Time Machine: Aquela vez que a Lee Haeri serviu trilha de 007 em “Pattern” (2017)

Dias atrás, a Billie Eilish lançou No Time To Die, música tema do próximo filme, de mesmo nome, da franquia 007. Não sou o maior fã do som da Billie em geral, nem compro muito a aclamação que ela recebe da mídia, mas isso é assunto para uma próxima oportunidade. O que curto nessa equação, no caso, são “músicas tema de 007”. Nisso, a pirralha e seu irmão seboso entregaram um baladão excelente e perfeito dentro do que costumo esperar de trilhas para tocar enquanto passa uma animação cafona no início dos filmes do James Bond: desenvolve um ar de mistério, o instrumental vai numa crescente soturna e sexy, há algo na timbragem que a deixa com cara de “velha”, “abafada”.

Inevitavelmente, me peguei pensando em outros exemplares desse estilo (dentro do cancioneiro asiático, que é o tema desse blog, huh) que estariam em casa nessa franquia. Em tais delimitações, acho que ninguém soltou nada melhor nos últimos tempos que, vejam que loucura, a Lee Haeri, do Davichi.

Se não conhecem, ouçam Pattern:

O Davichi é um daqueles casos de acts coreanos não voltados para o público internacional que, embora eu saiba que têm a sua importância dentro da cena, que são sucesso desde sempre, eu nunca me importei de verdade em ouvir mais que duas ou três músicas ao longo dos anos. A mais legal, em minha humilde e pouco embasada opinião, é Beside Me, de 2016, que soa como um hit sing-along qualquer da Celine Dion nos anos 90 resgatado em Glee por aquela protagonista que foi eclipsada pela Naya Rivera. Imagino que existam baladões melhores delas (Dougie listaria vários), só não conheço.

Corta para 2017, com a Haeri, que já tinha lançado algumas OSTs e parcerias com outras pessoas, debutando solo. O que viria disso? Um punhado de baladões para chorar pelo oppa no travesseiro? Bom, sim! Mas a exceção à regra, e que surpreendeu uma porção de pessoas, fazendo com que a gostosona furasse a bolha de fãs e extrapolasse sua música para outros públicos (oie), veio em “Pattern”, utilizada como pré-release.

“Pattern” é bastante inesperada dentro de seu catálogo. É uma produção da cantora Junga Sunwoo (dona desse viral alternativo aqui com a Dara e a Anda fazendo graça no clipe, lembram?) com a Realmeee. Na letra, full putaça, ela canta sobre o quão bosta está o relacionamento dela, com seu par se comportando como um robô, com tudo chegando num patamar entediante insuportável. O tema é recorrente, eu sei, mas o truque todo está no instrumental, excepcional, muito bem trabalhado, lindo de ouvir. A Junga brinca com a ausência aqui. Não são tantos os elementos utilizados, a bateria eletrônica junto com o baixo é o que rege o embalo todo, com um pianinho pintando em tal hora, uns sintetizadores em outra, um órgão dando uma piscadela. Tudinho de modo ao vocal rouco da Haeri receber os holofotes principais.

Em sua totalidade, “Pattern” é estranha. E sexy, muito sexy. O que é ainda ampliado pelo videoclipe, com ela melancólica (e gostosíssima) em diferentes figurinos e jogos de luzes. É impressionante o quão sensual algumas pessoas conseguem ser só com o olhar. Tem uns takes que ela tá usando um vestidão vermelho que cobre tudo, mas consegue destruir nossas almas só com a expressão. E quando a direção decide “não mostrar” (a parte no final, com ela na banheira, apenas com as pernas de fora), é imbatível.

Infelizmente, não fez tanto sucesso quanto o Davichi costuma fazer. Rolou um peak de #16 pro álbum na parada semanal da Gaon e é isso. Mas vocês já devem saber que sucesso e qualidade nem sempre andam de mãos dadas, independente do país, não?

Recentemente, a Lee Haeri voltou com seu segundo mini-álbum, tendo esse baladão “Just Cry” acima como lead single. Eu gosto. Vai aparecer na playlist aqui ao fim do mês.

Outras músicas do asian pop que estariam em casa numa trilha de 007

“Lip Reading”, com Jolin torturando gente no videoclipe…

“I Got Love”, com Taeyeon dominando um império internacional de diamantes…

“Who Am I”, da Sunmi em sua fase vampirona se juntando com a Yubin para jantar pessoas…

E a Yenny literalmente nomeando uma música como “Bond”, tão a cara de trilhas de 007 que o resultado final ficou.

5 comentários em “Time Machine: Aquela vez que a Lee Haeri serviu trilha de 007 em “Pattern” (2017)

  1. Lembro que quando ouvi Pattern pela primeira vez, me pareceu algo que Marina (sem os Diamonds atualmente) cantaria e me veio à cabeça Power & Control, que achei bem parecida com a faixa. Hoje percebo que Pattern é praticamente uma versão alternativa de P&C

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