Good Girl: comentando as apresentações da primeira rodada

Já está rolando o Good Girl, novo reality show da MNET onde rappers e cantoras “urban” (ooh, esse termo guarda-chuva genérico) se apresentam juntas e ganham uns trocados, mas que não é um survival show com elas competindo entre si, embora a primeira rodada traga justamente uma competição de performances solos em que a mais aclamada fatura um troco e a menos aclamada é arrastada pra lama, ou algo do tipo. Confesso que não entendi bem a pegada do programa, pois ainda não comecei a assistir (vou deixar acumular mais uns episódios antes de pegar pra ver), mas pelo que entendi dos resumos do Dougie e do Guilherme, é mais ou menos isso. Ou não. Sei lá. Um dia descubro.

O elenco é bem bom: tem a Cheetah, que é figurinha carimbada em vários produtos da casa (Unpretty Rapstar, Produce 101, Queendom), a Hyoyeon (impressionante a SM ter topado isso, já que a gravadora não costuma deixar seus contratados participarem dessas pataquadas como competidores, pois aparentam preferir manter uma imagem intacta), a Jimin Park (vai demorar para eu me acostumar com o stage name Jamie, desculpem aí), a Ailee, a mina do KARD que não é a que era do April, uma das gostosonas do CLC, além de nomes de menor relevância por aqui, mas que parecem render muito em tela.

Como eu disse, não cheguei a assistir os dois episódios que já saíram. No entanto, as apresentações da primeira rodada, onde elas cantam para uma platéia de ex-participantes de outros programas da MNET e se autoavaliam para saber quem é a grande gostosa mais grande gostosa já de cara, valendo uns trocados, já estão disponíveis no YouTube. Abaixo, comento todas elas, elencando da pior à melhor.

[ YEEUN (CLC) – BLACK DRESS ]

Olha, a maioria das apresentações foi de boa para ótima, comigo só separando quais as que mais curti e explicando os motivos disso daqui em diante. Essa aqui é a única exceção, com a Yeeun assassinando “Black Dress” do início ao fim, não conseguindo cantar direito, ou mandar rimas sem perder o fôlego, ou dançar de maneira competente. O que é esquisito, pois o CLC até que manda bem em suas performances ao vivo. Talvez ela só não tenha aquilo para funcionar sozinha. De longe, a pior dessa rodada.

[ JAMIE – GANGSTA ]

Entre as participantes, a Jamie (céus, pra que que mudou o nome cinco anos depois?) é a que tem o vocal que mais me empolga, conseguindo destruir a alma de todos com suas transições do grave pro agudo cheias de emoção. Mas no palco ela passou longe de conseguir vender com o corpo a atitude que a música exige, sendo até um tiquinho desconfortável de assistir ela quase não desgrudando o braço direito do tronco enquanto canta. Legal pros ouvidos, fraco pros olhos.

[ AILEE – HEADLOCK ]

A Ailee é ótima, todos já sabemos disso. Ela canta e dança muito bem, fazendo valer a experiência de assisti-la ao vivo. Entretanto, a escolha da música não me agradou não. “Headlock” é pop demais para o que parece ser a proposta do programa, não permite a atitude mais agressiva que as outras, a seguir, serviram tão bem. Podia ter escolhido alguma mais condizente dentro de seu próprio repertório, como Room Shaker ou Loyalty, fariam mais sentido no contexto.

[ CHEETAH – CRAZY DIAMOND ]

Cheetah sendo Cheetah e quebrando tudo no rap, coisa que ela faz muito bem há muitos anos e programas dentro da MNET, esbanjando talento, confiança e swag naturalmente, sem novidades no front. Particularmente, acho que ela poderia ter escolhido alguma música com mais momentos de “grude” (um refrão forte, por exemplo) para que a performance toda não ficasse curtível só dentro dos meandros do Hip Hop. Vida que segue.

[ HYOYEON – PRESS ]

Eu fico meio chocado que os anos passam e a Hyoyeon só fica mais bonita. A essa altura do campeonato, sinto que meu plano de nos casarmos e termos três filhos poliglotas (duas meninas e um menino, eles falariam coreano, português, inglês e japonês) começa a se distanciar, pois minha barriga está perdendo os gominhos e minhas chances devem se esvair em pouco tempo. A apresentação foi uma palhaçada, com ela cantando por poucos segundos e deixando a faixa original tocar pela maioria do tempo enquanto ela dança com os bailarinos. O lance é que ela dança tão mais que as outras e consegue servir esse conceito bad girl tão bem que, só com isso, já se destacou positivamente ante as anteriores. Ícone.

