Por favor, cuidem de sua saúde mental

O F(x) deve ter sido o grupo de K-Pop que eu mais escutei na última década. Muitas coisas nele atraiam o meu favoritismo. O repertório, claro, sempre foi o mais importante nessa equação. Mas a estranheza característica do ex-quinteto sempre foi um tempero a mais, uma vírgula weirdo em tal mundo perfeitinho, numa época onde Red Velvet e suas variações de menos verba sequer existiam. As integrantes, então? Uma mais legal que a outra. A chinesa gostosa e flexível, a coreana que canta as notas altas, a americana não-binária do timbre mais grave, a irmãzinha da Jessica e a modelona debochada.

Essa última, Sulli, lembro que gerou uma controvérsia bem grande durante a época de promoção do “Red Light”. Estava doente, não pode “se dedicar” o tanto que esperavam dela na fanbase. Um tempinho depois, acabou saindo do grupo, meio que largando a vida musical para se focar no trabalho de atriz. Foi tão maltratada pela mídia, pelos fãs, pelos haters. Os anos passaram e a gente achou que ela estava de boa com isso, que levava na brincadeira, tinha jogo de cintura. Até programa na TV ironizando isso estrelou. E estrelou outras coisas também, séries, filmes, campanhas publicitárias. Até tinha voltado pra música recentemente, como solista, pela mesma gravadora. Foi provavelmente a ex-f(x) com a maior carga de trabalho, ainda que o preço disso tenha sido alto. E virou estrela ontem.

Não sei como a notícia da morte da Sulli pegou vocês, mas aqui foi bem difícil de ler. Por uma porrada de motivos. Me vi pensando na forma como ela faleceu, no que deve ter a levado àquilo, no quanto não só a indústria idol sul-coreana é difícil, pesada e nojenta, mas toda aquela sociedade que, querendo ou não, acabamos idealizando de alguma forma (nem que seja só fechando os olhos para as podreiras e consumindo os produtos com distanciamento, coisa que eu faço), no quão tóxica a internet pode ser para com a fragilidade alheia, no quão triste um mundo sem empatia pode ser.

Eu poderia dizer para vocês assistirem os trabalhos onde ela atuou, ouvirem os álbuns do F(x) ou aquele single recente dela como forma de tirar algo de “bom” dessa merda toda, mas prefiro dar outra sugestão. Então, ouçam o tio Lunei, que é mais velho que vocês e já deve ter passado por bem mais situações ruins ao longo da vida: cuidem de sua saúde mental.

Transtornos, disfuncionalidades e demais patologias desse tipo até podem parecer divertidas quando colocadas em músicas, clipes, livros, filmes e outros produtos e afins. Mas são horríveis quando sentidas na pele. Não é legal, cool, “maduro”, nem “interessante” se sentir triste por longos períodos. Ter a sensação de estar deslocado, de não ser aceito em ambiente algum, de não fazer falta para ninguém, é apenas péssimo, pesado, desgastante, terrível. E não é frescura procurar ajuda em casos assim. Você não será mais fraco que os outros por reconhecer suas debilidades. É meio que o contrário, será tão forte quanto puder para se tratar.

Se algum de vocês que tiver lendo isso se sentir assim, entre em contato com um profissional. Psicólogos são para todos. E se precisar de um psiquiatra, medicamentos, tratamento, vá sem medo. A vida pode ser ruim, mas dá para melhorar.

Que semana de merda essa será.

PLAYLIST | Asian Pop 2019: Update de junho

Junho já está para morrer, o que significa que é hora de atualizar a playlist aqui do blog com os melhores bagulhos do asian pop nesse ano de 2019. Saiu muita coisa legal nas últimas semanas, tanto no K-Pop, quanto no J-Pop. No entanto, vários bops do lado japa da equação, como singles novos do Momusu, MAX e Angerme acabaram não entrando no Spotify, logo, não baterão ponto aqui. Chato, mas normal pros padrões nipônicos. Não é a toa que o K-Pop se tornou essa febre mundial e eles não.

Enfim, sem mais delongas, confiram a lista abaixo, seguida dos meus breves comentários faixa a faixa…

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