10 grandes disband anthems (não oficiais) para provar que términos não precisam, necessariamente, ser tristes

Recentemente, o colega Palpites Alheios começou um listão com algumas músicas “de disband”, mas que não são tão de disband assim. Eu achei a ideia ótima, então vou roubar.

Ocorre que, de uns anos para cá, tem sido bem comum o advento “pouco idol” de grupos disbandarem sem muito aviso prévio e sem uma preparação adequada para isso. Acho isso pouco idol, pois estou acostumado com o Japão criando imensas narrativas de adeus para que tanto integrantes (caso do Morning Musume e do AKB48) quanto grupos inteiros (caso do E-Girls) “se graduem”, envolvendo singles especiais, compilações, até turnês.

No K-Pop, o Sistar fez isso e o Mamamoo vem fazendo aos poucos. Mas trocentos outros grupos têm ignorado esse ritual idol. Ou por morrerem/serem mortos de uma hora para outra, ou por simplesmente morarem num vácuo onde não são mais trabalhados por suas gravadoras, mas o anúncio de disband nunca ter acontecido oficialmente. E isso tem gerado um fenômeno bem interessante de observar: o das músicas “finais” que não foram planejadas para isso, mas acabam ganhando um significado maior JUSTAMENTE por esse acidente.

Posto isso, resolvi também listar aqui, sem nenhuma ordem específica, quais os meus xx disband anthems não oficiais prediletos. Porque encerrar os trabalhos com grandes pancadões, por vezes, pode ser até melhor que baladinhas sentimentais…

GFRIEND – Mago

O fim abrupto do GFRIEND me pegou de surpresa, pois a gravadora delas havia sido recém-adquirida pela HYBE e o senso comum me fez imaginar que uma grana maior seria injetada no grupo e elas ainda poderiam sobreviver por mais alguns anos sem muitas preocupações com as constantes decaídas nas vendas. Não foi o que rolou. E aí, calhou de a swan song delas ser a hipnótica “Mago”, onde elas falam sobre renascimento e estarem prontas para viverem seu amor nessa fase adulta, mas que ganhou ainda outra camada onde elas cantam, justamente, sobre seguirem para novos rumos. Tudo isso por cima dum instrumental disco cintilante e imersivo.

Lovelyz – Obliviate

“Obliviar” significa apagar algo da memória. Em “Obliviate”, o Lovelyz pega essa ideia e insere numa narrativa sobre se esquecerem de um relacionamento tóxico e, enfim, seguirem felizes sem ele. À época, devia ser lido só dessa maneira, mas com a Wollim demorando tanto para fazer qualquer coisa sobre o grupo e todas elas (menos a BabySoul, por sabe-se lá qual motivo) cantarem pneu da empresa, as coisas ficam ainda mais agridoces. E com um house safadão atrás, é impossível não se deixar levar.

Gugudan – Not That Type

O Gugudan foi um dos vários grupos que sofreram bastante de má gerência após o primeiro Produce 101. Tenho a impressão de que um monte de gente na indústria se arrepende de escolhas feitas nessa época e que isso de diluírem o apelo das participantes/vencedoras junto de outras trainees meio que serviu de padrão a não ser repetido hoje em dia (tá aí várias minas saindo solo e outros grupos com as IZ*ONE bem mais enxutos). Em resumo: a Jellyfish não sabia o que fazer com elas, atiraram pra todos os lados musicais e, a partir de certo ponto, simplesmente desistiram (tanto que a chinesa do grupo foi pro Produce da casa dela, ganhou, tá fazendo dinheiro e a gravadora nem tchum pra comeback). O último lançamento delas foi o melhor: “Not That Type”, em quesito de hinos da modinha dancehall, só perde mesmo para “LATATA”. E é bem significativo hoje o adeus dela ter sido dizendo que não são “desse tipo”.

Girl’s Day – I’ll be yours

Esse aqui é um dos casos mais malucos da minha geração de capopeiros. O Girl’s Day estava em seu auge quando, simplesmente, foi deixado de lado pela gravadora delas, ficando por quase dois anos em hiato enquanto novos nomes, como Twice e Red Velvet explodiam. O sumiço durante essa mudança de gerações foi MORTAL para as quatro, que até bateram mais de 400 mil cópias com “I’ll be yours”, mas não foi o suficiente para seguirem. Aposto que rolou treta dos bastidores. Não tem nada na letra que dê para relacionar com o disband postumamente, mas eu gosto de imaginar que elas estão cantando que sempre serão minhas e é isso.

