumir.

Infelizmente, as coisas voltam a piorar logo em seguida. The Happiest Girl (escrita pela fucking Natalia Kills) é pomposa demais para que elas consigam vender corretamente o tipo de melancolia que números assim exigem. Tanto o instrumental aguado quanto as interpretações exageradas delas fazem parecer que essa é uma apresentação de calouro gospel num programa do Raul Gil.

A letra de Tally é absurdamente constrangedora e me tira totalmente do clima mais “da estrada” que o instrumental parece montado em cima. Eu estou velho demais para músicas sobre ser uma suposta adolescente inconsequente que tenta dar lição de moral em quem se incomoda. E o próprio BLACKPINK também já passou do tempo pra isso.

Pra encerrar (e talvez fazer volume na tracklist para chamarem de LP em vez de EP, mesmo tudo terminando em VINTE E QUATRO MINUTOS), meteram o CF que elas fizeram recentemente, Ready For Love, uma chatice dancehall com uns sintetizadores toscos demais no refrão. Infelizmente, não são toscos o suficiente para fazerem a volta e se tornarem camp, então o resultado só arrasta o álbum ainda mais para baixo.

O “Born Pink” é um “álbum” (entre aspas mesmo, pois VINTE E QUATRO MINUTOS SÓ) fraco demais. Três faixas passam, divertem, mas também não são o suficiente para fazer jus ao tanto de hype que Jennie e as dançarinas delas recebem. O resto varia entre chato e ofensivo.

Eu diria que a culpa pode ser dividida entre os fãs, que aceitam qualquer porcaria, e esse bololô de “críticos” profissionais e influencers que quiseram surfar na popularidade do grupo. Aí o resultado, seus otários. É essa merda aí que vocês têm que fingir que gostam. Daqui uns dez anos vão olhar pra trás e ver o quão ridículos eram.

Nota 2,0

8 comentários em “ALBUM REVIEW | BLACKPINK – Born Pink (2022)

  1. Que triste.

    Pior que os fãs acham que estão salvando elas ao “defender a honra delas” contra os “críticos malvadões”, e não percebem que é justamente essa blindagem colocada sobre elas que impede elas de crescerem enquanto artistas. Talento elas claramente têm; falta aproveitar esse talento e sair pelo menos um pouco da zona de conforto.

    E na boa, são os fãs que precisam dar esse chacoalhão nelas, porque a depender dos figurões e produtores da YG ou das próprias Blackpink, ambos já perceberam que não precisam se esforçar pra fazer sucesso – quer dizer, elas conseguiram um #1 na F*****G Billboard 200 (a título de comparação, Spice Girls e Destiny’s Child só tiveram UM álbum cada a conseguir um #1 na Billboard 200, e estamos falando das duas principais referências de girlgroups mundiais, o segundo inclusive tendo emplacado a Beyoncé como musa mundial do pop e R&B). A não ser, claro, que os blinks estejam REALMENTE satisfeitos com elas lançarem sempre os mesmos barulhos de sempre. Se for o caso, só lamento.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nah, duvido que os próprios blinks cobrem qualquer coisa delas. Ou porque eles realmente gostam dessa mesma estrutura musical sendo repetida all over again, ou porque estão imersos demais nesse mundo “vou aceitar o que vier das minhas faves” pra, huh, pensarem em qualquer outra coisa.

      Já aceitei que o BLACKPINK será sempre esse totem do “K-Pop de gente que não ouve K-Pop” enquanto ele durar e vida que segue.

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  2. Assino embaixo! O ~álbum~ é o mais desinteressante delas tbm, na minha opinião parece músicas já gravadas tal como Ready For Love e daí colocaram nisso.
    A única que se salva pra mim é Yeah Yeah Yeah.
    PS. Pior é ver mesmo várias influencer, youtuber e o escambau com sorriso no rosto dizendo que esse “álbum” era ótimo.

    Curtido por 2 pessoas

  3. Não li as críticas da gringolândia, mas não me espantaria (eu até já espero) um “argumento” sobre como os samples de música clássica ELEVAM a música. Estou devendo esse (e outro) post comunista, onde quero mostrar como o etnocentrismo/eurocentrismo corre solto. Na leitura da esmagadora “crítica especializada”, isso é usado há muito tempo: para cada música “boa”, devem existir várias música pobres, emburrecedoras e [b]inferiores[/b].

    No mais, gostei de pouca coisa desse álbum novo.

    Curtido por 2 pessoas

  4. É impressionante como o Blackpink funciona em uma escala negativa de qualidade. Quando a gente pensa que elas já entregaram tudo de ruim que poderiam entregar (como HYLT e Ice Cream), elas vão lá e se superam, aposentando o chicote do suplício prévio para trazer uma cadeira de Judas em versão auditiva. Não existe NADA que me agrada nas três titles (dos MVs) que elas lançaram: Pink Venom é cringe até dizer chega, Ready For Love é o tipo de coisa datada que poderia ter sido produzida pelo David Guetta em 2010 (e que ele engavetou e vendeu para algum nugu fuleiro), e Shut Down eu nem esperei o segundo verso para fechar a aba porque é simplesmente INAUDÍVEL.

    Eu me recuso a chamar isso de música, sério.

    Meu ranking ficaria o seguinte:
    > “Não tenho vontade de furar meus tímpanos com garfos de plástico quando ouço” tier: Yeah x3 e Hard to Love
    > “Isso é o que as fãs de 12 anos consideram badass e edgy (e que na verdade é só cringe)” tier: Tally, Pink Venom e The Happiest Girl
    > “O nono círculo do inferno” tier: Shut Down, Typa Girl e Ready For Love

    Agora o que é mais engraçado: parece que nem todo mundo engoliu esse álbum não, hein. Os números de views demoraram a subir (e só subiram de verdade com bots, vamos combinar), e parece que as críticas furaram a bolha usual, vi muita gente criticando no Twitter e Reddit. Aliás, vi críticas não só aos lançamentos pavorosos, mas também à presença de palco NULA das quatro cavaleiras do apocalipse: nem a Lisa escapou das críticas de elas parecerem cansadas, fora de sincronia e de tom o tempo todo e perdidas no palco, e olha que ela é sempre a mais elogiada – e a miss Jennie então, já tem uma galera de saco cheio de ela só apresentar direito quando quer (ou quando é o solo dela) e ninguém acredita mais naquela desculpa esfarrapada de que ela machucou a perna em fucking 2019. Só falta os blinks enxergarem isso, mas ei, aí já é pedir demais.

    Curtido por 4 pessoas

  5. Caramba… eu achei Pink Venom bem ruim, principalmente o refrão. Ele ser mais agudo me soou tão irritante! Shut Down poderia ser legal, mas é o que você disse: “sai de lugar nenhum e chega em parte alguma”. Assim como Ice Cream, é uma melodia com poucas variações, então é um tedio de ouvir até o final e acaba cansando (e irritando).

    Bom que dessa vez só os blinks gostaram, então não vamos ter que lidar com muito com as pessoas e a mídia rasgando seda só por views.

    Curtido por 1 pessoa

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