[ SLEEQ – HERE I GO ]

Então, não assisti o episódio, então não tenho como falar muito mais a fundo sobre o ocorrido aqui, mas parece que essa rapper aí falou de minorias queer no rap, deixando uma galera desconfortável e ficando em último lugar na votação interna (o silêncio e as caras de cu durante a apresentação dizem muito). Não me impressiona, já que essa galera idol ou tem medo de se posicionar e receber hate do público conservador homofóbico, ou é conservadora e homofóbica por si só. Sobre a apresentação em si, achei ela bastante talentosa, conseguindo expressar raiva por meio das rimas, além de ter incluído um refrão bem pegajoso, ajudando a, diferente do que rola com a da Cheetah parágrafos atrás, ser curtível pela parcela de ouvintes que não estão ligando tanto para o Hip Hop.

[ QUEEN WASABBI – HI BABY? + LOOK AT MY! ]

HUAHUAHUAHUAHUAHUA com essa mulher fruta coreana já começando a apresentação colocando a raba pra jogo e baseando toda a performance requebrar gostoso. O vocal dela é bem qualquer coisa, inclusive parece não conseguir manter corretamente o fôlego enquanto rima, mas o excesso de palavrões e putarias na letra, junto das reboladas, fizeram da performance entretenimento garantido. Meio Jimin no Unpretty Rapstar, vendo a Cheetah cantar sobre a vez que ela ficou em coma e responder isso “rimando” sobre BOCETA.

[ YUNHWAY – POLAROID + WHAT DO YOU KNOW ABOUT ME ]

Essa foi muito boa. Não tenho ideia de quem é essa indivídua (parece que participou do Show Me The Money sei lá quando, mas o programa não era só para oppas?), mas o modo como ela coloca o vocal, ficando numa meiuca entre rimar e, efetivamente, cantar, é gostoso demais de ouvir. As escolhas musicais foram ótimas, ela mandou muito bem no palco sem nem precisar dançar tanto. Se continuar assim, pode despontar como uma nova Heize.

[ JIWOO (KARD) – TAKE YOU DOWN ]

A Jiwoo também mandou muito bem com esse cover do Agressor de Mulheres Chris Brown. A coreografia com as cadeiras foi a mais elaborada em todas, com ela não deixando a peteca cair em momento nenhum. Particularmente, acho que ela ainda não aprendeu a controlar a extensão vocal dela perfeitamente, mas mesmo essas pequenas semitonadas funcionaram muito bem ao trazer emoção pra apresentação. Sangue no olho. Segunda melhor da rodada.

[ YOUNGJI – DARK ROOM ]

Essa aqui comeu o rabo de todas às garfadas. Algo me diz que essa Youngji (quem?) ouve muito Hip Hop clássico, como LL Cool J, Missy Elliot, Queen Latifa, dentre outros, pois a maneira como ela coloca os versos, meio que adicionando o dobro de conteúdo num intervalo de tempo que não caberia tudo isso, me remete muito ao que já ouvi de rap desse período (o que não é muita coisa, não se enganem, meu conhecimento é bem limitado). Ela consegue fazer esse “refrão falado” que é tão legal, mas tão pouca gente usa dentro do “K-Rap”, conseguindo muitos pontos por isso. E ainda faz dancinhas divertidas e bem colocadas para impressionar com o instrumental? 10/10.

Bom, essas aí foram as minhas impressões sobre essa primeira rodada. Em algum momento eu assisto de verdade o programa, aí entenderei os subplots e reações corretamente (algo me diz que a Ailee será uma grande vilã, enquanto Cheetah e Hyoyeon não se envolverão de verdade para não queimarem suas imagens, Jamie/Jimin será o joke act, SLEEQ sairá como a odiada e Youngji como a grande merecedora da aclamação).

11 comentários em “Good Girl: comentando as apresentações da primeira rodada

  1. AMEI essa Queen Wasabbi! Pete Burns, se o Pocket Girls estiver precisando de novas integrantes (e nós sabemos que sempre está), fica aí uma ótima sugestão!

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      1. Só é uma pena a Go Won não estar participando desse programa. A fadinha do rap coreano ia chocar lá dentro, especialmente se levasse sua esposa Olivia Hye na plateia.

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            1. Ao que tudo indica era só zoeira da Grimes. Embora tratando-se da Grimes e do Elon Musk, tudo seja possível. Até mesmo escolher pra madrinha uma pessoa que quase botou fogo na cozinha ao tentar cozinhar.

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  2. A primeira pessoa que pensei quando vi a performance da Yunhway foi em ti mesmo, senti uma vibe bem heize nela mesmo, e as versões de estúdio dela pras músicas que ela apresentou são ainda melhores (infelizmente o que o dougie falou sobre ela não ter muita experiência de palco e não funcionar tão bem visualmente é muito real) mas eu recomendo DEMAIS que você ouça o mini dela (que é de onde ela tirou as músicas que ela apresentou) todas as músicas são muito boas e tem um peso muito maior em estúdio.

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