Pristin V – Get It + Hinapia – Drip

Falando em grupos que sofreram no período pós-I.O.I e em bizarrices inexplicáveis da indústria, até hoje fico com uma coceira no meio da cabeça pensando no Pristin. Elas deveriam ser o novo trunfo feminino da Pledis, que ia bem com seus grupos masculinos até então e tinha o After School (já chego nelas) no histórico. Mas eles soltaram a mão depois de dois singles, juntaram só as que participaram do Produce numa unit e, logo depois, jogaram a toalha de vez. “Get It” ainda é um dos números de mina fodona mais sensacionais dos últimos tempos (merece até um time machine só pra ele), com elas falando que preferem deixar o aegyo de lado e virarem piranhonas se isso satisfizer a pessoa, mas tudo ganha ainda outro significado quando chegamos em “Drip”.

O Hinapia é pouco comentado (pois não fez sucesso nenhum), mas foi um novo grupo feito com ex-integrantes do Pristin, já tentando acontecer numa terceira gravadora diferente. “Drip” foi tanto um debut, quanto uma swan song, já que o quinteto disbandou logo em seguida. Mas a música e o clipe valem a pena serem dissecados, onde elas metem uma porção de indiretas para a Pledis e inserem umas cenas sombrias pra caralho sobre estarem presas e precisarem ser salvas. Ninguém ouviu, mas deveriam.

AFTERSCHOOL – Shine

E falando em After School, embora nunca tenha ocorrido um anuncio oficial de disband por parte da Pledis na Coreia do Sul, a Avex, no Japão, já sabia que as coisas não iriam longe. Tanto que em 2015 mesmo soltou um best of prego de caixão pra elas que teve essa “Shine” simpatiquinha como single promocional. E um baladão intenso e bonitinho que faz bem às vezes pra esse final que nunca chegou de verdade. Elas literalmente dizem que vão viver suas vidas daí em diante. Só não entendeu quem não quis.

IZ*ONE – D-D-DANCE

Tenho quase certeza de que a MNET não queria que o adeus do IZ*ONE fosse com um single promocional pruma plataforma que nem colocar o MV inteiro oficialmente no YouTube deixa. Só que aí vieram os escândalos e, bom, tchau (e olá GP999, com todo mundo esquecendo e enchendo o cu da emissora de dinheiro NOVAMENTE). Mas, ó, que bom! Pois “D-D-DANCE” é a minha música predileta do grupo desde o debut. O Spotify fica colocando ela toda semana naquela playlist de replays e, uou, capaz dela pegar um top 10 mês que vem. Terminaram no ápice.

Girls’ Generation – All Night

O Girls’ Generation lançou seu melhor LP coreano quando completou 10 anos de carreira. O clima todo era de celebração, mas com três das gostosas abandonando a SM meses depois, calhou de “All Night” adquirir um gosto agridoce, onde a festa também é o enterro. Brincadeira, não é pra tanto. “All Night” acaba por cumprir bem sua função em ambos os casos, pois é um pancadão vibrante e inesquecível para coroar a década de atividade delas, e é também um encerramento perfeito para o que foi o maior girlgroup do K-Pop. Uma última memória feliz antes do adeus – que, por experiência própria, é a melhor maneira de se despedir.

4MINUTE – Hate

Pra encerrar, essa aqui que tem uma história meio nebulosa por trás. À época do lançamento de “Hate”, havia o comentário de que esse aqui poderia ser o último comeback do 4MINUTE, pois já estava naquela época de renovação de contratos das integrantes e a Cube parecia ver mais vantagem em trabalhar a HyunA como solista e só. Mas se o lançamento fosse bem, elas continuariam. Embora “Hate” hoje acumule mais de 700 mil cópias já vendidas, na época, ela foi um sucesso modesto (um pouco mais de 200 mil) e não deu pro 4MINUTE. Mas elas morarão para sempre no coração desse blogueiro e é isso que importa. ❤

13 comentários em “10 grandes disband anthems (não oficiais) para provar que términos não precisam, necessariamente, ser tristes

  1. Espera, o Girls’ Generation deu disband? Mas os fãs me prometeram que elas continuam juntas mesmo com três delas estando fora da agência (mas supostamente sem sair do grupo) e sem nenhum comeback há anos…

    Uma pena o Girl’s Day ter acabado, mas pelo menos acabou com um single ótimo, animado e sensual como todo bom single do Girl’s Day. Uma pena que outros grupos não seguiram esse exemplo (*cof* SISTAR *cof* Wonder Girls *cof*).

    No mais, AOA não está nessa lista, então espero que isso seja um sinal de que ainda não vimos o fim das Garotas Bonitas. “Ah, mas todas as main vocals já saíram” – grande coisa, as que sobraram não precisam fazer high notes e nem cantar; basta rebolarem muito com uma midtempo sensual tocando ao fundo e já tá ótimo.

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  2. o disband abrupto do gfriend foi mt triste, até hj n aceito que a hybe simplesmente largou elas de mão e matou o grupo. (felizmente a gente vai ter um novo grupo com 3 integrantes do ex-grupo, o viviz)

    Curtido por 1 pessoa

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